{"id":29448,"date":"2012-06-21T11:13:29","date_gmt":"2012-06-21T11:13:29","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"confea-na-rio-20-debate-da-seguranca-alimentar-passa-pela-eficiencia-da-producao-agrotoxicos-agricultores-e-transgenia-29448","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/confea-na-rio-20-debate-da-seguranca-alimentar-passa-pela-eficiencia-da-producao-agrotoxicos-agricultores-e-transgenia-29448\/","title":{"rendered":"Confea na Rio+20: Debate da seguran\u00e7a alimentar passa pela efici\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o, agrot\u00f3xicos, agricultores e transgenia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not120621rio.jpg\" \/><br \/>\u201cPara os produtos internos, que n\u00e3o s\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o, a gente n\u00e3o tem o mesmo controle e o mesmo sistema que nos permitiriam um produto de melhor qualidade\u201d. Para Lagenbach, o problema principal \u00e9 o mal-uso de agrot\u00f3xicos na produ\u00e7\u00e3o. \u201cUma solu\u00e7\u00e3o seria a rastreabilidade. O produto teria que ter um c\u00f3digo de barras. Ao chegar ao consumidor, rastreia-se quem produziu. Al\u00e9m disso, deve haver an\u00e1lises regulares, de rotina (e n\u00e3o por projeto) sobre a situa\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos nos alimentos. Se encontrar algo fora das especifica\u00e7\u00f5es legais, o alimento \u00e9 destru\u00eddo e o produtor sofre preju\u00edzo. A\u00ed o produtor se adapta \u00e0s regras\u201d, defende. \u201cNo momento em que voc\u00ea tem um controle do produto final, eles entram na lei, n\u00e3o t\u00eam como sair\u201d.\u00a0O completo banimento do uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 totalmente invi\u00e1vel, segundo Lagenbach, que exemplifica: no caso de uma proibi\u00e7\u00e3o total dos agrot\u00f3xicos, a produ\u00e7\u00e3o cairia, grosso modo, em metade. \u201cIsso em um mundo que tem fome \u00e9 politicamente invi\u00e1vel. Uma morat\u00f3ria do agrot\u00f3xico n\u00e3o \u00e9 utilizada nem nos pa\u00edses onde isso j\u00e1 foi amplamente discutido, como Dinamarca e Su\u00e9cia\u201d, disse. \u00c9 a\u00ed que entra, lembra Lagenbach, o desafio tecnol\u00f3gico de se conseguir produzir formas mais suaves de agrot\u00f3xico.\u00a0A tecnologia agr\u00edcola, no entanto, vai al\u00e9m do ramo dos agrot\u00f3xicos. Para Paulo Paes de Andrade, professor de gen\u00e9tica molecular da Universidade Federal de Pernambuco e membro da CTNBio (Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o), h\u00e1 duas formas de se reduzir o impacto ambiental: aumento da produtividade em menor \u00e1rea plantada e redu\u00e7\u00e3o do impacto ambiental causado pelo manejo da cultura. \u201cA tecnologia entra nessas duas vertentes. Antigamente voc\u00ea tinha uma cultura de cinco toneladas por hectare, hoje voc\u00ea chega a 12. Isso significa tecnologia. Se a gente abandonar a tecnologia e voltar para a enxada, a humanidade morre de fome\u201d, afirma.\u201cA discuss\u00e3o de tecnologias, o interc\u00e2mbio de ideias sempre s\u00e3o bem-vindos. A partir do momento em que se consideram os profissionais da Agronomia e de outras Engenharias, Engenharia Ambiental principalmente, mostra-se que existe uma pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o da sociedade no intuito de solucionar esse desafio que \u00e9 alimentar a popula\u00e7\u00e3o cada vez crescente, cada vez maior demandadora de alimentos\u201d. Assim acredita Anderson Galv\u00e3o, representante no Brasil do International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA).