{"id":30663,"date":"2015-02-19T09:16:26","date_gmt":"2015-02-19T09:16:26","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"especialistas-criticam-ideia-de-levar-agua-do-rio-amazonas-ao-sudeste-30663","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/especialistas-criticam-ideia-de-levar-agua-do-rio-amazonas-ao-sudeste-30663\/","title":{"rendered":"Especialistas criticam ideia de levar \u00e1gua do rio Amazonas ao Sudeste"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not15021939foto_-_aqueduto.jpg\" \/><br \/>MANAUS \u2013 H\u00e1 dez  dias,\u00a0o governador do Amazonas, Jos\u00e9 Melo (Pros), defende a ideia de levar  \u00e1gua do rio Amazonas \u00e0\u00a0regi\u00e3o Sudeste do Brasil. Sem dar detalhes  sobre a poss\u00edvel obra, o governador comparou a interven\u00e7\u00e3o a dutos que conduzem  \u00f3leo e g\u00e1s entre localidades distantes. Partindo desta premissa, o Portal  Amaz\u00f4nia conversou com membros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia  do Amazonas (CREA-AM) sobre a viabilidade da obra. Quest\u00f5es ambientais,  econ\u00f4micas, de infraestrutura e de sa\u00fade s\u00e3o alguns dos empecilhos apontados  pelos profissionais.         \u201cA \u00e1gua transportada por um duto  teria um custo muito alto para o consumidor final. Os custos envolvem pre\u00e7o de  constru\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, energia el\u00e9trica para bombeamento e custo de tratamento  da \u00e1gua\u201d, aponta o ge\u00f3logo Ingo Wahnfried. Ele explica que derivados de  petr\u00f3leo custam mais caro e, por isso, seu transporte atrav\u00e9s de estruturas  complexas como um duto, os tornam economicamente vi\u00e1vel. Ingo cita como  exemplos o Alasca, onde h\u00e1 duto de 1.287 km, e o Gasbol, que traz g\u00e1s da  Bol\u00edvia para o Brasil, e possui 3.150 km.         Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de  Engenheiros Ambientais do Amazonas, Oziel Mineiros, a exist\u00eancia de obras  semelhantes ao redor do mundo abre precedentes para a execu\u00e7\u00e3o de uma  interven\u00e7\u00e3o bem sucedida na Amaz\u00f4nia. \u201cAo tomar com base projetos e estudos j\u00e1  realizados em cidades brasileiras e europeias, h\u00e1 viabilidade, sim. Mas tanto  as tecnologias atuais quanto a infraestrutura precisam ser adaptadas em virtude  da dist\u00e2ncia, vaz\u00e3o e outros pontos t\u00e9cnicos deste poss\u00edvel aqueduto\u201d, pondera.          Ele tamb\u00e9m acredita que a obra poderia ser  semelhante ao projeto de transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco. \u201cAs tecnologias  precisam ser adaptadas. E, por se tratar de \u00e1guas, o Minist\u00e9rio do Meio  Ambiente, por meio do Conselho Nacional do meio Ambiente (Conama), disp\u00f5e de  normas t\u00e9cnicas espec\u00edficas que apresentam os par\u00e2metros f\u00edsicos, qu\u00edmicos e  bacteriol\u00f3gicos que contemplam projetos deste tipo\u201d.         A obra de transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco  deveria ter ficado pronta em 2012, de acordo com o cronograma do Governo  Federal. A constru\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio h\u00e1 sete anos e deveria beneficiar 12 milh\u00f5es  de pessoas em quatro estados do Nordeste que padecem com a seca. O canal do  eixo norte percorre 402 quil\u00f4metros (km), come\u00e7ando em Pernambuco, em Cabrob\u00f3,  e terminando no estado da Para\u00edba, em Cajazeiras. O eixo leste tem 220 km de  extens\u00e3o e tamb\u00e9m come\u00e7a em Pernambuco, mas no munic\u00edpio de Floresta, e tamb\u00e9m  vai at\u00e9 a Para\u00edba, em Monteiro.    