{"id":31053,"date":"2015-11-06T08:15:51","date_gmt":"2015-11-06T08:15:51","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"conquista-historica-engenheiros-poderao-exercer-a-profissao-tanto-no-brasil-como-em-portugal-a-partir-de-2016-31053","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/conquista-historica-engenheiros-poderao-exercer-a-profissao-tanto-no-brasil-como-em-portugal-a-partir-de-2016-31053\/","title":{"rendered":"CONQUISTA HIST\u00d3RICA \u2013 Engenheiros poder\u00e3o exercer a profiss\u00e3o tanto no Brasil como em Portugal a partir de 2016"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not1446762118.jpg\" \/><br \/>A reportagem do  Confea entrevistou o conselheiro da Divis\u00e3o de Negocia\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os do  Itamaraty, George Marques, que no dia 28 de setembro esteve na sede do Confea  para a assinatura do Termo de Reciprocidade entre o Conselho Federal de  Engenharia e Agronomia (Confea) e a Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP). Pelo  documento assinado, os profissionais passam a ter mobilidade para exercer a  profiss\u00e3o tanto no Brasil como em Portugal, alterando a realidade do fluxo  profissional entre esses pa\u00edses.     \u00a0    Engenheiro de  computa\u00e7\u00e3o, formado pela Unicamp, Marques destacou o ineditismo do Termo,  ratificado no \u00faltimo dia 28, em Portugal. Na entrevista, o conselheiro do  Itamaraty refor\u00e7a a import\u00e2ncia dessa iniciativa hist\u00f3rica e como ela  possibilita uma nova perspectiva para os profissionais e para os pa\u00edses. O  termo passa a vigorar a partir de 01 de janeiro de 2016.        Confira a  entrevista do conselheiro da Divis\u00e3o de Negocia\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os do Itamaraty,  George Marques:    \u00a0    Ao  acompanhar a assinatura do Termo de Reciprocidade entre Confea e OEP, o senhor  declarou que \u201co entendimento entre institui\u00e7\u00f5es norteia e melhora as rela\u00e7\u00f5es  internacionais\u201d. O senhor poderia aprofundar esse assunto, nos dizendo como e  em que intensidade esse tipo de entendimento vem ocorrendo entre institui\u00e7\u00f5es  brasileiras e estrangeiras?    \u00a0    \u00c9 uma dimens\u00e3o  relativamente nova das rela\u00e7\u00f5es internacionais. A gente costuma entender o  sistema internacional como um sistema intergovernamental, ou seja,\u00a0 as  rela\u00e7\u00f5es se d\u00e3o entre governos. Entretanto, na quest\u00e3o do exerc\u00edcio  profissional, da regulamenta\u00e7\u00e3o de profiss\u00f5es, extrapola as compet\u00eancias  governamentais, e isso cabe a entidades como Confea, OAB (Ordem dos Advogados  do Brasil), CFM (Conselho Federal de Medicina), que s\u00e3o autarquias com essas  atribui\u00e7\u00f5es. No caso desse termo, ele \u00e9 in\u00e9dito, hist\u00f3rico, um grande passo,  extrapola a esfera governamental, mas cumpre o objetivo que os Estados  assumem.\u00a0 \u00c9 a primeira vez desde que estou lidando com esse tema de  com\u00e9rcio de servi\u00e7os que vejo entendimento entre institui\u00e7\u00f5es em prol da  abertura de mercado de servi\u00e7os profissionais, com reconhecimento da  autoriza\u00e7\u00e3o para exercer a profiss\u00e3o de um Estado no territ\u00f3rio de outro  Estado. Queria que outras associa\u00e7\u00f5es profissionais tivessem esse sentido de  urg\u00eancia. O Confea teve um pensamento mais amplo, engenharia como profiss\u00e3o  globalizada, sem corporativismo, o engenheiro brasileiro ter\u00e1 oportunidade  tanto l\u00e1\u00a0 fora como aqui de\u00a0 aprender com profissionais de outros  pa\u00edses. Foi um passo al\u00e9m do pensamento corporativista de restringir o  pensamento ao mercado dom\u00e9stico.        O governo considera estrat\u00e9gico e de interesse nacional esse termo assinado?    \u00a0    A engenharia \u00e9  uma das profiss\u00f5es-chave. No momento em que o Brasil tem s\u00e9rios problemas de  infraestrutura, gargalo de log\u00edstica, a engenharia \u00e9 o componente fundamental  para superar esses entraves. Sabe-se que existia uma demanda por engenheiros  especializados, e essa demanda n\u00e3o era completamente satisfeita pelo mercado  brasileiro. Existem nichos como engenharia naval, de petr\u00f3leo, e acho que vale  o Brasil se aproveitar da expertise de outros pa\u00edses. Esse termo de  reciprocidade cumpre sim o papel estrat\u00e9gico, melhorando a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o  de obra, permitindo o influxo de profissionais estrangeiros qualificados,  contribuindo para interc\u00e2mbio de pr\u00e1ticas, al\u00e9m de posicionar a engenharia  brasileira no mercado global.    \u00a0    Que  expectativa tem o governo do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a esse termo?    \u00a0    O impacto real  disso no mercado de trabalho, na mentalidade das pessoas, nas outras  associa\u00e7\u00f5es profissionais saberemos no decorrer dos anos.\u00a0 Entretanto,  acho que essa iniciativa do Confea com a OEP merecia uma reflex\u00e3o profunda por  parte do governo brasileiro. Por exemplo, para conseguir autoriza\u00e7\u00e3o  profissional, o diploma precisa ser reconhecido pela universidade. O Confea  superou isso, reconhecendo diretamente o registro concedido por outra  associa\u00e7\u00e3o profissional. Todas as profiss\u00f5es necessitam desse tipo de  reconhecimento? Existem maneiras de superar de dificuldade institucional?\u00a0      O  Itamaraty sugere esse tipo de inciativa do Brasil com outros pa\u00edses?    \u00a0    O Itamaraty v\u00ea  com muito bons olhos esse tipo de iniciativa, mas o governo n\u00e3o pode impor esse  tipo de aproxima\u00e7\u00e3o. \u00c9 o tipo de constru\u00e7\u00e3o que vem de baixo para cima,  identificado o interesse entre as associa\u00e7\u00f5es profissionais e articula\u00e7\u00e3o feita  a partir dessa.     Qual a import\u00e2ncia desse termo para a gera\u00e7\u00e3o de empregos nos dois pa\u00edses e  para o desenvolvimento da Engenharia em ambos?    \u00a0    Esse contato dos  profissionais com realidade de outros mercados serve para abrir portas. Os  brasileiros que v\u00e3o atuar em Portugal n\u00e3o est\u00e3o simplesmente atuando em um pa\u00eds  ib\u00e9rico, estar\u00e3o atuando em um pa\u00eds que faz parte da Uni\u00e3o Europeia.   O profissional brasileiro vai participar de um mercado mais globalizado, lidar  com outras normas t\u00e9cnicas, tipos de materiais, isso expande o conhecimento e o  campo de atua\u00e7\u00e3o. Essa mobilidade que \u00e9 oferecida ao profissional d\u00e1 a ele a  oportunidade de atuar l\u00e1 fora sem ter de romper com o Brasil, o que aconteceu  muito nos anos 80, em que muitos talentos foram atuar em outros pa\u00edses e n\u00e3o  voltaram.      J\u00e1 para os profissionais portugueses, o Brasil, por causa do pr\u00e9-sal,  engenharia de petr\u00f3leo, apresenta-se como uma oportunidade para esses se  especializarem nesses setores. Podem surgir nichos pr\u00f3prios, assim como foi o  caso da engenharia de redes, que surgiu a partir da engenharia de  telecomunica\u00e7\u00f5es.         Quais  poder\u00e3o ser as oportunidades que esse termo ir\u00e1 proporcionar para os jovens  profissionais brasileiros?     \u00a0    A forma\u00e7\u00e3o deles  ser\u00e1 mais globalizada. Sabendo que o seu registro j\u00e1 permite atua\u00e7\u00e3o em outro  pa\u00eds amplia o horizonte.     \u00a0    O senhor  acredita que o termo pode proporcionar integra\u00e7\u00e3o (social, diplom\u00e1tica) entre  os dois pa\u00edses? Se sim, de que forma isso pode acontecer?    \u00a0    Seria uma forma  de externalidade. Quando se aumenta o n\u00famero de brasileiros em Portugal e  portugueses aqui, aumenta-se o contato de rela\u00e7\u00e3o entre essas pessoas, que  resultam em casamento, forma\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia, e isso permite trocas culturais,  com efeitos que s\u00e3o propagados ao longo de gera\u00e7\u00f5es. Do mesmo jeito que Estado  tem de refletir os anseios da sociedade, a rela\u00e7\u00e3o entre Estados acaba  refletindo a rela\u00e7\u00e3o entre essas sociedades.    REGRAS DE RECIPROCIDADE    \u00a0    O engenheiro brasileiro interessado em  atuar em Portugal ter\u00e1 de estar com registro ativo e adimplente junto ao  Sistema Confea\/Crea e M\u00fatua, procurar as secretarias das regi\u00f5es e se\u00e7\u00f5es  regionais ou ainda as delegacias distritais\u00a0 do seu domic\u00edlio em  territ\u00f3rio portugu\u00eas e apresentar sua candidatura a membro da OEP. O formul\u00e1rio  que conter\u00e1 as informa\u00e7\u00f5es do candidato ser\u00e1 definido em breve pelas duas  institui\u00e7\u00f5es.    \u00a0    Ao ser admitido, o profissional manter\u00e1  todas as atribui\u00e7\u00f5es concedidas no Brasil, de acordo com certid\u00e3o a ser emitida  pelo Sistema. O termo de reciprocidade, enquanto tiver validade, libera os  brasileiros a prestar as provas de admiss\u00e3o como exige a entidade lusitana dos  candidatos portugueses que, por sua vez, n\u00e3o precisam provar o n\u00edvel de seus  conhecimentos para atuar aqui.    \u00a0    O documento detalha as informa\u00e7\u00f5es  necess\u00e1rias aos interessados e at\u00e9 mesmo a aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es disciplinares  decorrentes do exerc\u00edcio profissional, mas s\u00f3 entrar\u00e1 em vigor quando da  defini\u00e7\u00e3o final sobre documenta\u00e7\u00e3o a ser entregue pelos interessados, inclusive  do formul\u00e1rio que conter\u00e1 as informa\u00e7\u00f5es do candidato.    \u00a0    As duas institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 trabalham as  medidas administrativas tamb\u00e9m necess\u00e1rias para permitir a mobilidade entre os  dois pa\u00edses e t\u00eam 180 dias para essa conclus\u00e3o. Entretanto, a previs\u00e3o de ambas  as entidades \u00e9 a de que j\u00e1 no dia 28 de outubro deste ano os procedimentos  administrativos tenham sido definidos, para que possam vigorar a partir de 1\u00ba  de novembro de 2015.    \u00a0    OEP    \u00a0    A OEP (Ordem dos Engenheiros de Portugal) \u00e9  uma associa\u00e7\u00e3o p\u00fablica representativa dos diplomados em cursos de Engenharia  dos 2.\u00ba e 3.\u00ba ciclos do ensino superior (Mestrado e Doutorado,  respectivamente), que exercem a profiss\u00e3o de engenheiro e de regula\u00e7\u00e3o  profissional dos engenheiros portugueses.    \u00a0    Uma das suas atribui\u00e7\u00f5es \u00e9 a  responsabilidade pela atribui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo profissional necess\u00e1rio para a  atua\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas do \u00e2mbito da Engenharia, em Portugal.    \u00a0    Nem todos os cursos de Engenharia que s\u00e3o  ministrados pelas diversas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior portugu\u00eas (ensino  universit\u00e1rio, ensino polit\u00e9cnico, setor p\u00fablico e setor privado) est\u00e3o  acreditados pela Ordem dos Engenheiros. Ainda que, n\u00e3o tendo o direito para  tal, a Ordem dos Engenheiros fa\u00e7a tal discrimina\u00e7\u00e3o, a mesma deixou de  acreditar novos cursos mantendo os que acreditou at\u00e9 2007.    \u00a0    A tutela da acredita\u00e7\u00e3o de cursos do ensino  superior portugu\u00eas \u00e9 da compet\u00eancia da Ag\u00eancia de Avalia\u00e7\u00e3o e Acredita\u00e7\u00e3o do  Ensino Superior daquele pa\u00eds.    \u00a0    Com cerca de 40 mil profissionais  registrados, a OEP informa que 40% desse contingente corresponde a engenheiros  civis, enquanto os eletrot\u00e9cnicos respondem por 20%, os agr\u00f4nomos por 15% e os  engenheiros navais por apenas 1% do total.    \u00a0    \u00a0    \u00a0    Acesse aqui o Termo de Reciprocidade entre  CONFEA e OEP assinado em setembro no Brasil    \u00a0    Acesse aqui o Termo de Reciprocidade entre  CONFEA e OEP ratificado no m\u00eas de outubro em Portugal    \u00a0    Leia mais sobre esse assunto:    \u00a0    CONFEA e Ordem dos Engenheiros de Portugal  (OEP) ratificam Termo de Reciprocidade para facilitar a mobilidade profissional    \u00a0    Assinatura do Termo de Reciprocidade \u00e9  considerada hist\u00f3rica pelos presidentes do CONFEA e da OEP    \u00a0    \u00a0    Fonte: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do CONFEA    Fotos: Ascom | CONFEA    \u00a0    \u00a0    \u00a0    Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do CREA-AM    (92) 2125-7127    <a href=\"mailto:comunicacao@crea-am.org.br\" class=\"autohyperlink\">comunicacao@crea-am.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conquista s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 assinatura do Termo de Reciprocidade entre o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) e a Ordem dos Engenheiros de Portugal. O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores destacou a relev\u00e2ncia hist\u00f3rica do termo firmado entre os dois pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-31053","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31053","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31053"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31053\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31053"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31053"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31053"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}