{"id":29121,"date":"2010-07-29T10:53:13","date_gmt":"2010-07-29T10:53:13","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"exposicao-e-seminario-sobre-lucio-costa-destacam-papel-do-arquiteto-na-criacao-de-brasilia-29121","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/exposicao-e-seminario-sobre-lucio-costa-destacam-papel-do-arquiteto-na-criacao-de-brasilia-29121\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o e semin\u00e1rio sobre Lucio Costa destacam papel do arquiteto na cria\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>O evento re\u00fane os maiores especialistas do mundo no assunto. A oportunidade de conhecer um pouco mais (ou muito) sobre o &#8220;dono&#8221; do Plano Piloto surgiu com a exposi\u00e7\u00e3o Lucio Costa &#8211; arquiteto. As curvas do Museu da Rep\u00fablica tornaram-se a casa de Lucio Costa na cidade planejada por ele nos \u00faltimos meses. Um acervo completo de desenhos, rascunhos, v\u00eddeos e 19 maquetes conta a hist\u00f3ria do projetista do Plano Piloto ao visitante e ao mesmo tempo, inevitavelmente, mostra os passos do nascimento de Bras\u00edlia.<br \/>\nS\u00e3o dois andares do museu nos quais \u00e9 poss\u00edvel viajar nas ideias do arquiteto e urbanista e entender melhor por que Bras\u00edlia \u00e9 o que \u00e9 hoje. \u00c9 a quarta exposi\u00e7\u00e3o organizada pelas filhas de Lucio Costa para manter viva a mem\u00f3ria do pai. &#8220;A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dar voz ao Lucio. Fiquei impressionada com a recep\u00e7\u00e3o das pessoas. Elas ficam \u00e0 vontade, v\u00eam aqui para encontrar o Lucio. Antes, eu tinha a impress\u00e3o de que ele era um marciano para os brasilienses. Tinha vindo de Marte, deixado o Plano Piloto e ido embora. Agora, ele est\u00e1 mais pr\u00f3ximo&#8221;, afirmou Maria Helisa Costa, filha do urbanista. O local do evento, pr\u00f3ximo \u00e0 Rodovi\u00e1ria, tamb\u00e9m foi uma escolha pensada. &#8220;Queria atrair gente comum e n\u00e3o s\u00f3 intelectuais. Ter contato com a obra dele faz bem \u00e0 sa\u00fade.&#8221;<br \/>\nA inten\u00e7\u00e3o se concretizou. Pessoas de todos os estilos circulam pela exposi\u00e7\u00e3o. Na tarde de ontem, o morador de Ceil\u00e2ndia Breno Augusto do Nascimento, 22 anos, cozinheiro, tirava fotos da cidade para mostrar \u00e0 fam\u00edlia quando se deparou com Lucio Costa ? arquiteto. &#8220;S\u00f3 o conhecia por reportagens. Agora sei que fez muito pela capital. Trouxe um amigo comigo que n\u00e3o sabia nada sobre Lucio Costa nem tinha entrado no museu&#8221;, disse. De 13 de maio a ontem, foram mais de 92 mil visitantes interessados em mergulhar no universo do idealizador do Plano Piloto. Diante de tamanho interesse, o momento se tornou oportuno para reunir experts internacionais em arquitetura moderna brasileira, urbanismo e, consequentemente, em Lucio Costa.<br \/>\nLogo no come\u00e7o da palestra, um especialista revela ao espectador uma face do urbanista pouco conhecida pela maioria do p\u00fablico. Lucio Costa era um pensador. Assim como Gilberto Freyre e M\u00e1rio e Oswald de Andrade &#8211; de quem ele tem grandes influ\u00eancias -, o arquiteto desenvolveu estudos sobre o Brasil e o povo brasileiro. Ao contr\u00e1rio do que alguns pensadores defendiam amplamente \u00e0 \u00e9poca, Costa difundia a ideia de que as mazelas do Brasil n\u00e3o estavam relacionadas a quest\u00f5es raciais, mas \u00e0 pobreza. &#8220;Lucio estava afinado com o melhor da produ\u00e7\u00e3o de sua \u00e9poca. Gilberto Freyre cita um trecho do pensamento do urbanista em Casa grande e senzala&#8221;, relatou o primeiro palestrante, Lauro Cavalcanti, do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<br \/>\nAs