{"id":28908,"date":"2008-08-01T15:50:49","date_gmt":"2008-08-01T15:50:49","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"pesquisas-dissecam-revestimento-de-argamassa-e-buscam-avanco-tecnologico-para-a-construcao-civil-brasileira-28908","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/pesquisas-dissecam-revestimento-de-argamassa-e-buscam-avanco-tecnologico-para-a-construcao-civil-brasileira-28908\/","title":{"rendered":"Pesquisas \u201cdissecam\u201d revestimento de argamassa e buscam avan\u00e7o tecnol\u00f3gico para a constru\u00e7\u00e3o civil brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>\u201cEste grupo de entidades e empresas procurou a academia com uma lista de temas de pesquisa, fruto de uma s\u00e9rie de problemas que eles gostariam de ver resolvidos. A partir deste contato, ao inv\u00e9s de uma s\u00e9rie de estudos isolados, foi pensada uma pesquisa maior, articulada, capaz de oferecer respostas sist\u00eamicas \u00e0s necessidades apresentadas\u201d, explica o professor Vanderley Moacyr John, da Poli\/USP.<br \/>\nO cons\u00f3rcio est\u00e1 viabilizando o desenvolvimento de mais de 15 projetos de pesquisa, com foco em diferentes desafios envolvendo o revestimento de edif\u00edcios: estudos sobre ader\u00eancia, fissura\u00e7\u00e3o e manchas provocadas por fungos s\u00e3o exemplos. A expectativa \u00e9 de que o Consitra colabore com a redu\u00e7\u00e3o das falhas em revestimentos internos e de fachadas, como descolamentos e fissuras, e aumente a vida \u00fatil das constru\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDiagn\u00f3stico mostra variabilidade<br \/>\nUma das frentes de pesquisa levou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um \u00b4mapa reol\u00f3gico` das argamassas usadas no pa\u00eds. A reologia est\u00e1 relacionada a propriedades como a viscosidade, e interfere na aplica\u00e7\u00e3o e na ader\u00eancia do revestimento.<br \/>\nPara estudo da reologia foram adotadas t\u00e9cnicas de ensaio inovadoras, como o \u201cSqueeze flow\u201d. O m\u00e9todo consagrado em \u00e1reas como a de alimentos e f\u00e1rmacos foi adaptado para as argamassas de revestimento e mostra, por exemplo, se o material atende requisitos de aplica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA t\u00e9cnica permitiu o estudo das propriedades de argamassas usadas por construtoras de diferentes estados. E revelou que h\u00e1 uma grande variabilidade nesse material, com diferen\u00e7as significativas na quantidade de mat\u00e9rias-primas e ar nas misturas.<br \/>\nForam encontrados \u00edndices de ar incorporado que variam de pouco mais de 4% at\u00e9 quase 30%. As argamassas que apresentam mais ar em sua composi\u00e7\u00e3o s\u00e3o, provavelmente, de f\u00e1cil espalhamento. No entanto, podem ser fluidas at\u00e9 demais, dificultando a aplica\u00e7\u00e3o de camadas mais grossas. Tamb\u00e9m podem ter o tempo de espera da \u201cpuxada\u201d (certo n\u00edvel de consolida\u00e7\u00e3o que permita sarrafeamento e desempeno), prejudicando a produtividade.<br \/>\n\u201cO desenvolvimento de uma metodologia sistem\u00e1tica para a formula\u00e7\u00e3o de argamassas requer a convers\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o de trabalhabilidade em grandezas reol\u00f3gicas mensur\u00e1veis\u201d, explica o engenheiro de materiais Rafael Pileggi, um dos pesquisadores envolvidos com os estudos relacionados \u00e0 reologia das argamassas.<br \/>\nUso de fibras ainda depende de mais estudos<br \/>\nO mercado vem adotando medidas para melhorar a qualidade das argamassas, mas as alternativas s\u00e3o carentes de confirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica. Com o objetivo de evitar fissuras, por exemplo, projetistas e construtores t\u00eam adotado solu\u00e7\u00f5es como a adi\u00e7\u00e3o de fibras sint\u00e9ticas nas argamassas. Entre as fibras empregadas est\u00e3o as de polipropileno. Com recursos do Consitra, nos laborat\u00f3rios da USP s\u00e3o realizados experimentos que analisam se essa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tecnologicamente vi\u00e1vel. Resultados preliminares indicam que a adi\u00e7\u00e3o de fibras confere um potencial de melhoria no comportamento reol\u00f3gico das argamassas (na pr\u00e1tica, facilitam sua