{"id":29170,"date":"2011-03-11T08:39:36","date_gmt":"2011-03-11T08:39:36","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"procuram-se-profissionais-29170","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/procuram-se-profissionais-29170\/","title":{"rendered":"Procuram-se profissionais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>O bom momento evidencia ainda mais um cr\u00f4nico problema que acomete a ind\u00fastria de telecomunica\u00e7\u00f5es: faltam profissionais em todos os n\u00edveis e categorias, do lan\u00e7ador de fibra \u00f3ptica da rede externa ao engenheiro mais especializado.<br \/>\nProcuram-se engenheiros<br \/>\nEsse tipo de an\u00fancio \u00e9 comum nas p\u00e1ginas de classificados de empregos no Brasil. E nos pr\u00f3ximos anos ficar\u00e1 ainda mais. De acordo com estimativas da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), em 2012 haver\u00e1 150 mil vagas abertas para engenheiros (em todas as \u00e1reas) no pa\u00eds e n\u00e3o haver\u00e1 profissionais para preench\u00ea-las. Isso porque o pa\u00eds conta atualmente com 600 mil engenheiros registrados e forma outros 30 mil por ano, enquanto pa\u00edses como \u00cdndia e China formam, respectivamente, 300 mil e 400 mil por ano.<br \/>\nPara complicar ainda mais o quadro, o \u00edndice de evas\u00e3o dos cursos de engenharia no Brasil \u00e9 de 60%, um dos maiores do terceiro grau. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que pretende at\u00e9 lan\u00e7ar em 2011 um Plano Nacional Pr\u00f3-Engenharia. O objetivo do programa \u00e9 impulsionar a forma\u00e7\u00e3o de engenheiros no Brasil por meio de bolsas de perman\u00eancia para os estudantes a fim de dobrar, nos pr\u00f3ximos cinco anos, o n\u00famero de formados.<br \/>\nE, se j\u00e1 n\u00e3o bastasse o alto \u00edndice de evas\u00e3o universit\u00e1ria em engenharia, acontece uma segunda sangria de engenheiros formados, j\u00e1 no mercado de trabalho. Segundo Aloysio Byrro, chairman da Nokia Siemens Networks, esse \u00edndice de fuga \u00e9 da ordem de 80%. &#8220;S\u00e3o 35 mil formados por ano, dos quais s\u00f3 20%, ou 7 mil, seguem a carreira. Na China esse \u00edndice \u00e9 de 60%&#8221;, adverte. &#8220;A base estrat\u00e9gica do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es \u00e9 formada pelos engenheiros, e temos percebido uma crescente falta de interesse dos jovens por essa profiss\u00e3o e pela \u00e1rea de exatas como um todo&#8221;, comenta Byrro. &#8220;Al\u00e9m disso, h\u00e1 muitas faculdades de fachada, baixo n\u00edvel do corpo docente e de laborat\u00f3rios. Engenharia precisa de laborat\u00f3rio!&#8221;, acrescenta.<br \/>\nEspecialistas atribuem o baixo n\u00famero de formandos em engenharia ao per\u00edodo de aproximadamente 20 anos nos quais a economia brasileira praticamente se manteve estagnada, reduzindo a demanda por profissionais do setor. Al\u00e9m disso, boa parte dos engenheiros migram para outras atividades, com remunera\u00e7\u00e3o mais vantajosa, como o segmento financeiro.<br \/>\nHugo Val\u00e9rio, diretor da \u00e1rea de TI da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria El\u00e9trica e Eletr\u00f4nica (Abinee), faz uma an\u00e1lise ainda mais ampla do tema e diz que o desinteresse pela carreira de engenheiro tem raiz na inf\u00e2ncia do estudante, ainda no ensino fundamental. &#8220;Basta olhar para o ranking internacional que mede o conhecimento dos alunos em matem\u00e1tica. O Brasil est\u00e1 nas \u00faltimas coloca\u00e7\u00f5es&#8221;, adverte. O diretor se refere ao Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa), realizado em 2009 pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) com 470 mil estudantes de 15 anos em 65 pa\u00edses. O Brasil atingiu a 57\u00aa coloca\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica, com nota 386, abaixo do Uruguai (48\u00ba), Chile (49\u00ba), M\u00e9xico (50\u00ba) e, na Am\u00e9rica Latina, acima somente da Col\u00f4mbia (58\u00ba), Peru (63\u00ba) e Panam\u00e1 (64\u00ba). O conhecimento dos brasileiros na disciplina se mostrou similar ao de estudantes de pa\u00edses como Jord\u00e2nia e Alb\u00e2nia. O ranking \u00e9 liderado pela China, que obteve pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 600, seguida pelos asi\u00e1ticos Singapura (562), Hong Kong (555), Coreia do Sul (546) e Taiwan (543). &#8220;Estamos com defici\u00eancia no ensino de matem\u00e1tica desde o ensino fundamental. Faltam professores. O governo precisa investir a\u00ed&#8221;, diz Val\u00e9rio.<br \/>\nOutra condi\u00e7\u00e3o central, de acordo com Byrro, para se suprir a car\u00eancia de engenheiros no mercado de telecomunica\u00e7\u00f5es \u00e9 a desonera\u00e7\u00e3o do custo trabalhista. &#8220;Esse carga no Brasil atinge 100%, enquanto em pa\u00edses como os Estados Unidos \u00e9 de 8%. No Canad\u00e1, a cada d\u00f3lar investido h\u00e1 um d\u00f3lar de incentivo por parte do governo. N\u00e3o d\u00e1 para competir assim&#8221;, reclama.<br \/>\nProblema generalizado<br \/>\nN\u00e3o faltam apenas engenheiros no mercado de telecomunica\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m trabalhadores da base da pir\u00e2mide, de menor qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, por\u00e9m fundamentais para as operadoras de telecom, tanto na expans\u00e3o das redes metropolitanas quanto do backhaul e backbone.