{"id":113113,"date":"2023-06-22T12:03:47","date_gmt":"2023-06-22T16:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=113113"},"modified":"2023-06-22T12:04:55","modified_gmt":"2023-06-22T16:04:55","slug":"metodo-desenvolvido-na-usp-calcula-o-potencial-produtivo-dos-solos-agricolas-nos-municipios-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/metodo-desenvolvido-na-usp-calcula-o-potencial-produtivo-dos-solos-agricolas-nos-municipios-brasileiros\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo desenvolvido na USP calcula o potencial produtivo dos solos agr\u00edcolas nos munic\u00edpios brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da USP desenvolveram uma metodologia para calcular o potencial produtivo dos solos agr\u00edcolas no Brasil. Com base nos dados sobre caracter\u00edsticas do solo em 70 mil amostras coletadas em todo o Pa\u00eds, o m\u00e9todo \u00e9 capaz de apontar, por exemplo, quais munic\u00edpios s\u00e3o mais promissores na produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e soja. As duas culturas foram analisadas na pesquisa por terem muita import\u00e2ncia econ\u00f4mica, mas o m\u00e9todo pode ser aplicado a outros cultivos. O trabalho foi realizado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.<\/p>\n<p>\u201cO solo possui uma capacidade inerente para atender \u00e0s demandas das culturas em termos de disponibilidade de nutrientes e \u00e1gua, influenciando no processo fotossint\u00e9tico da planta e na fabrica\u00e7\u00e3o de biomassa\u201d, relata o engenheiro agr\u00f4nomo Lucas Tadeu Greschuk, que realizou o estudo. \u201cPortanto, o potencial produtivo do solo, um indicador conhecido pela sigla SoilPP, se refere a sua capacidade de produzir biomassa em resposta \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de seus atributos qu\u00edmicos, f\u00edsicos e biol\u00f3gicos.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador desenvolveu uma estrat\u00e9gia para estudar os solos agr\u00edcolas brasileiros em detalhes. \u201cInforma\u00e7\u00f5es sobre propriedades da terra, em at\u00e9 1 metro de profundidade, e t\u00e9cnicas de estat\u00edstica multivariada foram utilizadas para construir um sistema de pontua\u00e7\u00e3o que variou de 0 a 100, com os valores mais altos representando alto potencial dos solos para a produ\u00e7\u00e3o de biomassa\u201d, explica Greschuk. \u201cO SoilPP foi validado com informa\u00e7\u00f5es de campo.\u201d<\/p>\n<p>Os dados analisados no trabalho s\u00e3o oriundos do banco de dados do Geotechnologies in Soil Science team (GeoCis), organizado pelo professor Jos\u00e9 Alexandre Dematt\u00ea, da Esalq. \u201cForam usadas cerca de 70 mil amostras coletadas em \u00e1reas agr\u00edcolas espalhadas pelo territ\u00f3rio brasileiro, com informa\u00e7\u00f5es sobre os n\u00edveis de argila, areia, silte [fragmento de mineral menor do que areia fina e maior que argila], carbono org\u00e2nico do solo, mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo, pH [acidez], satura\u00e7\u00e3o por alum\u00ednio, al\u00e9m da satura\u00e7\u00e3o de bases, delta pH, declividade do terreno, \u00edndice de intemperismo e outros\u201d, aponta o engenheiro agr\u00f4nomo. \u201cOs atributos de cada uma delas receberam uma pontua\u00e7\u00e3o variando entre 0 a 100, todos eles foram integrados em um \u00edndice ponderado e, por fim, cada amostra teve uma pontua\u00e7\u00e3o SoilPP variando entre 60 a 100.\u201d<\/p>\n<p><strong>Potencial produtivo<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Greschuk, os solos com maiores valores SoilPP s\u00e3o os melhores em termos de potencial produtivo. \u201cEles apresentam maior profundidade, boa drenagem, textura fina, ricos em nutrientes para as plantas, o relevo pode ser vari\u00e1vel e sem a presen\u00e7a de afloramentos rochosos\u201d, descreve. \u201cPor outro lado, os com SoilPP muito baixo possuem baixa capacidade de fornecer nutrientes \u00e0s plantas, geralmente apresentam textura grossa [arenosa], baixa reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e, consequentemente, baixa disponibilidade para a planta; podem apresentar profundidade variada e, em alguns casos, alta presen\u00e7a de pedras.