aplica\u00e7\u00e3o). Al\u00e9m disso, n\u00e3o afetam de forma significativa o comportamento mec\u00e2nico (grosseiramente simplificando, a resist\u00eancia da argamassa). Mas para os pesquisadores isso n\u00e3o justifica o uso indiscriminado dessa alternativa. \u201cIdentificamos que h\u00e1 diferentes fibras de polipropileno no mercado, que cada uma delas acaba resultando num comportamento distinto da argamassa e nem todos os comportamentos s\u00e3o bons. Por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel utilizar indistintamente fibras de polipropileno\u201d, alerta a professora M\u00e9rcia Barros, da Escola Polit\u00e9cnica da USP, uma das pesquisadoras e coordenadoras do Consitra. Ela explica que os estudos buscam identificar quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas da fibra que realmente influenciam e que poderiam ser controladas na busca da melhoria das argamassas.<br \/>\nOs estudos j\u00e1 permitiram a elabora\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00f5es sobre aspectos como o melhor m\u00e9todo de adicionar fibras \u00e0 argamassa para que a mistura seja eficiente, e a propor\u00e7\u00e3o de fibras que \u00e9 poss\u00edvel usar sem prejudicar o desempenho do revestimento. Os dados foram publicados na Revista Techne. As pesquisas continuam, inclusive com o estudo de outros tipos de fibras, como as de vidro.<br \/>\nAvan\u00e7o em ensaios e normas<br \/>\nPermitindo o equipamento de laborat\u00f3rios e a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, o Consitra tamb\u00e9m colabora com o avan\u00e7o dos m\u00e9todos de avalia\u00e7\u00e3o das argamassas, estrat\u00e9gicos para que se possa chegar a novas propostas de formula\u00e7\u00f5es. O objetivo de adicionar fibras \u00e0s argamassas \u00e9 tentar evitar um dos problemas mais comuns nas fachadas: as fissuras. Mas avaliar o risco de fissura\u00e7\u00e3o de revestimentos de argamassa n\u00e3o \u00e9 algo simples de ser feito e a falta de padroniza\u00e7\u00e3o nos testes laboratoriais compromete a confiabilidade destes estudos.<br \/>\nPara iniciar os estudos nesta frente de trabalho, o cons\u00f3rcio viabilizou uma pesquisa que avaliou o grau de confian\u00e7a associado a cada metodologia de ensaio para determina\u00e7\u00e3o do chamado \u00b4m\u00f3dulo de deforma\u00e7\u00e3o de argamassas`. Neste estudo a equipe preocupou-se tamb\u00e9m com a capacidade de repeti\u00e7\u00e3o do ensaio. O resultado levou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um texto base para avalia\u00e7\u00e3o desse m\u00f3dulo. A partir da organiza\u00e7\u00e3o do material foi montada uma comiss\u00e3o no \u00e2mbito da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (ABNT) que, ap\u00f3s discuss\u00e3o da metodologia proposta, definiu um padr\u00e3o normativo que est\u00e1 em fase final de vota\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cA normaliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 fundamental. Ela possibilita padronizar procedimentos e ter resultados que possam ser compar\u00e1veis\u201d, explica a professora M\u00e9rcia. Segundo ela, no mercado h\u00e1 uma confus\u00e3o muito grande para a medi\u00e7\u00e3o da capacidade de deforma\u00e7\u00e3o das argamassas. Cada pesquisador avalia de uma maneira, utiliza ensaios e corpos de prova diferentes. O Consitra colabora buscando confiabilidade nos experimentos e an\u00e1lises necess\u00e1rias ao avan\u00e7o do conhecimento sobre as argamassas.<br \/>\nNovos estudos e conquistas<br \/>\nProblemas relacionados \u00e0 falta de ader\u00eancia entre o revestimento e a base tamb\u00e9m s\u00e3o investigados. Nos estudos realizados pela equipe da Universidade Federal de Goi\u00e2nia, os resultados alcan\u00e7ados permitiram a proposi\u00e7\u00e3o de um texto normativo para a revis\u00e3o da norma de ensaio de avalia\u00e7\u00e3o da ader\u00eancia de revestimentos \u2013 mais um experimento estrat\u00e9gico que n\u00e3o \u00e9 completamente padronizado. Existe uma norma que permite diferentes procedimentos e isto tem levado a resultados distintos.