{"id":29470,"date":"2012-07-12T13:10:39","date_gmt":"2012-07-12T13:10:39","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"engenharia-florestal-profissao-do-seculo-xxi-29470","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/engenharia-florestal-profissao-do-seculo-xxi-29470\/","title":{"rendered":"Engenharia florestal : profiss\u00e3o do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not120712arvore300.jpg\" \/><br \/>Em 62 cursos espalhados pelo pa\u00eds, onde s\u00e3o formados todos os anos cerca de 1.500 novos engenheiros florestais, eles v\u00eam se aproximando gradualmente das demandas mais complexas de uma gest\u00e3o ambiental e de uma ind\u00fastria focadas no manejo sustent\u00e1vel e multidisciplinar de esp\u00e9cies nativas, deixando cada vez mais em segundo plano, ao menos na teoria, os reflorestamentos por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas como o eucalipto e o pinus, ou ainda as autoriza\u00e7\u00f5es de colheita florestal, que caracterizavam a atividade h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.Representa\u00e7\u00e3oNo Sistema Confea\/Crea, onde somam-se cerca de 11 mil registros, os profissionais conquistaram este ano a cria\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Especializada de Engenharia Florestal, aprovada pela Decis\u00e3o Plen\u00e1ria 724\/2012. A C\u00e2mara est\u00e1 em fase de implanta\u00e7\u00e3o. De acordo com o engenheiro florestal e chefe da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing do Confea, Jos\u00e9 Demetrius Vieira, as demandas da classe ter\u00e3o pela primeira vez voz no Conselho, inclusive na Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA, marcada para novembro). \u201cAcompanhamos as reuni\u00f5es da Rio + 20 e vamos tentar levar \u00e0 SOEA um programa definido para fortalecer as compet\u00eancias dos engenheiros florestais, como o manejo florestal, al\u00e9m de procurar orientar a fiscaliza\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds por meio de um arcabou\u00e7o legal constru\u00eddo em di\u00e1logo com a categoria\u201d, diz.A representa\u00e7\u00e3o da categoria se faz tamb\u00e9m por meio da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF), atualmente presidida pelo conselheiro do Crea-SC Gilberto Ferreti. Segundo ele, o atual quadro ainda \u00e9 insuficiente para atender \u00e0 demanda do pa\u00eds, crescente de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do setor. \u201cH\u00e1 cerca de 10 anos n\u00e3o possu\u00edamos a metade dos cursos atuais\u201d, considera. Ferreti atribui a exig\u00eancias do mercado, como a Certifica\u00e7\u00e3o Florestal, o crescimento desta demanda por profissionais.O presidente da SBEF ressalta que a maioria dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento ainda \u00e9 promovida pelas grandes empresas, p\u00fablicas e privadas, em torno das culturas de pinus e eucaliptos. \u201cIsto n\u00e3o significa que n\u00e3o existam trabalhos com outras culturas como a arauc\u00e1ria e outras nativas, por\u00e9m em menor volume e na maioria ligados a institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa que procuram integrar universidades e empresas\u201d.\u00a0Par\u00e2metrosA experi\u00eancia profissional da consultora de meio ambiente para ag\u00eancias internacionais Anna Fanzeres, e do assessor da Subsecretaria de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Fernando Castanheira Neto, com o monitoramento do servi\u00e7o florestal brasileiro acrescenta alguns par\u00e2metros \u00e0 discuss\u00e3o sobre a realidade da atividade. Os dois engenheiros florestais, respectivamente formados pela UFRRJ e UnB, descrevem os principais momentos que marcam a hist\u00f3ria da profiss\u00e3o.Coube a Navarro de Andrade, em 1904, a introdu\u00e7\u00e3o de eucaliptos, vindos da Austr\u00e1lia, para prover os dormentes das estradas de ferro do pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 30, \u00e9 estabelecida a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Produtores de Celulose, atendendo \u00e0 demanda por ind\u00fastrias de base que viriam a caracterizar a Era Vargas. A ordem era reservar para estes profissionais a tarefa de \u201cabastecer\u201d os mercados de celulose (fibra e papel) e de siderurgia (carv\u00e3o vegetal). N\u00e3o por acaso, at\u00e9 a d\u00e9cada de 60, estes profissionais eram reconhecidos como \u201cengenheiros de reflorestamento\u201d e, ainda, \u201cengenheiros silvicultores\u201d.A cria\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal (IBDF), em 1966, e, um ano antes, a publica\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal estabeleceram novos cen\u00e1rios para a atividade. \u201cO setor se tornou estrat\u00e9gico para os militares\u201d. Os primeiros cursos (h\u00e1 uma querela entre as universidades federais de Vi\u00e7osa (MG) e do Paran\u00e1 quanto a sua primazia) s\u00f3 surgiriam nos anos 70, quando \u00e9 criado o Fundo de Investimentos Setoriais Florestamento\/Reflorestamento (Fiset). \u00c9 dessa \u00e9poca tamb\u00e9m, de 