{"id":30323,"date":"2010-09-02T14:20:31","date_gmt":"2010-09-02T14:20:31","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"energia-brasil-desperdica-potencial-eolico-e-solar-30323","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/energia-brasil-desperdica-potencial-eolico-e-solar-30323\/","title":{"rendered":"Energia: Brasil desperdi\u00e7a potencial e\u00f3lico e solar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>Estudos mostram que h\u00e1 um enorme potencial ainda n\u00e3o aproveitado em energia e\u00f3lica e solar no Pa\u00eds, que poderia substituir os 10% que ainda s\u00e3o gerados em usinas nucleares e termel\u00e9tricas poluentes, movidas a combust\u00edveis f\u00f3sseis. Transformar esse potencial natural em capacidade instalada e produ\u00e7\u00e3o de fato, por\u00e9m, exige superar uma s\u00e9rie de gargalos econ\u00f4micos, tecnol\u00f3gicos, log\u00edstico e regulat\u00f3rios. At\u00e9 2019, pelo menos, a previs\u00e3o da EPE \u00e9 que o perfil da matriz energ\u00e9tica brasileira como um todo n\u00e3o mudar\u00e1 substancialmente.<br \/>\n&#8220;O carro chefe continuar\u00e1 a ser a energia hidrel\u00e9trica. As outras renov\u00e1veis v\u00e3o crescer pouco a pouco&#8221;, prev\u00ea o diretor da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel), Nelson Hubner. A energia e\u00f3lica, apesar da participa\u00e7\u00e3o pequena em compara\u00e7\u00e3o a outras fontes, j\u00e1 aparece como uma ind\u00fastria bem consolidada, economicamente competitiva e capaz de andar com as pr\u00f3prias pernas, segundo ele &#8211; sem depender de incentivos do governo. Ainda assim, nunca deixar\u00e1 de ser uma fonte &#8220;complementar&#8221;, afirma Hubner.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel imaginar que em 2030, ou at\u00e9 2050, o Brasil ser\u00e1 um pa\u00eds s\u00f3 de energias renov\u00e1veis. A transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida assim&#8221;, diz o especialista em planejamento energ\u00e9tico Roberto Schaeffer, da Coppe-UFRJ. No caso espec\u00edfico da e\u00f3lica, segundo ele, mesmo que o potencial seja grande, &#8220;v\u00e1rios estudos mostram que a energia e\u00f3lica n\u00e3o pode representar mais do que 20% ou 30% da matriz energ\u00e9tica de um pa\u00eds&#8221;, na melhor das hip\u00f3teses. Um dos problemas \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de energia flutua literalmente ao sabor dos ventos, tornando o fornecimento menos confi\u00e1vel do que o de uma fonte t\u00e9rmica ou hidr\u00e1ulica. Na Alemanha, diz Schaeffer, para cada 100 MW contratados de energia e\u00f3lica, o sistema enxerga como se fossem apenas 5 MW. &#8220;\u00c9 preciso haver uma redund\u00e2ncia, caso pare de ventar. E essa redund\u00e2ncia custa caro.&#8221;<br \/>\nEconomicamente, o vento brasileiro j\u00e1 concorre de igual para igual com a biomassa e outras fontes t\u00e9rmicas. Tanto que no \u00faltimo leil\u00e3o de energias renov\u00e1veis, realizado na semana passada, a energia e\u00f3lica foi a grande vencedora, com 899 MW m\u00e9dios contratados, versus 190 MW de biomassa e 70 MW de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas. Mas n\u00e3o concorre ainda com a pot\u00eancia da \u00e1gua de grandes usinas. Para gerar a mesma quantidade de energia que ser\u00e1 produzida pela hidrel\u00e9trica de Belo Monte, por exemplo, seria necess\u00e1rio instalar 700 km de torres aerogeradoras (moinhos) enfileiradas, e o custo da energia produzida seria bem maior, segundo Hubner.<br \/>\nAt\u00e9 o fim do ano passado, havia 36 parques e\u00f3licos em funcionamento no Pa\u00eds, gerando 602 MW, segundo um documento da Aneel. O Plano Nacional de Energia previa a adi\u00e7\u00e3o de 6.300 MW desse tipo de energia at\u00e9 2030, comparado ao que existia em 2005.<br \/>\nPara o pesquisador Sergio Colle, coordenador dos Laborat\u00f3rios de Engenharia de Processos de Convers\u00e3o e Tecnologia de Energia (Lepten), da Universidade Federal de Santa Catarina, o Brasil poderia ser muito mais ambicioso no aproveitamento de seu potencial e\u00f3lico. N\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista da sustentabilidade energ\u00e9tica, mas tamb\u00e9m do desenvolvimento tecnol\u00f3gico e industrial. &#8220;Enquanto a gente fala em 3 GW, a China projeta 30 GW&#8221;, compara. &#8220;O Brasil n\u00e3o pode se dar ao luxo de ficar de bra\u00e7os cruzados e desperdi\u00e7ar as oportunidades, s\u00f3 porque nasceu no ?ber\u00e7o espl\u00eandido? das hidrel\u00e9tricas e da biomassa. N\u00e3o pode se omitir de investir em outras tecnologias renov\u00e1veis.