explana\u00e7\u00f5es dos convidados s\u00e3o a porta para v\u00e1rias descobertas. Um chamado para o conhecimento mais aprofundado sobre o homem que criou o Plano Piloto em meio ao nada. Quando se fala em Bras\u00edlia ou em arquitetura moderna, o primeiro nome que vem \u00e0 cabe\u00e7a, muitas vezes, \u00e9 o de Oscar Niemeyer. Poucos sabem que Lucio Costa foi mentor de Niemeyer e o percursor desse segmento no Brasil. Em 1930, Lucio Costa passou pela Escola Nacional de Belas Artes e revolucionou o curr\u00edculo da institui\u00e7\u00e3o, formando uma nova escola. &#8220;O novo mundo n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 direita nem \u00e0 esquerda? Cabe ao esp\u00edrito se elevar para alcan\u00e7\u00e1-lo&#8221;, escreveu. O lema era preservar e renovar, tudo ao mesmo tempo.<br \/>\nMisturas de Bras\u00edlia<br \/>\nPara compor Bras\u00edlia &#8211; cidade planejada seguindo os princ\u00edpios do urbanismo moderno condensados na Carta de Atenas (1933)(1), &#8211; Lucio Costa fez uma mistura chamada por Cavalanti de &#8220;culin\u00e1ria antrop\u00f3faga&#8221;. Pensou nos gramados ingleses, no barroco franc\u00eas, em muros da China e na pureza de Diamantina (MG). Em busca de uma identidade brasileira, o arquiteto e urbanista estabeleceu o di\u00e1logo entre o moderno e o antigo. N\u00e3o via necessidade de rupturas com as tradi\u00e7\u00f5es. Alimentou-se do melhor de suas refer\u00eancias e criou algo totalmente novo. Sem imita\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&#8220;Nenhum dos admirados por ele criou uma cidade&#8221;, observa Maria Helisa. A filha ressalta as qualidades do trabalho do urbanista. &#8220;Meu pai n\u00e3o queria fazer algo com cara de moderno. Detestava a palavra modernista.&#8221; O resultado foi a Bras\u00edlia \u00fanica, que deixa \u00e0 mostra a linha do horizonte. Nem tudo saiu como planejado. \u00c9 preciso conhecer Bras\u00edlia para entend\u00ea-la. Talvez por isso, quem n\u00e3o \u00e9 daqui, de nascen\u00e7a ou de cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes estranhe a cidade. &#8220;Com os 50 anos de Bras\u00edlia, surge a oportunidade de reavaliar seu contexto original e fazer uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. O sentimento diante da hist\u00f3ria da cidade \u00e9 de vertigem. E se outro projeto tivesse sido escolhido, o que seria de Bras\u00edlia agora?&#8221;, questionou o historiador e autor do livro Lucio Costa, da Editora Cosac Naify, Guilherme Wisnik.<br \/>\nO pesquisador lembrou os concorrentes de Costa. Em um dos projetos de Bras\u00edlia que perdeu, havia at\u00e9 mesmo esteiras rolantes para pedestres nas ruas. &#8220;Hoje, quem nasceu aqui vive os privil\u00e9gios de trafegar com facilidade entre as escalas, acha tudo muito f\u00e1cil e desfruta da qualidade de vida incompar\u00e1vel. Mas o forasteiro se perde e reclama por isso. Bras\u00edlia \u00e9 diferente de tudo. Mas ao olhar com olhos desarmados, percebe-se que Bras\u00edlia j\u00e1 \u00e9 uma cidade quase normal e n\u00e3o mais o oposto do Brasil. A cidade \u00e9 como um animal vertebrado, cada parte faz sentido&#8221;, acredita.<br \/>\nMundo<br \/>\nAs aten\u00e7\u00f5es ao trabalho do urbanista v\u00e3o al\u00e9m do Brasil. Entre os palestrantes internacionais estavam Martino Tattara, representante do Bergale Institute (na Holanda), um dos organizadores do debate Far\u00e8s el-Dahdah, da Rice University, nos Estados Unidos, e filiado \u00e0 Casa de Lucio Costa, institui\u00e7\u00e3o mantida pela fam\u00edlia Costa. &#8220;Lucio Costa criou um novo vocabul\u00e1rio com as superquadras, a plataforma rodovi\u00e1ria, os eixos que se cruzam e deu novo sentido ao termo monumentalidade&#8221;, afirmou Tattara.