1968, a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais.Fernando Castanheira, ex-diretor da SBEF, ressalta que o movimento ambientalista daquela d\u00e9cada promoveu novas refer\u00eancias, como a gest\u00e3o ambiental e o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico multidisciplinar. \u201cJ\u00e1 nos anos 80, a celulose de papel se mostrava preocupada com a melhor tecnologia, a ponto de a pr\u00f3pria ind\u00fastria desenvolver, no Sul e Sudeste, escolas de florestamento. O setor privado sempre foi mais fundamental, inclusive por interm\u00e9dio do capital internacional de grandes empresas, que identificavam no pa\u00eds vantagens como territ\u00f3rio, solo, luz\u201d, conta, apontando tamb\u00e9m o gradativo incremento da participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil organizada.Em seguida, passa-se \u00e0 etapa atual, em que a engenharia florestal identifica-se com o manejo sustent\u00e1vel, de acordo com as pr\u00e1ticas mais avan\u00e7adas em vigor no mundo, como o estudo da maior diversidade poss\u00edvel de esp\u00e9cies. \u201cO desafio da sustentabilidade flutua com outras demandas pol\u00edticas, como a minera\u00e7\u00e3o, a energia\u201d, pondera a consultora Anna Fanzeres.\u00a0 \u201cO manejo florestal cabe apenas ao engenheiro florestal\u201d, ressalta.Manejo e engenhariaEsse processo teve como marcos mais recentes, no pa\u00eds, a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama, em 1989), a cria\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Florestas (PNF, 2000, que deu origem ao atual Conselho Nacional de Florestas), a Lei de Gest\u00e3o de Florestas P\u00fablicas (Lei n\u00ba\u00a011.284\/2006), a cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (2006) e, por fim, a Resolu\u00e7\u00e3o 406\/2009 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama, sobre os par\u00e2metros t\u00e9cnicos do Plano de Manejo Florestal Sustent\u00e1vel).\u201cOs estados produtores adotaram regras em comum sobre a retirada da floresta, estabelecendo reservas legais para o manejo e gerando uma responsabiliza\u00e7\u00e3o comum maior\u201d, acrescenta Anna, esclarecendo que a atual pol\u00eamica sobre o C\u00f3digo Florestal, na verdade, n\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionada com a Engenharia Florestal porque ele se refere ao uso do solo, abrangendo florestas e outras formas de vegeta\u00e7\u00e3o. Hoje, ressalta, o arcabou\u00e7o legal que envolve a engenharia florestal preconiza que as florestas nativas podem ser concedidas para o manejo florestal, assim como doadas para comunidades extrativistas. \u201cMas o manejo hoje \u00e9 um licenciamento, n\u00e3o \u00e9 visto nem exercido como uma obra de engenharia. Se o engenheiro florestal n\u00e3o for valorizado, vamos enterrar o manejo florestal. E o Confea tem um papel fundamental para cortar na carne e mostrar a cara boa da engenharia florestal do pa\u00eds\u201d, destaca Fernando Castanheira.A atividade atua direta e indiretamente sobre \u00e1reas como a siderurgia, a constru\u00e7\u00e3o civil, a produ\u00e7\u00e3o de fibras e papel e ainda as ind\u00fastrias de embalagens e farmac\u00eautica.\u00a0 Em busca de investigar como se d\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, comunicativas e at\u00e9 mesmo culturais das popula\u00e7\u00f5es envolvidas nestes processos, a engenharia florestal se apresenta como uma das profiss\u00f5es mais importantes do novo mil\u00eanio. \u201cEla n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no campo, est\u00e1 em n\u00edvel de decis\u00e3o. A sociedade n\u00e3o entende ainda a import\u00e2ncia das florestas para o pa\u00eds, enquanto n\u00f3s procuramos tentar trazer uma linguagem nova para as pol\u00edticas de engenharia florestal, evoluindo para o conhecimento existente e para a inova\u00e7\u00e3o, inclusive para cobrar da ind\u00fastria o uso de dados t\u00e9cnicos por parte dos engenheiros e tamb\u00e9m cobrar, do profissional, a responsabilidade sobre suas decis\u00f5es e at\u00e9 mesmo para trazer a discuss\u00e3o do manejo florestal para a real, at\u00e9 para saber se ele \u00e9 vi\u00e1vel ou n\u00e3o\u201d, ressalta Anna Fanzeres.Fonte: ConfeaHenrique Nunes Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing do Confea<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e1lculo, Matem\u00e1tica, F\u00edsica, Qu\u00edmica&#8230; No\u00e7\u00f5es de Economia, Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, Direito, Sociologia, Sustentabilidade. Se essas disciplinas parecem ter pouca rela\u00e7\u00e3o com a Engenharia Florestal, saiba que n\u00e3o \u00e9 nem de longe o que acontece na realidade de quem estuda e de quem lida com a profiss\u00e3o, que comemora em 12 de julho sua data oficial. Atualmente, 15 mil profissionais esfor\u00e7am-se para dar ao pa\u00eds uma nova dimens\u00e3o desta atividade, que estaria, na verdade, mais pr\u00f3xima das especificidades t\u00e9cnicas das engenharias do que propriamente de antigas concep\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das florestas.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}