{"id":29090,"date":"2010-02-24T17:42:57","date_gmt":"2010-02-24T17:42:57","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"agilidade-versus-qualidade-como-realizar-a-copa-do-mundo-29090","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/agilidade-versus-qualidade-como-realizar-a-copa-do-mundo-29090\/","title":{"rendered":"Agilidade versus qualidade: como realizar a Copa do Mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>Aliado a assunto discutido no primeiro dia do evento &#8211; \u00e9tica na \u00e1rea tecnol\u00f3gica -, o painel contou com oito expositores que tentaram averiguar qual a melhor forma de se concluir as obras da Copa do Mundo dentro do prazo e do or\u00e7amento estipulados. Esse \u00e9, na opini\u00e3o do ministro dos Esportes, o maior desafio do planejamento da Copa: aliar pre\u00e7o adequado com agilidade adequada. Orlando Silva defendeu que, para que isso aconte\u00e7a, devem ser superados dois desafios gerenciais. O primeiro \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o adequada de projetos. O segundo \u00e9 o monitoramento justo dos projetos, ou seja, o acompanhamento de prazos e or\u00e7amentos.<br \/>\n\u201cNo Brasil n\u00e3o faltam recursos para que as obras sejam implantadas. Falta regulamento que desburocratize os procedimentos, claro, sem deixar de garantir a transpar\u00eancia\u201d, afirmou Orlando Silva, para quem \u00e9 necess\u00e1ria a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema gerencial que acompanhe todas as a\u00e7\u00f5es da Copa e que permita que a sociedade tamb\u00e9m acompanhe os processos. \u201cTemos que conciliar agilidade, efici\u00eancia, transpar\u00eancia e controle. Se n\u00e3o, geram-se desgastes tanto para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica quanto para a opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, disse.<br \/>\nApesar de estipular que as obras para a Copa sejam iniciadas em 1\u00ba de mar\u00e7o (no m\u00e1ximo), o ministro dos Esportes disse ter alertado todas as cidades-sede sobre o risco de se realizar as obras de forma r\u00e1pida. \u201cA bola est\u00e1 com as cidades\u201d, afirmou o ministro.<br \/>\n\u201cPlanejar \u00e9 pensar antes\u201d<br \/>\nTamb\u00e9m presente ao painel, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva de S\u00e3o Paulo (Sinaenco-SP), Jos\u00e9 Roberto Bernasconi, defendeu a import\u00e2ncia do projeto executivo de engenharia e arquitetura, ou projeto completo detalhado, como ele mesmo definiu. \u201cO projeto completo \u00e9 o elemento essencial para conciliar agilidade, qualidade e controle nas obras p\u00fablicas\u201d, afirmou. \u201c\u00c9 preciso investir em planejamento. N\u00e3o \u00e9 perda de tempo, como alguns pensam. Planejar \u00e9 pensar antes\u201d.<br \/>\nDe acordo com Bernasconi, a partir de um planejamento s\u00e9rio \u00e9 f\u00e1cil executar uma obra, atendendo seus prazos e mantendo o or\u00e7amento. \u201cUm projeto completo contempla plantas, especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas dos materiais, quantitativos dos materiais, que ir\u00e3o embasar o or\u00e7amento, etc\u201d. Para ele, um projeto completo de engenharia significa compromisso com seguran\u00e7a e economicidade, al\u00e9m de maior durabilidade. Bernasconi defende que o ideal \u00e9 contratar o projeto um ano ou um ano e meio antes da previs\u00e3o do in\u00edcio da obra. \u201cIsso \u00e9 planejamento. Isso \u00e9 ser s\u00e9rio\u201d.<br \/>\nBernasconi completou que o planejamento come\u00e7a a partir do terreno, da sondagem. \u201cContratam sondagem por preg\u00e3o. Recebem-se sondagens falsas! Isso \u00e9 perigos\u00edssimo!\u201d, ressaltou, ao defender sua opini\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os de engenharia e arquitetura por meio de preg\u00e3o. \u201cQuando a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica contrata por preg\u00e3o, ela descumpre o princ\u00edpio da efici\u00eancia previsto na Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu.