{"id":30493,"date":"2011-02-08T10:59:23","date_gmt":"2011-02-08T10:59:23","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"estudo-tenta-prever-enchentes-e-deslizamentos-em-areas-de-risco-30493","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/estudo-tenta-prever-enchentes-e-deslizamentos-em-areas-de-risco-30493\/","title":{"rendered":"Estudo tenta prever enchentes e deslizamentos em \u00e1reas de risco"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>&#8220;A natureza fornece muitas pistas para entendermos como seus componentes funcionam. Podemos calcular chances de certas \u00e1reas sofrerem inunda\u00e7\u00f5es a partir de v\u00e1rias marcas que ficam com o tempo. Durante as cheias, por exemplo, a \u00e1gua deixa sinais nas \u00e1rvores, o que evidencia a dimens\u00e3o da cheia em per\u00edodos anteriores. O desabamento de encostas tamb\u00e9m pode ser analisado, com a descoberta de sedimentos que foram transportados pelas \u00e1guas. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel combinarmos os trabalhos de bot\u00e2nica, geologia e engenharia para entender como o meio ambiente funciona e, assim, chegar at\u00e9 probabilidades mais concretas e confi\u00e1veis&#8221;, explica Wilson.<br \/>\nO mapeamento das \u00e1reas de risco e a defini\u00e7\u00e3o de cada curso de \u00e1gua podem ajudar no trabalho das defesas civis na preven\u00e7\u00e3o de trag\u00e9dias. Munic\u00edpios com maior tend\u00eancia de sofrer com as enchentes e deslizes de terras, quando avisados das fortes chuvas, podem se organizar e retirar os moradores que correm risco de morte.<br \/>\n&#8220;Os dados de vaz\u00e3o dos rios permitem c\u00e1lculos precisos sobre at\u00e9 que ponto ele pode chegar, mas \u00e9 fundamental que o monitoramento seja feito por per\u00edodos longos. S\u00e3o 20, 30 anos colhendo estat\u00edsticas para alcan\u00e7ar probabilidades cada vez mais exatas. Somando \u00e0s an\u00e1lises mais convencionais outras fontes de dados, o trabalho fica cada vez mais preciso&#8221;, diz o pesquisador.<br \/>\nPor outro lado, o estudo mineiro apontou uma dificuldade maior para a preven\u00e7\u00e3o de problemas com enchentes em \u00e1reas urbanas, onde as evid\u00eancias deixadas pelas inunda\u00e7\u00f5es e desabamentos n\u00e3o ficam muito tempo sem ser modificadas. &#8220;Nas grandes cidades, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada acaba descaracterizando o uso do solo. \u00c9 menos vi\u00e1vel perceber os sinais da natureza nos locais onde ela foi muito transformada, os cursos dos rios s\u00e3o alterados e at\u00e9 a absor\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente&#8221;, acrescenta.<br \/>\nAtraso brasileiro<br \/>\nAs recorrentes trag\u00e9dias em territ\u00f3rio brasileiro que resultam em milhares de v\u00edtimas tornam esse tipo de estudo obrigat\u00f3rio para os centros de pesquisas de pa\u00edses que convivem com a quest\u00e3o. Mas, na pr\u00e1tica, a realidade \u00e9 outra, e o Brasil continua atrasado nas tecnologias que lidam com os desastres ambientais. Prova disso \u00e9 o despreparo para lidar tanto com a preven\u00e7\u00e3o como com a trag\u00e9dia em si, quando ela ocorre.<br \/>\n&#8220;Infelizmente, ainda estamos dando os primeiros passos nesse tipo de estudo. Durante as pesquisas nos Estados Unidos e na Espanha, conseguimos dados expressivos que ajudam nos c\u00e1lculos. Aqui, fica aquele sentimento de frustra\u00e7\u00e3o com as poucas ferramentas a que temos acesso. Mas estamos come\u00e7ando a caminhar e isso j\u00e1 significa alguma coisa&#8221;, diz Fernandes.