<br \/>\nAinda com foco na ader\u00eancia, os estudos avaliam diferentes formas de preparar a base para potencializar a fixa\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o sendo analisados, al\u00e9m do chapisco tradicional, preparado em obra, o chapisco rolado, o chapisco industrializado desempenado (chapisco colante) e outras solu\u00e7\u00f5es alternativas. Os estudos levam tamb\u00e9m ao desenvolvimento de instrumentos. Nas pesquisas com chapiscos, foram confeccionados seis tipos de desempenadeiras que tiveram seu uso comparado ao da convencionalmente utilizada em obra.<br \/>\nOs trabalhos incluem ainda pesquisas sobre a biodeteriora\u00e7\u00e3o de revestimentos de argamassas, linha que investiga o crescimento de microorganismos nas paredes, pois eles provocam manchas no revestimento. Testes acelerados e de envelhecimento natural em esta\u00e7\u00f5es implantadas com apoio do Programa Habitare mostram que condi\u00e7\u00f5es facilitam o ataque e indicam medidas para conter esse tipo de deteriora\u00e7\u00e3o dos revestimentos internos e das fachadas.<br \/>\nO Cons\u00f3rcio desenvolve tecnologia pr\u00e9-competitiva e tudo o que \u00e9 descoberto \u00e9 publicado em congressos, artigos, disserta\u00e7\u00f5es e teses, ou transformado em norma t\u00e9cnica. \u201cNos primeiros anos de trabalho acumulou-se mais conhecimento sistematizado e comprovado sobre revestimentos do que em muitas d\u00e9cadas\u201d, avalia, referindo-se ao Consitra, o engenheiro Luiz Henrique Ceotto, professor convidado da Poli-USP, diretor da Tishman Speyer e membro do Comit\u00ea de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Constru\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo. Em artigo publicado na revista do Sinduscon\/SP, ele lembra que os m\u00e9todos usados para argamassas vinham do concreto, de resist\u00eancias muito maiores, e com pouca sensibilidade para distinguir e qualificar os revestimentos. \u201cOu seja, precis\u00e1vamos fazer engenharia sem ter como medir qualquer das suas vari\u00e1veis mais elementares\u201d, complementa Ceotto, otimista com o formato de cons\u00f3rcio para o combate desse s\u00e9rio problema da constru\u00e7\u00e3o civil brasileira.<br \/>\n&#8220;A din\u00e2mica estabelecida para os trabalhos permite a colabora\u00e7\u00e3o e troca permanente de informa\u00e7\u00f5es entre pesquisadores e t\u00e9cnicos das empresas parceiras. H\u00e1 reuni\u00f5es t\u00e9cnicas mensais para que os resultados obtidos sejam rapidamente analisados, aperfei\u00e7oados e transferidos para a ind\u00fastria. \u00c9 uma f\u00f3rmula de trabalho que demanda compromisso dos pesquisadores com os prazos, e que acelera a transfer\u00eancia dos resultados para a sociedade\u201d, complementa o professor Vanderley John.<br \/>\n\u201cAl\u00e9m de estar produzindo um enorme avan\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, o Consitra tamb\u00e9m se constitui num exemplo de como podemos evoluir rapidamente a engenharia nacional, somando-se esfor\u00e7os e orientando todos os vetores numa mesma dire\u00e7\u00e3o, um excelente passo na dire\u00e7\u00e3o do desenvolvimento, que precisa ser repetido em in\u00fameros outros assuntos\u201d, refor\u00e7a Ceotto na revista do Sinduscon\/SP, em mais um depoimento de confian\u00e7a e expectativa em rela\u00e7\u00e3o ao cons\u00f3rcio<br \/>\nFonte: Revista Habitare<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma iniciativa in\u00e9dita est\u00e1 qualificando o revestimento de argamassa, cart\u00e3o de visitas dos edif\u00edcios brasileiros. O esfor\u00e7o de pesquisa une fabricantes, consumidores e universidades. Conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do Programa de Tecnologia de Habita\u00e7\u00e3o (Habitare), da Fapesp e do setor produtivo. As a\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas a partir do Cons\u00f3rcio Setorial para Inova\u00e7\u00e3o em Tecnologia de Revestimentos de Argamassa (Consitra), que integra a Escola Polit\u00e9cnica da USP e a Universidade Federal de Goi\u00e1s a uma s\u00e9rie de entidades. S\u00e3o parceiros o Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo (Sinduscon-SP), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Argamassas Industrializadas (ABAI), a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Tecnologia da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Abratec).<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-28908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}