{"id":29566,"date":"2009-02-19T16:34:33","date_gmt":"2009-02-19T16:34:33","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"satelite-ira-mapear-emissoes-de-co2-do-planeta-29566","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/satelite-ira-mapear-emissoes-de-co2-do-planeta-29566\/","title":{"rendered":"Sat\u00e9lite ir\u00e1 mapear emiss\u00f5es de CO2 do planeta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil<br \/>\nA Nasa ir\u00e1 lan\u00e7ar na pr\u00f3xima segunda-feira (23) um sat\u00e9lite que ir\u00e1 medir as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em um n\u00edvel de detalhamento sem precedentes, ajudando na cria\u00e7\u00e3o de planos para mitigar o aquecimento global.<br \/>\nO Orbiting Carbon Observatory &#8211; OC O (Observat\u00f3rio Orbital do Carbono) ir\u00e1 mapear todo o planeta a mais de 700 quil\u00f4metros de altura, detalhando onde o di\u00f3xido de carbono (CO2) est\u00e1 sendo emitido e onde est\u00e1 sendo absorvido do ar.  A identifica\u00e7\u00e3o de tais fontes e sumidouros permitir\u00e1 entender como o carbono circula da terra para o ar e para o mar e volta novamente \u2013 um processo que ainda hoje \u00e9 mal compreendido.<br \/>\n\u201cN\u00f3s acreditamos que isto ir\u00e1 revolucionar nosso conhecimento sobre o ciclo do carbono\u201d, disse o qu\u00edmico atmosf\u00e9rico Charles Miller, do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o de Jatos, que projetou e opera o sat\u00e9lite.<br \/>\nNos \u00faltimos 250 anos, os n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono da atmosfera subiram 40%, passando de 280 partes por milh\u00e3o para mais de 380. Cientistas clim\u00e1ticos acreditam que o aumento da concentra\u00e7\u00e3o deste g\u00e1s, que segura o calor na atmosfera, seja o culpado pelo aumento nas temperaturas globais. A temperatura m\u00e9dia da Terra subiu 0,8\u00baC no \u00faltimo s\u00e9culo.<br \/>\nAs coisas poderiam ser pior se n\u00e3o fossem os chamados sumidouros de carbono, como os oceanos e as florestas. Cerca de 60% do CO2 emitido pelo homem tem sido absorvido para fora da atmosfera, por\u00e9m os cientistas n\u00e3o t\u00eam certeza onde est\u00e3o os principais respons\u00e1veis por este processo e o que determina a sua efici\u00eancia no decorrer do tempo.<br \/>\n\u201cO foco fundamental da miss\u00e3o do OCO s\u00e3o os sumidouros\u201d, disse o l\u00edder do projeto, David Crisp, f\u00edsico do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o de Jatos. \u201cSe n\u00f3s n\u00e3o podemos entender o processo que controla o ac\u00famulo de CO2 na atmosfera hoje, ser\u00e1 imposs\u00edvel fazer previs\u00f5es confi\u00e1veis de como o CO2 ir\u00e1 afetar o clima no futuro.\u201d<br \/>\nSegundo Crisp, coletar amostras de todo o planeta do ar que est\u00e1 no espa\u00e7o \u00e9 a melhor maneira de entender isso.<br \/>\nUm sistema com 100 censores de superf\u00edcie espalhados por todo o mundo j\u00e1 fornece medi\u00e7\u00f5es precisas do CO2, mas o cen\u00e1rio que o novo sat\u00e9lite ir\u00e1 exibir \u00e9 ainda mais completo. H\u00e1 poucas destas esta\u00e7\u00f5es na \u00c1frica, na Am\u00e9rica do Sul e outras partes nos pa\u00edses em desenvolvimento, o que significa que muito do planeta n\u00e3o est\u00e1 sendo monitorado.<br \/>\n\u201cNossas 100 esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o suficiente\u201d, diz Crisp. \u201cEu poderia colocar 100 esta\u00e7\u00f5es no Iowa (estado norte-americano aproximadamente do mesmo tamanho que o Cear\u00e1) e assim mesmo n\u00e3o seria suficiente para dizer o que est\u00e1 acontecendo por l\u00e1.