{"id":29660,"date":"2020-10-07T10:06:12","date_gmt":"2020-10-07T10:06:12","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"desafios-nas-concessoes-florestais-em-curso-29660","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/desafios-nas-concessoes-florestais-em-curso-29660\/","title":{"rendered":"Desafios nas concess\u00f5es florestais em curso"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not1601942575.jpeg\" \/><br \/>Por: Prof. S\u00e9rgio Gon\u00e7alves<br \/>\nDoutor Ci\u00eancias do Ambiente \/\u00a0 Economia Ambiental<br \/>\nUniversidade Federal do Amazonas<br \/>\nDesafios\u00a0nas\u00a0concess\u00f5es\u00a0florestais em curso<br \/>\nFoi lan\u00e7ada no m\u00eas de setembro de 2020, pelo governo do estado do Amazonas, a forma de implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica, com fases e atividades que possibilitam as primeiras concess\u00f5es florestais em unidades de conserva\u00e7\u00e3o estaduais destinadas para esta atividade, al\u00e9m de em algumas glebas estaduais no Amazonas.<br \/>\nN\u00e3o se trata ainda de um programa, mas confesso que fiquei bastante otimista e confiante com o lan\u00e7amento desta, considerando que h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada tem-se discutido esse assunto, sem que ocorresse uma tomada de decis\u00e3o t\u00e3o objetiva, ficando bastante claro que o caminho \u00e9 esse, mas h\u00e1 o reconhecimento que o mesmo \u00e9 longo, requer estudos preliminares at\u00e9 que se conquiste o \u00eaxito.<br \/>\nAp\u00f3s certo tempo, ouvi coment\u00e1rios em redes sociais que me fizeram perceber que ainda existe confus\u00e3o sobre este tema, tornando-se fundamental uma abordagem sobre o mesmo para evitar interpreta\u00e7\u00f5es que nada tem a ver com os objetivos, princ\u00edpios e restri\u00e7\u00f5es em torno de concess\u00f5es de florestas p\u00fablicas.<br \/>\nEm primeiro lugar a concess\u00e3o florestal \u00e9 um instrumento econ\u00f4mico e permite a empresas e comunidades o direito de manejar florestas p\u00fablicas, para produzir madeira, produtos n\u00e3o madeireiros ou oferecer servi\u00e7os de turismo. N\u00e3o h\u00e1 transfer\u00eancia de dominialidade da terra e, em contrapartida ao direito de praticar o uso sustent\u00e1vel das florestas concedidas, os concession\u00e1rios pagam ao governo por usar esse recurso. Ou seja, o pano de fundo \u00e9 a oportunidade de se intensificar as atividades de manejo florestal por meio de aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas para a retirada espec\u00edfica de certas \u00e1rvores ou outros produtos, garantindo a perman\u00eancia da cobertura florestal da \u00e1rea, conservando a biodiversidade e garantindo a\u00a0 produ\u00e7\u00e3o futura, por gera\u00e7\u00f5es.\u00a0<br \/>\nLogo, no contexto aqui apresentado, essa iniciativa constitui-se na mais importante ferramenta de promo\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o florestal por meio do manejo florestal sustent\u00e1vel no Amazonas, sendo que as \u00e1reas objeto de concess\u00e3o continuam sendo p\u00fablicas.<br \/>\nPosto dessa forma, observa-se o aspecto estrat\u00e9gico das concess\u00f5es bem conduzidas, assim como\u00a0 a governan\u00e7a que o processo exige, para garantir os benef\u00edcios de conserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 apresentados. As concess\u00f5es florestais podem contribuir para a\u00a0 interioriza\u00e7\u00e3o da economia por meio da produ\u00e7\u00e3o florestal em escala, inibir o desmatamento e grilagem de terras e potencializar atividades em \u00e1reas estaduais ainda n\u00e3o destinadas (glebas). Os benef\u00edcios s\u00e3o repartidos entre governo, munic\u00edpio e comunidades, item inclusive que ainda precisa ser regulamentado no estado do Amazonas.<br \/>\nParticularmente, essa \u00e9 uma boa oportunidade de cria\u00e7\u00e3o de modelos pr\u00f3prios de concess\u00e3o, que poderiam ter por diretriz, por exemplo, modelo empresarial de grande porte, modelo empresarial de m\u00e9dio porte e modelo comunit\u00e1rio, para estimular o manejo em pequena escala, mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio modelar cen\u00e1rios estrat\u00e9gicos de concess\u00e3o para cada \u00e1rea selecionada.<br \/>\n\u00c9 certo que nem tudo s\u00e3o flores, j\u00e1 que temos a\u00ed uma atividade econ\u00f4mica como qualquer outra,\u00a0 sujeita a riscos e que necessita de\u00a0 medidas preventivas. Um deles \u00e9 que a an\u00e1lise de viabilidade econ\u00f4mica deve ter como base um invent\u00e1rio florestal bem planejado e conduzido\u00a0 para uma estimativa confi\u00e1vel da capacidade produtiva da floresta, em termos de\u00a0 esp\u00e9cies comerciais e potenciais. Por tratar-se de um neg\u00f3cio, os procedimentos adotados devem tornar o modelo seguro, r\u00e1pido, pouco oneroso e o menos burocr\u00e1tico poss\u00edvel, o que leva \u00e0 necessidade de se criar protocolos de converg\u00eancia das partes interessadas. \u00c9 amplo o consenso de que os projetos florestais precisam ter sustenta\u00e7\u00e3o financeira, mas o modelo atual praticado em outros Estados tende a alavancar \u00e1gios que podem comprometer a sa\u00fade financeira do projeto no longo prazo, sendo necess\u00e1rio revis\u00f5es peri\u00f3dicas para ajustes dos par\u00e2metros t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos. Podemos melhorar o processo no Amazonas, com base nas experi\u00eancias federal e de outros estados.<br \/>\nPor \u00faltimo, destaco a capacidade das concess\u00f5es florestais na gera\u00e7\u00e3o de empregos. De acordo com estudo realizado por Bomfim et al. (2016), o potencial da concess\u00e3o de florestas p\u00fablicas para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico e gera\u00e7\u00e3o de emprego na Amaz\u00f4nia legal \u00e9 bastante expressivo. Estima-se que o programa de concess\u00f5es florestais somente no Amazonas quando em plena atividade, poder\u00e1 gerar perto de 24 mil empregos (diretos e indiretos). Por outro lado, afirmo que os arranjos produtivos em muitos munic\u00edpios com potenciais de concess\u00e3o florestal ainda s\u00e3o fr\u00e1geis, retrato de um setor florestal desestruturado, de modo que existe a real possibilidade que os empregos gerados n\u00e3o oportunizem na sua totalidade a m\u00e3o de obra local, caso um amplo programa de capacita\u00e7\u00e3o e treinamento n\u00e3o venha como suporte a essas demandas futuras, assim como a manuten\u00e7\u00e3o da cadeia de suprimentos que a atividade florestal exige.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo escrito por S\u00e9rgio Gon\u00e7alves, Professor na Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Ci\u00eancias do Ambiente \/ Economia Ambiental<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}