Para o presidente do CREA-AM, Cl\u00e1udio  Guenka, antes de qualquer iniciativa, por mais louv\u00e1vel que seja, \u00e9 preciso  primeiro fazer a li\u00e7\u00e3o de casa. \u201cIsso significa que \u00e9 preciso sanar a  problem\u00e1tica da falta de \u00e1gua em Manaus e em v\u00e1rios munic\u00edpios. \u00c9 frequente  escutarmos fam\u00edlias reclamando que est\u00e3o sem \u00e1gua nos bairros da capital,  principalmente nos das zonas Leste e Norte\u201d, destaca.         Guenka tamb\u00e9m lembra que problemas de seca  n\u00e3o s\u00e3o novidade no Brasil. \u201cTemos a\u00ed um exemplo cl\u00e1ssico que \u00e9 o Nordeste  brasileiro, que j\u00e1 convive com a seca h\u00e1 d\u00e9cadas, e pouco ou quase nada se fez  para resolver o drama vivenciado pelas fam\u00edlias sertanejas\u201d. Na opini\u00e3o do  engenheiro, s\u00e3o necess\u00e1rios vontade pol\u00edtica e planejamento para resolver o  problema. \u201cO que se tem visto \u00e9 que as administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas t\u00eam dado pouco  valor ao planejamento e querem resultados imediatistas, normalmente o tempo de  um mandato \u2013 quatro anos\u201d, diz.         Outro problema latente no que tange  qualquer grande obra na Amaz\u00f4nia s\u00e3o os impactos ambientais. Via de regra, as  interven\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o geram desmatamento e acarretam danos em dimens\u00f5es  humanas e ambientais. \u201cEstradas na Amaz\u00f4nia sempre geram aumento de  desmatamento pela facilita\u00e7\u00e3o do acesso a madeireiros e grileiros. Assim,  paradoxalmente, para fornecer \u00e1gua para outros estados estar\u00edamos contribuindo  para a destrui\u00e7\u00e3o da floresta, que \u00e9 a pr\u00f3pria raz\u00e3o de existir tanta \u00e1gua  aqui\u201d, alerta Ingo.         Pesquisadores como os meteorologistas  Ant\u00f4nio Nobre, Jos\u00e9 Marengo e o pr\u00f3prio Ingo defendem que a \u00e1gua da Amaz\u00f4nia j\u00e1  chega ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Pa\u00eds naturalmente e sem custo, na forma  dos \u201crios voadores\u201d. Por isso, o ge\u00f3logo considera desnecess\u00e1rio investir  bilh\u00f5es de reais para criar uma estrutura f\u00edsica que conduza mais \u00e1gua da  Amaz\u00f4nia a outras regi\u00f5es. \u201cAtrav\u00e9s dos rios voadores, a Amaz\u00f4nia fornece \u00e1gua  de \u00f3tima qualidade, de forma muito mais eficiente e distribu\u00edda do que qualquer  duto pode fazer\u201d, defende. \u201cTudo que devemos fazer, aqui na Amaz\u00f4nia, \u00e9 manter  a floresta em p\u00e9. Assim ela continuar\u00e1 fornecendo este vital servi\u00e7o ambiental,  abastecendo aqu\u00edferos e rios, e consequentemente sustentando planta\u00e7\u00f5es,  cidades e usinas hidrel\u00e9tricas naquelas regi\u00f5es\u201d, acrescenta.         SA\u00daDE        As \u00e1guas dos rios da Amaz\u00f4nia foram  categorizadas pelo pesquisador Harald Sioli em tr\u00eas tipos: pretas, claras e  barrentas. Os crit\u00e9rios para estas classifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o a colora\u00e7\u00e3o, a acidez e a  quantidade de sedimentos que carregam. As \u00e1guas do rio Amazonas s\u00e3o barrentas,  assim como a de seus principais tribut\u00e1rios. Isso quer dizer que o rio carrega  grande quantidade de sedimentos, que nada mais s\u00e3o do que compostos org\u00e2nicos  dissolvidos.         