<br \/>\nSegundo H\u00e9lio Bampi, diretor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Abeprest, associa\u00e7\u00e3o que congrega as empresas instaladoras de redes externas do pa\u00eds, a falta de m\u00e3o-de-obra atinge toda a cadeia de implanta\u00e7\u00e3o de cabos \u00f3pticos. &#8220;Falta gente especializada no mercado, do meio-oficial de linha, ou aprendiz de lan\u00e7ador de fibras \u00f3pticas, at\u00e9 o lan\u00e7ador de cabo, passando pelo auxiliar de emenda de fibra, o emendador e o testador&#8221;, diz o diretor, que vivencia o problema diariamente por ser tamb\u00e9m presidente da Radiante, prestadora de servi\u00e7os que executa instala\u00e7\u00f5es de redes externas.<br \/>\nO principal motivo dessa car\u00eancia s\u00e3o os baixos sal\u00e1rios desses profissionais que, segundo Bampi, \u00e9 consequ\u00eancia das baixas margens dos contratos com as operadoras. De acordo com ele, os valores contratuais enxutos estabelecidos pelas operadoras t\u00eam gerado n\u00e3o s\u00f3 a escassez de profissionais, mas tamb\u00e9m a migra\u00e7\u00e3o de empresas do setor para outros segmentos de neg\u00f3cio, como seguran\u00e7a patrimonial, monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, log\u00edstica reversa, biodiesel e reciclagem. &#8220;N\u00e3o \u00e9 para menos: j\u00e1 atuamos em um mercado com poucos compradores e ainda por cima com pre\u00e7os os mais baixos poss\u00edveis, negocia\u00e7\u00f5es extensas e extenuantes, fica dif\u00edcil manter a boa remunera\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios, que tamb\u00e9m est\u00e3o indo para outros setores, como constru\u00e7\u00e3o civil e seguran\u00e7a patrimonial&#8221;, acrescenta.<br \/>\nSegundo o dirigente, o crescimento do contingente de profissionais das prestadoras de servi\u00e7os deveria ser de 13% ao ano at\u00e9 2014 para que sejam absorvidos todos os investimentos realizados neste per\u00edodo pelas operadoras. &#8220;Por isso, essa equa\u00e7\u00e3o precisa ser urgentemente resolvida, \u00e9 preciso haver uma repactua\u00e7\u00e3o financeira em patamares superiores para reter e atrair m\u00e3o-de-obra&#8221;, reclama.<br \/>\nO executivo comentou que durante tr\u00eas dias a Radiante chegou a realizar um trabalho de divulga\u00e7\u00e3o de 70 vagas de instaladores nas ruas de Curitiba, com panfletagem e ve\u00edculos com auto-falante. &#8220;Meu resultado foi p\u00e9ssimo, s\u00f3 tr\u00eas pessoas&#8221;, lamenta.<br \/>\nA diretora geral da AES Atimus, Teresa Vern\u00e1glia, tamb\u00e9m se mostra preocupada com a situa\u00e7\u00e3o. &#8220;O mercado est\u00e1 extremamente aquecido e faltam engenheiros e demais profissionais em todos os segmentos. Estamos ajudando na forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, juntamente com nossos prestadores de servi\u00e7os, n\u00e3o s\u00f3 para a forma\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m para a reten\u00e7\u00e3o e integridade f\u00edsica dos profissionais desse setor&#8221;, acrescenta.<br \/>\nO problema afeta at\u00e9 mesmo as grandes operadoras. A Telef\u00f4nica, por exemplo, tamb\u00e9m \u00e9 obrigada a fazer o treinamento interno de funcion\u00e1rios, mesmo os terceirizados, mas reconhece que mesmo assim falta m\u00e3o de obra no mercado.<br \/>\nEngenheiros importados<br \/>\nSe h\u00e1 escassez de engenheiros no Brasil, o mercado come\u00e7a a buscar novas formas de suprir essa car\u00eancia. Segundo dados da Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Imigra\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), entre 2008 e 2009 o n\u00famero de autoriza\u00e7\u00f5es concedidas a engenheiros estrangeiros saltou 27%, de 2.712 para 3.542. Entre janeiro e julho deste ano, a entrada de estrangeiros no Pa\u00eds j\u00e1 superou os n\u00fameros de 2008, com 2.804 autoriza\u00e7\u00f5es. O Brasil deve encerrar 2010 com a entrada de 4,8 mil engenheiros estrangeiros, um crescimento de 39% em compara\u00e7\u00e3o ao ano passado.<br \/>\nFonte: M\u00fatua Caixa de Assist\u00eancia dos Profissionais do Crea<br \/>\nAscom Crea-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escassez de m\u00e3o-de-obra especializada em telecomunica\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 novidade no Brasil. Nem mesmo a rela\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel entre a oferta e a demanda por servi\u00e7os, que complica ainda mais essa car\u00eancia. A novidade \u00e9 que fazia um bom tempo que o mercado brasileiro de telecom n\u00e3o terminava um ano de maneira t\u00e3o positiva e promissora do ponto de vista dos servi\u00e7os. Simultaneamente, vendas recordes em diversos segmentos, como TV por assinatura, 3G e fibra \u00f3ptica, leil\u00e3o da banda H e grandes fus\u00f5es, como as que envolvem a Portugal Telecom e Oi e a Telef\u00f4nica e Vivo. Sem falar nas grandes obras de infraestrutura que envolver\u00e3o o Plano Nacional de Banda Larga, a Copa do Mundo e os Jogos Ol\u00edmpicos no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29170","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29170\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}