<br \/>\n\u201cN\u00e3o podemos chegar \u00e0 escolha entre qualidade e agilidade\u201d<br \/>\nNos mesmos moldes do presidente do Sinaenco-SP, Roberto Messias, presidente do Ibama, defende o planejamento e a qualidade dos projetos. \u201cSe o projeto \u00e9 de m\u00e1-qualidade, n\u00e3o podemos contratar\u201d, disse. Durante o painel, Messias defendeu que durante o planejamento da Copa n\u00e3o se pode chegar \u00e0 \u201cescolha de Sofia\u201d de ter que decidir entre qualidade e agilidade.<br \/>\nPara Messias, a Copa \u00e9 uma oportunidade de mostrar para os outros pa\u00edses que o Brasil sabe construir sem matar as esp\u00e9cies. \u201cVamos re-estruturar, \u2018re-engenheirar\u2019. Vamos fazer ambientes que ser\u00e3o impactados positivamente\u201d, afirmou. Para isso acontecer, defende o presidente do Ibama, \u00e9 preciso resgatar a cultura do planejamento. \u201cN\u00e3o est\u00e1 na nossa cultura trabalhar dentro do prazo estipulado\u201d, disse.<br \/>\nRe-estrutura\u00e7\u00e3o urbana<br \/>\nCom um ponto de vista de dentro do Sistema Confea\/Crea, o presidente do Crea-BA, Jonas Dantas, enfatizou o papel do profissional diante do evento da Copa do Mundo. De acordo com Dantas, os profissionais t\u00eam o papel de debater sobre a quest\u00e3o da sustentabilidade do espa\u00e7o urbano. \u201cA re-estrutura\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 motivada por grandes eventos. Esses grandes eventos s\u00e3o necess\u00e1rios, oportunos, trazem receitas, mas n\u00e3o s\u00e3o eles que devem pautar a agenda de desenvolvimento do pa\u00eds\u201d, defendeu. O presidente do Crea baiano ainda afirmou que o Sistema Confea\/Crea vai se organizar para contribuir nos debates das constru\u00e7\u00f5es dos est\u00e1dios, da mobilidade e da sustentabilidade econ\u00f4mica. \u201cN\u00f3s temos a responsabilidade de promover esse debate, para levar mobilidade, acessibilidade e qualidade de vida para a sociedade\u201d, afirmou.<br \/>\nOutro presidente de Crea presente ao painel foi Agostinho Guerreiro, que est\u00e1 \u00e0 frente do regional carioca. Na ocasi\u00e3o, ele explanou sobre o treinamento que o Crea-RJ promoveu sobre  diretrizes b\u00e1sicas para manuten\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o predial em est\u00e1dios de futebol, resultante de uma coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre Creas, Confea e Minist\u00e9rio dos Esportes. \u201c80 profissionais da \u00e1rea tecnol\u00f3gica foram treinados e ser\u00e3o cadastrados pelo Minist\u00e9rio dos Esportes para realizarem vistorias em est\u00e1dios de futebol\u201d, contou. A opini\u00e3o de Guerreiro quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da Copa \u00e9 de que os planejamentos de cada cidade-sede a respeito de transporte coletivo, infraestrutura, etc, ainda n\u00e3o est\u00e3o claros. \u201cNingu\u00e9m tenha d\u00favida de que a Copa vai acontecer e de que ser\u00e1 um bel\u00edssimo evento. A quest\u00e3o \u00e9: a que custo?\u201d, questionou o presidente do Crea-RJ diante do debate sobre transpar\u00eancia em obras p\u00fabilcas.<br \/>\n\u201cTeremos obras sem licita\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\nO diretor administrativo do Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras P\u00fablicas (Ibraop), Pedro Jorge Rocha de Oliveira, alertou para o fato de que, a dois anos da entrega das obras, os projetos da Copa ainda n\u00e3o est\u00e3o prontos. Na opini\u00e3o de Rocha de Oliveira, haver\u00e1 obras sem licita\u00e7\u00e3o e sem or\u00e7amento, feitas de \u00faltima hora. Para ele, uma maneira de evitar essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o profissional se conscientizar de seu papel \u00e9tico e n\u00e3o colocar seu nome em projetos mal feitos. \u201cValorizem seus nomes e suas profiss\u00f5es\u201d, afirmou.