Isso torna a \u00e1gua in natura n\u00e3o  pot\u00e1vel, de acordo com as normas de sa\u00fade vigentes. Essas caracter\u00edstica  acrescentariam mais custos \u00e0 \u00e1gua, pois ela precisaria ser tratada antes do  consumo. \u201cN\u00e3o \u00e9 um problema t\u00e9cnico, porque isto j\u00e1 \u00e9 feito em diversas cidades  da Amaz\u00f4nia. Mas, novamente, \u00e9 um fator de aumento de custo\u201d, diz Ingo.         Para Oziel Mineiro, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o  complexa. O engenheiro acredita que moradores de outras regi\u00f5es do Brasil  poderiam usar o mesmo artif\u00edcio que comunidades e cidades da Amaz\u00f4nia usam para  tratar \u00e1gua.\u201cPara o consumo humano utilizam-se os cloros que s\u00e3o distribu\u00eddos  pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria [Anvisa] e Ag\u00eancia Nacional de  Sa\u00fade [ANS]. Pinga-se de duas a tr\u00eas gotas em cada 20 litros de \u00e1gua. Uma  tecnologia mais atualizada e adaptada tornaria o projeto tecnicamente vi\u00e1vel\u201d,  defende.         GEST\u00c3O        A crise h\u00eddrica do Sudeste era uma trag\u00e9dia  anunciada. H\u00e1 anos especialista t\u00eam alertado sobre a necessidade de gerir  adequadamente a \u00e1gua. Se alguma medida foi adotada, n\u00e3o surtiu efeito. \u201cO certo  \u00e9 que a natureza est\u00e1 no seu limite, onde o ser humano pouco ou nada faz para  mudar o ritmo de explora\u00e7\u00e3o indiscriminada dos recursos naturais\u201d, alerta  Cl\u00e1udio Guenko. O engenheiro acredita que a solu\u00e7\u00e3o para o problema est\u00e1 no  reaproveitamento de recursos e combate ao desperd\u00edcio. Ele tamb\u00e9m recorda que  em 2005 e 2010 o estado do Amazonas sofreu severas estiagens. \u201cE como ficaria o  aqueduto? S\u00e3o perguntas sem respostas\u201d, diz.         Ingo tamb\u00e9m aponta como problema a  explora\u00e7\u00e3o irracional de \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o  \u00fanica, simples ou r\u00e1pida. Os pesquisadores da regi\u00e3o t\u00eam as solu\u00e7\u00f5es para todos  estes problemas, h\u00e1 tempos, mas eles n\u00e3o foram ouvidos\u201d, diz. \u201cIsto precisa ser  feito agora. Importar \u00e1gua artificialmente da Amaz\u00f4nia seria um incentivo ao  desperd\u00edcio e mau uso, perpetuando as pr\u00e1ticas que criaram o problema\u201d,  conclui.    \u00a0    Fonte: PORTAL AMAZ\u00d4NIA    Reportagem Izabel Santos    <a href=\"mailto:izabel.santos@portalamazonia.com\" class=\"autohyperlink\">izabel.santos@portalamazonia.com<\/a>     13\/02\/2015     <a href=\"http:\/\/portalamazonia.com\/noticias-detalhe\/meio-ambiente\/especialista-rechacam-ideia-de-levar-agua-do-rio-amazonas-ao-sudeste\/?cHash=c3ef3b6ca045a9591a3293a3282fe50e\" class=\"autohyperlink\">portalamazonia.com\/noticias-detalhe\/meio-ambiente\/especialista-rechacam-ideia-de-levar-agua-do-rio-amazonas-ao-sudeste\/?cHash=c3ef3b6ca045a9591a3293a3282fe50e<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O transporte de \u00e1gua do Norte para outras regi\u00f5es do Brasil seria complexo e traria mais custos que o esperado ao consumidor final.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-30663","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30663","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30663\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}