\u201d<\/p>\n<p>Com base nessas informa\u00e7\u00f5es iniciais, outras an\u00e1lises foram realizadas em biomas, cultivos e munic\u00edpios. \u201cA partir do mapa dos solos agr\u00edcolas brasileiros, que abrange 205 milh\u00f5es de hectares [ha], foi realizada a estimativa do potencial produtivo, o SoilPP, em cada um dos biomas, divididos em \u00e1reas de 900 metros quadrados [m2], denominadas pixels [resolu\u00e7\u00e3o espacial]\u201d, observa o pesquisador. Biomas s\u00e3o regi\u00f5es cuja cobertura vegetal e clima apresentam caracter\u00edsticas semelhantes. \u201cO bioma com maior uso destinado a atividades agr\u00edcolas \u00e9 o Cerrado, ocupando cerca de 71 milh\u00f5es de hectares.\u201d<\/p>\n<p>Os valores de produtividade m\u00e9dia municipal para a soja e a cana-de-a\u00e7\u00facar foram obtidos por meio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), sendo calculada a m\u00e9dia para as safras de 2016 a 2020. \u201cNo total, foram analisados 2.304 munic\u00edpios brasileiros com produtividade m\u00e9dia de soja acima de 1.500 quilogramas por hectare (kg ha-1). Baixos n\u00edveis de produtividade m\u00e9dia municipal foram observados em 896 cidades produtoras, os quais poderiam ser aumentados\u201d, descreve o engenheiro agr\u00f4nomo. \u201cPara a cana-de-a\u00e7\u00facar, foram analisados 2.468 munic\u00edpios com produtividade m\u00e9dia acima de 35 toneladas por hectare (ton ha-1), 1.056 apresentaram baixos n\u00edveis de produtividade m\u00e9dia municipal\u201d. Os resultados da pesquisa s\u00e3o detalhados na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado Potencial produtivo dos solos agr\u00edcolas brasileiros, apresentada por Greschuk no \u00faltimo dia 28 de junho, na Esalq.<\/p>\n<p>Greschuk aponta que a metodologia indica onde a produtividade m\u00e9dia da cana-de-a\u00e7\u00facar e da soja poderia ser melhorada em locais onde as culturas j\u00e1 est\u00e3o sendo cultivadas, minimizando a abertura de novas \u00e1reas agr\u00edcolas. \u201c\u00c9 poss\u00edvel saber quanto cada munic\u00edpio poderia aumentar seu desempenho de produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia em quilogramas ou toneladas por hectare\u201d, enfatiza. \u201cMas isso tamb\u00e9m vai requerer um estudo mais aprofundado e tamb\u00e9m saber investigar quais fatores est\u00e3o interferindo: gen\u00e9ticos, do solo (pedol\u00f3gico), clim\u00e1ticos ou incid\u00eancia de pragas e doen\u00e7as na produtividade das respectivas culturas.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada no Departamento de Ci\u00eancia do Solo da Esalq, com orienta\u00e7\u00e3o do professor Jos\u00e9 Alexandre Dematt\u00ea. Colaboraram com o trabalho os pesquisadores da Esalq N\u00e9lida Silvero, Jos\u00e9 Lucas Safanelli, Jorge Tadeu Rosas e N\u00edcolas Rosin. O trabalho teve apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e do Geotechnologies in Soil Science team da Esalq.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail <a href=\"mailto:lucasgreschuk@usp.br\" class=\"autohyperlink\">lucasgreschuk@usp.br<\/a>, com Lucas Tadeu Greschuk<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Blog da Engenharia<\/p>\n<p>Link: <a href=\"https:\/\/shorturl.at\/aP468\">shorturl.at\/aP468<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da USP desenvolveram uma metodologia para calcular o potencial produtivo dos solos agr\u00edcolas no Brasil. 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