{"id":29853,"date":"2009-04-15T08:35:40","date_gmt":"2009-04-15T08:35:40","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"estrada-no-am-da-prejuizo-diz-novo-estudo-29853","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/estrada-no-am-da-prejuizo-diz-novo-estudo-29853\/","title":{"rendered":"Estrada no AM d\u00e1 preju\u00edzo, diz novo estudo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>A an\u00e1lise independente da obra de interesse do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), leva a assinatura da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Conserva\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica. Trata-se do bra\u00e7o Brasileiro da americana Conservation Strategy Fund (CSF), especializada em estudos de racionalidade econ\u00f4mica de projetos que afetem o ambiente. A BR-319 corta uma \u00e1rea de floresta amaz\u00f4nica muito preservada e tida como de alto valor em biodiversidade. Por causa da alta pluviosidade, tem baixo potencial para agropecu\u00e1ria. A pavimenta\u00e7\u00e3o de rodovias na Amaz\u00f4nia, contudo, atrai migrantes e assentamentos rurais &#8211; e tamb\u00e9m grilagem de terras, extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da madeira, pecu\u00e1ria e desmatamento.<br \/>\nA avalia\u00e7\u00e3o anterior, que apontava preju\u00edzo ainda maior (R$ 10,5 bilh\u00f5es em 20 anos), consta do estudo de impacto ambiental que ser\u00e1 objeto neste m\u00eas de audi\u00eancias p\u00fablicas. O primeiro estudo foi feito pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e conclui que a interven\u00e7\u00e3o do Estado poderia reduzir em 95% o desmatamento induzido pela estrada.<br \/>\nO projeto or\u00e7ado em R$ 557 milh\u00f5es consiste na repavimenta\u00e7\u00e3o de um trecho de 405 km no Estado do Amazonas e na constru\u00e7\u00e3o de quatro pontes. Aberta pelo Ex\u00e9rcito em 1973, a rodovia s\u00f3 \u00e9 transit\u00e1vel hoje perto de Manaus e Porto Velho. A parte central encontra-se abandonada desde 1986.<br \/>\n&#8220;A BR-319 \u00e9 a \u00fanica liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria entre os Estados do Amazonas e de Roraima rumo ao Centro-Sul do pa\u00eds&#8221;, justifica o Minist\u00e9rio dos Transportes, por sua assessoria de imprensa. &#8220;Essa rodovia \u00e9 parte de importante corredor de transporte sul-americano, que conecta o Brasil aos portos do Pac\u00edfico.&#8221;<br \/>\nO relat\u00f3rio ainda in\u00e9dito da CSF, intitulado &#8220;Efici\u00eancia Econ\u00f4mica, Riscos e Custos Ambientais da Reconstru\u00e7\u00e3o da Rodovia BR-319&#8221;, afirma que n\u00e3o existe estudo oficial demonstrando que os benef\u00edcios da obra compensar\u00e3o seus custos, como seria obrigat\u00f3rio em projetos de grande porte. A an\u00e1lise pr\u00e9via de viabilidade econ\u00f4mica, nesses casos, deve ser submetida \u00e0 Comiss\u00e3o de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o do Plano Plurianual (CMA).<br \/>\nObras do PAC, por\u00e9m, est\u00e3o fora da al\u00e7ada da CMA. O Minist\u00e9rio dos Transportes alega que a exig\u00eancia de estudo de viabilidade se aplica s\u00f3 a novas rodovias e que a BR-319 n\u00e3o se enquadra nela por ter sido constru\u00edda na d\u00e9cada de 1970.<br \/>\nNo primeiro cen\u00e1rio montado pela CSF entrou s\u00f3 a an\u00e1lise econ\u00f4mica convencional de projetos de infraestrutura. Nessa pondera\u00e7\u00e3o, coteja-se o investimento no projeto com os benef\u00edcios esperados, como a economia de tempo por produtores e passageiros e de dinheiro com fretes e passagens. O estudo segue metodologia sugerida pelo Banco Mundial.<br \/>\nEstima-se, por exemplo, que quase 50 mil pessoas optariam por fazer de \u00f4nibus viagens entre Porto Velho ou Rio Branco e Manaus, e n\u00e3o de avi\u00e3o. A diferen\u00e7a poupada nas tarifas vai computada como benef\u00edcio.<br \/>\nC\u00e1lculo similar \u00e9 realizado para cargas. De acordo com a CSF, o transporte fluvial permaneceria 66% mais barato que o uso de caminh\u00f5es na BR-319 pavimentada, ainda que neste caso o tempo de trajeto ficasse reduzido em 44%.<br \/>\nTrinta e tr\u00eas centavos<br \/>\nFeitas as contas, o saldo do empreendimento seria negativo em R$ 315 milh\u00f5es. S\u00f3 33 centavos de benef\u00edcios decorreriam de cada real investido.<br \/>\nO segundo cen\u00e1rio, que inclui custos ambientais, \u00e9 ainda mais desfavor\u00e1vel \u00e0 obra. O relat\u00f3rio serviu-se de proje\u00e7\u00f5es anteriores do grupo de Britaldo Soares-Filho na Universidade Federal de Minas Gerais, para estimar o desmatamento induzido pela BR-319 recuperada: 4 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 o ano 2030 (ou 40 mil km22, quase o territ\u00f3rio do Rio de Janeiro), ou 210 mil hectares\/ano.<br \/>\nCada hectare de floresta estoca cerca de 150 toneladas de carbono, que em caso de desmatamento termina na atmosfera e contribui para agravar o efeito estufa. O passo seguinte foi calcular o valor desse estoque, em cr\u00e9ditos de carbono, para comput\u00e1-lo como preju\u00edzo -uma vez que sua destrui\u00e7\u00e3o impediria a comercializa\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos correspondentes no mercado internacional. Saldo: at\u00e9 R$ 2,2 bilh\u00f5es de perda.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se custo do carbono emitido for computado, obra do PAC fica deficit\u00e1ria em R$ 2,2 bi; desmatamento equivale a 1 Estado do Rio em 30 anos. De qualquer \u00e2ngulo que se contemple, a recupera\u00e7\u00e3o da rodovia BR-319 &#8211; a Manaus-Porto Velho, uma obra do PAC- \u00e9 mau neg\u00f3cio. A conclus\u00e3o est\u00e1 em um novo estudo de custo\/benef\u00edcio, o segundo a condenar a estrada, que prev\u00ea preju\u00edzo m\u00ednimo de R$ 315 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 25 anos. Na pior hip\u00f3tese, o saldo negativo chegaria a R$ 2,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-29853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29853\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}