<br \/>\nEm um ponto, todos os palestrantes concordaram: a Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, o ponto m\u00e1ximo da articula\u00e7\u00e3o entre os eixos e os setores centrais. O t\u00e9cnico do Iphan e pesquisador da UnB Eduardo Rossetti dedicou anos de estudo \u00e0 &#8220;rod\u00f4&#8221;, como \u00e9 chamada na intimidade. &#8220;Lucio Costa pensou a plataforma rodovi\u00e1ria com m\u00e1rmores, que ainda est\u00e3o l\u00e1. O mesmo material dos pal\u00e1cios&#8221;, disse.<br \/>\nA arquitetura do pr\u00e9dio do local de embarque e desembarque fascina. &#8220;Dependendo do \u00e2ngulo que voc\u00ea olhar, a Rodovi\u00e1ria n\u00e3o pode ser vista, desaparece. \u00c9 um n\u00e3o edif\u00edcio&#8221;, destacou Rossetti. \u00c9 o centro do calor humano. &#8220;A Rodovi\u00e1ria \u00e9 ponto de partida de v\u00e1rios destinos, todo dia. O polo de vitalidade urbana latente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma porta de chegada e sa\u00edda, mas de perman\u00eancia, com os servi\u00e7os essenciais que v\u00e3o da pol\u00edcia \u00e0 pastelaria. A Rodovi\u00e1ria \u00e9 um dos pontos fundamentais do DF agora e no futuro. \u00c9 a maior s\u00edntese urbana dessa cidade, o ponto onde todos os desafios se re\u00fanem&#8221;, acredita. &#8220;O cora\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia n\u00e3o \u00e9 elitista&#8221;, comentou outro pesquisador, Andr\u00e9 Corr\u00eaa, do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<br \/>\n1 &#8211; A Carta de Atenas<br \/>\nManifesto urban\u00edstico que surgiu como resultado das reflex\u00f5es do IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (Ciam), realizado em Atenas, Gr\u00e9cia, em 1933. O documento trata da chamada &#8220;cidade funcional&#8221;. Prega a separa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas residenciais, de lazer e de trabalho. Prop\u00f5e, em lugar da atmosfera pesada das cidades comuns, uma cidade jardim, na qual os edif\u00edcios se localizam em \u00e1reas verdes pouco densas. Esses preceitos influenciaram o desenvolvimento de algumas cidades europeias e do Plano Piloto.<br \/>\nSemin\u00e1rio internacional Lucio Costa &#8211; arquiteto<br \/>\nData: Hoje<br \/>\nLocal: Museu Nacional do Conjunto Cultural da Rep\u00fablica, Esplanada dos Minist\u00e9rios.<br \/>\nHor\u00e1rio: 10h \u00e0s 18h.<br \/>\nEntrada franca.<br \/>\nVagas: 100.<br \/>\nInforma\u00e7\u00f5es: <a href=\"mailto:luciocostaarquiteto@gmail.com\" class=\"autohyperlink\">luciocostaarquiteto@gmail.com<\/a><br \/>\nFonte: M\u00fatua Caixa de Assit\u00eancia aos Profissionais do CREA<br \/>\nAscom CREA-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia \u00e9 antropof\u00e1gica. Digere influ\u00eancias e delas faz nascer o novo. \u00c9 moderna e conservadora. N\u00e3o aceita ser uma coisa s\u00f3. N\u00e3o se resume. Quer ser tudo ao mesmo tempo: metr\u00f3pole e cidade do interior. Cidade p\u00e1ssaro e cidade parque. Lugar do bem-viver e da correria. Tem personalidade \u00fanica, sede de ser sempre mais. Tem pr\u00e9dios que n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e9dios, como a Rodovi\u00e1ria. Herdou essa voca\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria e encantadora de quem a planejou. Chegar a tal conclus\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel depois de assistir ao semin\u00e1rio internacional Lucio Costa &#8211; arquiteto, apresentado ontem (e que continua hoje) no Museu da Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29121","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29121"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29121\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}