{"id":30608,"date":"2014-12-29T13:51:27","date_gmt":"2014-12-29T13:51:27","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"brasil-ganha-novas-listas-de-especies-ameacadas-30608","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/brasil-ganha-novas-listas-de-especies-ameacadas-30608\/","title":{"rendered":"Brasil ganha novas listas de esp\u00e9cies amea\u00e7adas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not14122997245_697x437_crop_54a17b65d81e7.jpg\" \/><br \/>A not\u00edcia passou quase que despercebida nos dias que antecederam o Natal, mas aconteceu: No dia 17 de dezembro, o Brasil ganhou suas primeiras \u201clistas vermelhas\u201d oficiais de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Um presente de fim de ano inc\u00f4modo, por\u00e9m indispens\u00e1vel para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas eficazes de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade nacional. E que trouxe embutido no pacote vermelho algumas boas noticias, acredite se quiser.Foram publicadas, simultaneamente, as listas de fauna e flora. Digo que foram as \u201cprimeiras\u201d porque, apesar de outras terem sido publicadas antes (em 2003 e 2008, respectivamente), esta \u00e9 a primeira vez que quase todas as esp\u00e9cies conhecidas do Brasil foram avaliadas de uma s\u00f3 vez (100% dos vertebrados terrestres e aqu\u00e1ticos, mais um grande n\u00famero de plantas e invertebrados).As listas anteriores eram baseadas apenas em amostragens de esp\u00e9cies \u2014 ou seja, n\u00e3o eram representativas da biodiversidade brasileira como um todo, mas apenas daquelas determinadas esp\u00e9cies que foram selecionadas para avalia\u00e7\u00e3o. Eram um retrato parcial, enquanto que estas novas listas s\u00e3o um retrato completo (ou o mais completo poss\u00edvel) do status de conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies brasileiras.Entre os animais terrestres, para se ter uma ideia, o n\u00famero de esp\u00e9cies avaliadas aumentou de 816, na lista de 2003, para 6.840, na lista atual, incluindo 100% das esp\u00e9cies conhecidas de mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios, e cerca de 3% das esp\u00e9cies de invertebrados \u2014 o que parece pouco, mas, ainda assim, s\u00e3o 2.423 esp\u00e9cies (a dificuldade com os insetos \u00e9 que eles s\u00e3o t\u00e3o diversos que se torna praticamente imposs\u00edvel avaliar todas as esp\u00e9cies simultaneamente).As novas listas podem ser acessadas aqui:\u00a0http:\/\/goo.gl\/YgR1aWO resumo da \u00f3pera \u00e9 o seguinte:O Brasil tem\u00a03.286 esp\u00e9cies amea\u00e7adas\u00a0de fauna e flora, sendo:698\u00a0esp\u00e9cies amea\u00e7adas de animais terrestres (incluindo 165 na categoria mais grave, \u201ccriticamente em perigo\u201d, com alt\u00edssimo risco de extin\u00e7\u00e3o)475\u00a0esp\u00e9cies amea\u00e7adas de animais aqu\u00e1ticos e marinhos (153 delas \u201ccriticamente em perigo\u201d)2.113\u00a0esp\u00e9cies amea\u00e7adas de plantas (467 delas \u201ccriticamente em perigo\u201d)Quanto esses n\u00fameros aumentaram ou diminu\u00edram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s listas anteriores? \u00c9 tentador fazer essa compara\u00e7\u00e3o, mas eu prefiro n\u00e3o perder tempo com isso. As listas s\u00e3o t\u00e3o diferentes, tanto em termos estat\u00edsticos quanto metodol\u00f3gicos, que seria como comparar laranjas com ma\u00e7\u00e3s. S\u00e3o produtos distintos no tempo e no espa\u00e7o, de modo que h\u00e1 pouco valor em comparar as estat\u00edsticas de um e de outro.O que vale a pena, sim, \u00e9 comparar o que aconteceu com o status de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies individuais que figuram nas duas listas. Quem melhorou e quem piorou nos \u00faltimos dez anos? \u00c9 a\u00ed que surgem as boas e as m\u00e1s not\u00edcias dessa nova rela\u00e7\u00e3o.Boas not\u00edcias259\u00a0esp\u00e9cies que figuravam nas listas anteriores deixaram de ser classificadas como amea\u00e7adas (ou seja, sa\u00edram da lista vermelha), sendo 88 de animais terrestres, 82 de animais aqu\u00e1ticos e 89 