<br \/>\nCom o objetivo de diminuir o n\u00famero de mortes nas trag\u00e9dias e de prevenir de maneira mais eficiente as poss\u00edveis cat\u00e1strofes, o Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia (MCT) lan\u00e7ou no m\u00eas passado o Sistema Nacional de Alerta e Preven\u00e7\u00e3o de Desastres Naturais. &#8220;Nossa proposta \u00e9 proteger e salvar vidas o mais rapidamente poss\u00edvel. Queremos levar informa\u00e7\u00f5es precisas para que os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos consigam mover as pessoas que devem ser realocadas. Temos que sistematizar todas as bases de informa\u00e7\u00e3o, padronizar e cruzar os dados de cada local. Ent\u00e3o, poderemos alertar as prefeituras e a defesa civil do que vem pela frente&#8221;, explica Carlos Nobre, secret\u00e1rio de Pol\u00edticas e de Programas de Pesquisa do MCT e coordenador do sistema.<br \/>\nPor\u00e9m a implanta\u00e7\u00e3o do programa &#8211; que vai mapear detalhadamente cerca de 500 \u00e1reas de risco em todo o pa\u00eds e outras 300 regi\u00f5es sujeitas a inunda\u00e7\u00f5es &#8211; deve ocorrer somente daqui a quatro anos. At\u00e9 l\u00e1, muitas \u00e1reas continuar\u00e3o descobertas, \u00e0 merc\u00ea da natureza. &#8220;O prazo vi\u00e1vel para que o sistema consiga cobrir todo o territ\u00f3rio \u00e9 mais longo, mas j\u00e1 temos atividades em curto prazo, com \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o mapeadas e poder\u00e3o ser monitoradas at\u00e9 o fim deste ano. No Rio de Janeiro, por exemplo, o trabalho j\u00e1 est\u00e1 sendo feito e vamos poder cruzar os dados das chuvas com as caracter\u00edsticas de cada munic\u00edpio&#8221;, afirma Nobre.<br \/>\nPara o secret\u00e1rio do MCT, o atraso brasileiro est\u00e1 ligado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis no pa\u00eds, que n\u00e3o criou uma cultura de prepara\u00e7\u00e3o para os desastres. &#8220;Em muitos pa\u00edses, os sistemas de preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o completos. O Jap\u00e3o, onde os terremotos e tsunamis s\u00e3o mais frequentes, tem uma prepara\u00e7\u00e3o mais desenvolvida, com treinamentos realizados com crian\u00e7as desde cedo, para lidar com situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. E at\u00e9 em pa\u00edses menos desenvolvidos, como Venezuela e Peru, as sociedades s\u00e3o mais bem preparadas para esse tipo de crise, com indica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es simples, que devem ser sempre levadas em conta. Podemos aprender com esses modelos j\u00e1 em andamento&#8221;, acrescenta Carlos Nobre.<br \/>\n&#8220;Nas grandes cidades, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada descaracteriza o uso do solo. \u00c9 menos vi\u00e1vel perceber os sinais da natureza nos locais onde ela foi muito transformada&#8221; Wilson Fernandes, pesquisador da UFMG.<br \/>\nFonte: M\u00fatua Caixa de Assist\u00eancia dos Profissionais do CREA<br \/>\nAscom CREA-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de reduzir as perdas humanas, a ci\u00eancia pode assumir posi\u00e7\u00e3o de destaque na busca para entender cada vez melhor as manifesta\u00e7\u00f5es do meio ambiente. O engenheiro hidr\u00e1ulico e pesquisador Wilson Fernandes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenvolveu uma pesquisa para calcular a probabilidade de inunda\u00e7\u00f5es em \u00e1reas de risco e, assim, permitir que autoridades possam alertar moradores sobre as caracter\u00edsticas dos locais onde vivem. Se ocorresse na pr\u00e1tica, seria uma forma de evitar trag\u00e9dias como a da regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, ocorrida no m\u00eas passado e com consequ\u00eancias ainda vis\u00edveis, e problemas que assolam tamb\u00e9m Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e o Sul do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-30493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}