\u201d<br \/>\nPrecis\u00e3o e frequ\u00eancia<br \/>\nO OCO ir\u00e1 medir o CO2 usando espectr\u00f4metros \u2013 instrumentos precisos que podem distinguir 17,5 mil cores diferentes em um espectro de luz vis\u00edvel. O princ\u00edpio para fazer esta medi\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente simples. Como toda mol\u00e9cula, o CO2 tem uma afinidade com certas cores da luz, ou comprimentos de ondas, que tem exatamente a mesma energia que faz a mol\u00e9cula vibrar ou girar em uma freq\u00fc\u00eancia especifica. Uma boa analogia s\u00e3o as ondas de r\u00e1dio que soam quando s\u00e3o sintonizadas em um canal espec\u00edfico.<br \/>\nSe voc\u00ea pudesse jogar uma luz atrav\u00e9s da atmosfera terrestre e ver como as diferentes cores que s\u00e3o sens\u00edveis ao CO2 respondem, esta informa\u00e7\u00e3o poderia ser usada para calcular quanto de g\u00e1s h\u00e1 naquele local. Fazendo isto com bastante precis\u00e3o e freq\u00fc\u00eancia permite observar mudan\u00e7as nos n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono no decorrer do tempo, o que \u00e9 o ponto-chave para identificar as fontes e sumidouros. O sat\u00e9lite far\u00e1 12 leituras por segundo e precisar\u00e1 distinguir os n\u00edveis de CO2 diferindo apenas 0,3%.<br \/>\nEncontrar as fontes e sumidouros \u00e9 um desafio tecnol\u00f3gico significativo. \u201cEsta \u00e9 a medida mais dif\u00edcil de rastrear um g\u00e1s que j\u00e1 se tentou fazer do espa\u00e7o e esta ser\u00e1 nossa miss\u00e3o: provar que isto realmente funciona\u201d, disse Crisp.<br \/>\nCoopera\u00e7\u00e3o internacional<br \/>\nA equipe de Crisp poder\u00e1 comparar com precis\u00e3o as leituras do OCO com as feitas nos sistemas terrestres e com o Sat\u00e9lite de Observa\u00e7\u00e3o de Gases do Efeito estufa do Jap\u00e3o (GOSAT), que ir\u00e1 acompanhar o OCO no espa\u00e7o em um m\u00eas. O GOSAT, lan\u00e7ado no dia 23 de janeiro, tamb\u00e9m utiliza a espectrometria para medir, na atmosfera, o CO2 e o metano, outro g\u00e1s do efeito estufa com potencial de aquecimento global 23 vezes maior que o CO2. O GOSAT ficar\u00e1 em \u00f3rbita por cinco anos, compartilhando seus dados com a Nasa e outras institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cA cada seis meses, as duas equipes estar\u00e3o juntas e vamos comparar anota\u00e7\u00f5es e ver como estamos indo\u201d, disse Crisp, que d\u00e1 boas vindas a coopera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO OCO mede apenas dois metros de altura por 0,90 cent\u00edmetros de largura e pesa cerca de 453 quilos. Uma vez em \u00f3rbita, ele ir\u00e1 se juntar a uma constela\u00e7\u00e3o de outros cinco sat\u00e9lites cient\u00edficos chamados A-Train, que re\u00fanem dados de nuvens, aeross\u00f3is, oz\u00f4nio e outros componentes da atmosfera. O A-Train vai de p\u00f3lo a p\u00f3lo, fazendo uma volta completa ao redor da Terra em 100 minutos.  A letra \u201cA\u201d refere-se a palavra \u201cafternoon\u201d, que significa per\u00edodo da tarde, isto porque os sat\u00e9lites est\u00e3o todos em \u00f3rbita sincronizada com o sol, ou seja, \u00e9 sempre 13h30 na superf\u00edcie terrestre sob ele n\u00e3o importa onde estiver.<br \/>\nAo todo, o OCO custou US$ 270 milh\u00f5es, incluindo desde a concep\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento, o lan\u00e7amento e a opera\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o da aeronave tem fundos para durar dois anos, mas se o telesc\u00f3pio produzir bons dados e forem encontrados financiadores, ela pode ser estendida.<br \/>\nFonte: Envolverde\/CarbonoBrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto da Nasa pretende rastrear com precis\u00e3o os pontos de lan\u00e7amento e os de absor\u00e7\u00e3o do principal g\u00e1s do efeito estufa, o que promete revolucionar o conhecimento sobre o ciclo do carbono<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29566\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}