de plantas.Dois bons exemplos s\u00e3o a arara-azul-grande e a baleia jubarte (conforme eu j\u00e1 havia noticiado aqui no blog, em primeira m\u00e3o, em\u00a0junho de 2013, e novamente, oficialmente, em\u00a0maio de 2014).Outras esp\u00e9cies melhoraram de situa\u00e7\u00e3o na lista, apesar de ainda estarem amea\u00e7adas, como o\u00a0mico-le\u00e3o-preto\u00a0(que passou de \u201ccriticamente em perigo\u201d para \u201cvulner\u00e1vel\u201d) e o\u00a0peixe-boi-marinho\u00a0(que passou de \u201ccriticamente em perigo\u201d para \u201cem perigo\u201d).Estes s\u00e3o exemplos de esp\u00e9cies que foram beneficiadas por medidas efetivas de conserva\u00e7\u00e3o, tanto do poder p\u00fablico quanto da sociedade, por meio de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. Na maioria dos casos, por\u00e9m, as esp\u00e9cies que se salvaram da lista foram retiradas porque se descobriu que elas n\u00e3o estavam t\u00e3o amea\u00e7adas quanto se pensava, n\u00e3o por conta de algum esfor\u00e7o efetivo de conserva\u00e7\u00e3o.M\u00e1s not\u00edcias:720\u00a0esp\u00e9cies de animais que n\u00e3o figuravam nas listas anteriores (porque n\u00e3o eram consideradas amea\u00e7adas ou nem chegaram a ser avaliadas) entraram para a nova lista vermelha como amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o; sendo 395 terrestres e 325 aqu\u00e1ticas.No caso das esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas, a inclus\u00e3o na lista pode ser considerada at\u00e9 uma boa not\u00edcia, pois \u00e9 a \u00fanica maneira de se conferir a elas um grau mais efetivo prote\u00e7\u00e3o. Muitas dessas \u201cnovas\u201d esp\u00e9cies (79, para ser mais exato) s\u00e3o peixes de interesse comercial, explorados pela pesca, que j\u00e1 estavam em situa\u00e7\u00e3o preocupante h\u00e1 algum tempo, mas careciam de prote\u00e7\u00e3o efetiva. Entre eles, v\u00e1rias esp\u00e9cies de tubar\u00f5es, como os\u00a0martelos\u00a0e o\u00a0galha-branca.Outros beneficiados dos mares incluem o grande\u00a0mero\u00a0(cuja pesca j\u00e1 \u00e9 proibida h\u00e1 alguns anos por instru\u00e7\u00e3o normativa, mas a esp\u00e9cie n\u00e3o era oficialmente classificada como amea\u00e7ada at\u00e9 agora) e os pequenos\u00a0cavalos-marinhos, ca\u00e7ados para serem usados como ornamento ou souvenir. Quem tamb\u00e9m entrou para a lista foi o\u00a0peixe-papagaio-azul, ou budi\u00e3o-azul (Scarus trispinosus), muito pescado e consumido na regi\u00e3o dos Abrolhos, no sul da Bahia (para saber mais, leia a reportagem especial:\u00a0Com um arp\u00e3o na m\u00e3o e uma mangueira entre os dentes)Em casos como esses, quando j\u00e1 se est\u00e1 a beira do abismo, ser listado como esp\u00e9cie amea\u00e7ada \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o. A inclus\u00e3o na lista vermelha implica em restri\u00e7\u00f5es \u00e0 pesca, ca\u00e7a ou derrubada dessas esp\u00e9cies esp\u00e9cie, podendo chegar at\u00e9 a uma proibi\u00e7\u00e3o total, no caso das esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas.Sempre pol\u00eamicasSem d\u00favida que os pormenores da lista podem ser questionados. Essas listas n\u00e3o s\u00e3o perfeitas, e nunca h\u00e1 um consenso absoluto sobre elas \u2014 seja sobre esp\u00e9cies que ficaram de fora, que n\u00e3o deveriam ter sa\u00eddo ou que foram classificadas na categoria errada, segundo a opini\u00e3o de um ou outro especialista. Mas j\u00e1 passava da hora de o Brasil ter uma lista vermelha \u201cde verdade\u201d para guiar suas pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Assim como as listas internacionais da IUCN, estas tamb\u00e9m, certamente, ser\u00e3o revisadas, refinadas e melhoradas ao longo dos pr\u00f3ximos anos, num trabalho cont\u00ednuo de avalia\u00e7\u00e3o e revalida\u00e7\u00e3o.Fonte: Portal D24am<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja quem j\u00e1 foi salvo da extin\u00e7\u00e3o e quem ainda corre risco de desaparecer da biodiversidade brasileira em 2015<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-30608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}