<br \/>\nO Ibraop congrega profissionais da engenharia e da arquitetura funcion\u00e1rios de tribunais de contas de todo o pa\u00eds. De acordo com o diretor administrativo do Instituto, o Estado negligencia o engenheiro e o arquiteto h\u00e1 tr\u00eas ou quatro d\u00e9cadas, terceirizando sua \u00e1rea t\u00e9cnica e contratando empresas de consultorias. \u201cHoje, os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00e3o de avaliar projetos e or\u00e7amentos de licita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 pessoal para planejamento, n\u00e3o h\u00e1 fiscais capacitados para fiscalizar obras rodovi\u00e1rias, n\u00e3o h\u00e1 pessoal capacitado nas comiss\u00f5es de licita\u00e7\u00e3o&#8230; Os \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o conseguem elaborar seus pr\u00f3prios editais de licita\u00e7\u00e3o. Dessa forma, fica imposs\u00edvel executar as obras eficientemente, principalmente com a falta da cultura de projetos completos\u201d, explicou, ao se referenciar \u00e0 palestra de Bernasconi, sobre a import\u00e2ncia do projeto de engenharia completo e detalhado. Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio trabalho redobrado para que n\u00e3o haja necessidade de deixar de lado processos licitat\u00f3rios. \u201cTemos que trabalhar dia e noite para concluirmos todas as etapas. N\u00e3o concordamos em pular etapas\u201d, defendeu.<br \/>\nBrasil prev\u00ea 500 mil turistas estrangeiros<br \/>\nDe acordo com estimativa do Minist\u00e9rio dos Esportes, o Brasil receber\u00e1 cerca de 500 mil visitantes estrangeiros durante a realiza\u00e7\u00e3o dos jogos da Copa do Mundo. Para o presidente da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o, Paulo Safady Sim\u00e3o, a Copa \u00e9 a oportunidade de o Brasil mostrar para o mundo suas marcas. \u201cN\u00e3o podemos deixar de criar uma marca Brasil. Temos que aproveitar esse pa\u00eds e projet\u00e1-lo. Por mais long\u00ednquo que isso pare\u00e7a, n\u00e3o podemos perder esse foco\u201d, disse. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, concorda que essa \u00e9 uma oportunidade de promo\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u201cSer\u00e3o 71 mil horas no ar em 500 redes de televis\u00e3o. \u00c9 a hora de mostrar que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds democr\u00e1tico, economicamente est\u00e1vel e moderno\u201d, afirmou o ministro.<br \/>\nAcessibilidade<br \/>\nTamb\u00e9m presente ao painel, a presidente do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia (Conade), Denise Costa Granja, pediu a todos os participantes especial aten\u00e7\u00e3o para a inclus\u00e3o das pessoas com necessidades especiais quando o assunto for infraestrutura urbana. \u201cPe\u00e7o que o item \u2018acessibilidade\u2019 seja sempre contemplado quando o Confea for cobrar transpar\u00eancia e \u00e9tica do Governo\u201d, ressaltou. Na oportunidade, o presidente do Confea, Marcos T\u00falio de Melo, assinou termo de ades\u00e3o \u00e0 Campanha Nacional de Acessibilidade do Conade, intitulada \u201cSiga essa ideia\u201d. A partir da assinatura, o Confea deve colaborar com a elabora\u00e7\u00e3o de programas para que portadores de defici\u00eancia possam ter plena utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos, al\u00e9m de procurar conceder visibilidade dos prop\u00f3sitos da campanha quando tiver oportunidades de relacionamento com a m\u00eddia.<br \/>\nBeatriz Leal<br \/>\nAssessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do Confea<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Copa do Mundo acontece em 2014, mas o Brasil j\u00e1 hospeda a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es em 2013. Com esse calend\u00e1rio, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, ressaltou o prazo que as cidades-sede dos jogos t\u00eam para apresentar as obras de est\u00e1dios e infraestrutura: 31 de dezembro de 2012. Para isso, o ministro estipula que as obras devam ser iniciadas at\u00e9 1\u00ba de mar\u00e7o pr\u00f3ximo. O assunto foi debatido no painel \u201cA execu\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas e a Copa de 2014: como conciliar agilidade, qualidade e controle\u201d, que ocorreu durante a tarde desta ter\u00e7a-feira (23\/2), no 5\u00ba Encontro de Lideran\u00e7as do Sistema Confea\/Crea.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29090","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29090\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}