&#8221;<br \/>\nDESPERD\u00cdCIO SOLAR<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior no caso da energia solar. &#8220;H\u00e1 uma completa omiss\u00e3o do governo sobre essa tecnologia&#8221;, afirma Colle. O aproveitamento \u00e9 irris\u00f3rio, tanto para aquecimento de \u00e1gua quanto para gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, e a produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 baseada em tecnologias ultrapassadas. &#8220;A ind\u00fastria nacional produz cerca de 800 mil m\u00b2 de coletores solares planos baseados em concep\u00e7\u00f5es primitivas, copiadas dos primeiros coletores solares da d\u00e9cada de 20&#8221;, diz Colle. &#8220;Estamos na idade da pedra polida em desenvolvimento tecnol\u00f3gico de energia solar.&#8221;<br \/>\nO potencial, por outro lado, \u00e9 enorme. Pa\u00eds de maior extens\u00e3o territorial nos tr\u00f3picos, o Brasil \u00e9 &#8220;aben\u00e7oado&#8221; n\u00e3o apenas com muita \u00e1gua, mas tamb\u00e9m com muito sol. Para se ter uma ideia, o pesquisador Enio Bueno Pereira, do Centro de Previs\u00e3o de Tempo e Estudos Clim\u00e1ticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), faz a seguinte compara\u00e7\u00e3o: se a \u00e1rea do reservat\u00f3rio da usina hidrel\u00e9trica de Balbina (2.360 km2), no Amazonas, fosse coberta de pain\u00e9is fotovoltaicos, a energia gerada (cerca de 500 TWh\/ano) seria suficiente para atender todo o consumo nacional de energia el\u00e9trica (cerca de 455 TWh\/ano). &#8220;N\u00e3o proponho que isso seja feito, mas \u00e9 uma boa ilustra\u00e7\u00e3o do potencial dessa tecnologia&#8221;, explica ele.<br \/>\nUm problema \u00e9 o pre\u00e7o. A eletricidade solar ainda \u00e9 uma energia relativamente cara, tornando um empreendimento deste porte proibitivo economicamente. O que n\u00e3o significa que ela n\u00e3o possa ter um papel estrat\u00e9gico no desenvolvimento sustent\u00e1vel da matriz energ\u00e9tica nacional. A estrat\u00e9gia mais simples, prop\u00f5e Pereira, seria disseminar o uso de pain\u00e9is solares em telhados para uso dom\u00e9stico, como forma de reduzir a demanda sobre o sistema e, assim, liberar mais energia para uso industrial, especialmente nos hor\u00e1rios de pico.<br \/>\nEventualmente, assim como fazem as usinas de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool com a cogera\u00e7\u00e3o de bioeletricidade do baga\u00e7o de cana, os produtores dom\u00e9sticos de energia solar poderiam vender o excedente de sua gera\u00e7\u00e3o para o sistema integrado, afirma Pereira. Ele e outros pesquisadores da \u00e1rea defendem firmemente a cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de regulamenta\u00e7\u00e3o que incentive o uso da energia solar, tanto na ind\u00fastria quanto nos domic\u00edlios. &#8220;Se o governo n\u00e3o der incentivo, essa tecnologia n\u00e3o vai decolar nunca&#8221;, afirma Pereira. &#8220;O custo inicial n\u00e3o \u00e9 competitivo. S\u00f3 fica competitivo quando aumenta o n\u00famero de usu\u00e1rios e h\u00e1 demanda garantida, como aconteceu com a e\u00f3lica.&#8221;<br \/>\n&#8220;Se houver um compromisso de compra, a ind\u00fastria vir\u00e1 para c\u00e1, com certeza&#8221;, refor\u00e7a o pesquisador Ricardo Ruther, da Universidade Federal de Santa Catarina e diretor t\u00e9cnico do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Alternativas na Am\u00e9rica Latina (Ideal). Em algumas regi\u00f5es, diz ele, a energia solar poderia se tornar competitiva j\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos. &#8220;Os custos est\u00e3o caindo e vai chegar um momento, ainda nesta d\u00e9cada, em que instalar um telhado solar e gerar sua pr\u00f3pria eletricidade ser\u00e1 mais barato do que comprar energia das concession\u00e1rias&#8221;, diz. &#8220;Quando esse momento chegar, o cidad\u00e3o tem de ter o direito de optar pela alternativa mais barata. S\u00f3 que, hoje, o consumidor n\u00e3o pode se conectar diretamente \u00e0 rede. O governo tem de criar a regulamenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que isso aconte\u00e7a.&#8221;<br \/>\nFonte: M\u00fatua Caixa de Assist\u00eancia dos Profissionais do CREA<br \/>\nAscom CREA-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior problema que o Brasil enfrenta para limpar sua matriz el\u00e9trica \u00e9 que ela j\u00e1 \u00e9, essencialmente, limpa &#8211; criando uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel que reduz a press\u00e3o por investimento em novas tecnologias. Quase 90% da eletricidade produzida no Pa\u00eds em 2009 veio de fontes renov\u00e1veis &#8211; principalmente hidr\u00e1ulica (83,7%), biomassa (5,9%), e uma pequena participa\u00e7\u00e3o de e\u00f3lica (0,3%), segundo dados da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), do Minist\u00e9rio de Minas e Energia.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-30323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30323\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}