\u00a0\u00a0Lideran\u00e7a em tecnologia agr\u00edcolaPara Galv\u00e3o, o Brasil \u00e9 o respons\u00e1vel por mostrar ao mundo que \u00e9 poss\u00edvel conciliar crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com respeito ao meio ambiente. \u201cO Brasil nos \u00faltimos dez anos praticamente dobrou sua produ\u00e7\u00e3o de milho em menos hectares, utilizando tecnologias de produ\u00e7\u00e3o mais eficientes. Ent\u00e3o, nosso entendimento a respeito dos caminhos e alternativas para conciliar crescimento da oferta de alimentos para popula\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis est\u00e1 diretamente ligado com o melhor uso das melhores tecnologias\u201d, afirma. Segundo ele, o Brasil \u00e9 hoje um dos pa\u00edses que consegue exportar tecnologia agr\u00edcola para Gana e outros pa\u00edses da \u00c1frica.J\u00e1 o professor da Universidade Federal de Pernambuco Paulo Andrade acredita que, por causa do Brasil, hoje o setor da agricultura \u00e9 t\u00e3o valorizado quanto a ind\u00fastria. \u201cO pa\u00eds sempre foi estimulado a ser um pa\u00eds industrial, mas nunca decolamos. N\u00f3s t\u00ednhamos uma popula\u00e7\u00e3o mal- instru\u00edda, havia muito imposto&#8230; De repente, o mundo come\u00e7ou a comer e o Brasil, dominando a tecnologia agr\u00edcola, evidentemente passou a ser um l\u00edder na coisa\u201d, contextualiza. Para ele, no entanto, n\u00f3s estamos atrasados no que tange \u00e0 biotecnologia. \u201cCom a regula\u00e7\u00e3o do jeito que est\u00e1, n\u00e3o tem jeito de avan\u00e7ar\u201d.Jule Adams,\u00a0 da Michigan University e integrante do Programa de Sistemas de Biosseguran\u00e7a do International Food Policy Researches Institute, concorda com Andrade: \u201cN\u00f3s temos no mundo agora o problema com o excesso de regula\u00e7\u00e3o. Quanto menor a regula\u00e7\u00e3o no mundo, maior \u00e9 a import\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es de pesquisas nacionais e p\u00fablicas\u201d, explica.Sobre a realidade brasileira de lideran\u00e7a no setor de tecnologia agr\u00edcola, o professor da UFRJ, Lagenbach, ressalta uma outra interpreta\u00e7\u00e3o. \u201cVemos, da C\u00fapula dos Povos at\u00e9 o Rio Centro, os p\u00fablicos muito diferentes, as situa\u00e7\u00f5es diferentes. Historicamente convivemos com produtores de diversos tamanhos: grandes, m\u00e9dios e pequenos. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma indica\u00e7\u00e3o de que os pequenos ou os grandes est\u00e3o desaparecendo. E, obviamente, o que interessa em termos de tecnologias para os grandes produtores n\u00e3o \u00e9 o mesmo que interessa para os pequenos\u201d, explica. Tal realidade abre espa\u00e7o para a diversidade de abordagens tecnol\u00f3gicas brasileiras no campo agr\u00edcola. Al\u00e9m disso, com a quantidade de pequenos agricultores, Lagenbach lembra que o Brasil ganha for\u00e7a no mercado de produtos org\u00e2nicos.\u00a0Transgenia\u201cDe nada adianta voc\u00ea pegar a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o de milho transg\u00eanico, extremamente sofisticada, e colocar num solo que n\u00e3o foi devidamente preparado ou plantar na \u00e9poca errada\u201d, exemplifica Anderson Galv\u00e3o, do ISAAA. Com este exemplo, Galv\u00e3o defende que a biotecnologia n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para os problemas, mas sim parte do pacote de tecnologias que, unidas, devem resolver o problema.O mesmo defende o bi\u00f3logo molecular belga Marc Van Montagu. \u201c\u00c9 muito mais do que os genes. N\u00f3s temos que de fato estudar melhor o maquin\u00e1rio inteiro e quais as aplica\u00e7\u00f5es das plantas transg\u00eanicas\u201d, afirmou em entrevista ao Confea. \u201cNo momento em que a popula\u00e7\u00e3o do mundo triplicou, quadruplicou, as solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o v\u00eam imediatamente, porque as plantas, a natureza e a evolu\u00e7\u00e3o existem para si mesmas e n\u00e3o para os benef\u00edcios dos seres humanos\u201d.\u00a0Fonte: Confea &#8211; Beatriz Leal e Augusto VianaAssessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do Confea e Ag\u00eancia do R\u00e1dio Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre a qualidade dos produtos que o Brasil exporta e a produ\u00e7\u00e3o que \u00e9 destinada para consumo interno. \u00c9 o que acredita o coordenador de um programa de pesquisa e manejo de risco da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tomaz Lagenbach, participante da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rio+20.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29448","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29448\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}