{"id":31493,"date":"2017-05-16T14:19:48","date_gmt":"2017-05-16T14:19:48","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"debate-sobre-o-desafio-de-acesso-a-agua-de-qualidade-encerra-evento-em-manaus-31493","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/debate-sobre-o-desafio-de-acesso-a-agua-de-qualidade-encerra-evento-em-manaus-31493\/","title":{"rendered":"Debate sobre o desafio de acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade encerra evento em Manaus"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not1494958677.jpg\" \/><br \/>O \u00faltimo dia do Preparat\u00f3rio da Engenharia e da Agronomia para o F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua foi marcado pela mesa-redonda que contou com a participa\u00e7\u00e3o de seis especialistas em Recursos H\u00eddricos. A cada 15 minutos, cada palestrante levou ao p\u00fablico conhecimento t\u00e9cnico acerca do \u201cDesafio para garantia de acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade\u201d. Na sequ\u00eancia, os participantes tiveram a oportunidade de debater as principais quest\u00f5es do painel.<br \/>\nA mesa-redonda foi aberta pelo especialista em hidr\u00e1ulica e saneamento, engenheiro civil Paulo Rodrigues, que apresentou a vis\u00e3o da engenharia sobre \u201cO desafio para garantia de acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade\u201d baseada em quatro aspectos: oferta do recurso, abastecimento intermitente, \u00e1guas polu\u00eddas e conflitos existentes e potenciais pelo uso de \u00e1gua. \u201c\u00c9 not\u00f3rio que h\u00e1 grande oferta de \u00e1gua no mundo especialmente aqui nesta regi\u00e3o, mas ela \u00e9 mal distribu\u00edda seja pela baixa produ\u00e7\u00e3o nos mananciais nos per\u00edodos de estiagem, pela defici\u00eancia de investimento para aproveitamento de novos mananciais, pelos elevados \u00edndices de perdas na distribui\u00e7\u00e3o ou pela precariedade dos sistemas de capta\u00e7\u00e3o, adu\u00e7\u00e3o e tratamento de \u00e1gua\u201d, comentou o palestrante, para quem os engenheiros t\u00eam papel fundamental na democratiza\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos.<br \/>\nTamb\u00e9m atento \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos rios amaz\u00f4nicos e das \u00e1reas \u00famidas, o engenheiro qu\u00edmico especializado em estudos da Amaz\u00f4nia Eduardo Ant\u00f4nio R\u00edos-Villamizar compartilhou com o p\u00fablico ferramentas resultantes de pesquisas relacionadas com qu\u00edmica de \u00e1guas e \u00e1reas \u00famidas realizadas por ele juntamente com o Grupo de Pesquisas em Ecologia, Monitoramento e Uso Sustent\u00e1vel de \u00c1reas \u00damidas Amaz\u00f4nicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA). O material, que abrange um compilado de mais de 300 estudos e an\u00e1lise de 400 rios e igarap\u00e9s identificados nos \u00faltimos 60 anos, pode funcionar como instrumento para manejo e conserva\u00e7\u00e3o, considerando inclusive que grandes \u00e1reas alag\u00e1veis est\u00e3o sofrendo s\u00e9rios riscos, como alertou o pesquisador. \u201c80% das \u00e1guas dos igarap\u00e9s de Manaus est\u00e3o comprometidas e os outros 20% representam algumas das nascentes que ainda se encontram preservadas\u201d. Villamizar chamou aten\u00e7\u00e3o ainda para a relev\u00e2ncia das \u00e1reas \u00famidas, caracterizadas por serem naturais ou artificiais, permanentemente ou periodicamente\u00a0inundadas por \u00e1gua rasa, parada ou corrente, doce, salobra ou salgada, ou com solos\u00a0permanentemente ou periodicamente encharcados, que apresentam uma vegeta\u00e7\u00e3o adaptada a\u00a0estas condi\u00e7\u00f5es. Segundo o especialista, elas representam 30% da bacia amaz\u00f4nica e funcionam\u00a0importantes servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como mitigar riscos de inunda\u00e7\u00f5es naturais, purificar a \u00e1gua, recarregar \u00e1guas subterr\u00e2neas e estocar \u00e1gua para consumo humano e animal.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nImpactos ambientais nos corpos d\u00b4\u00e1gua<br \/>\nDesmatamento, minera\u00e7\u00e3o, fertiliza\u00e7\u00e3o artificial e uso do solo, constru\u00e7\u00f5es em margens de rios s\u00e3o algumas das causas de degrada\u00e7\u00e3o de corpos h\u00eddricos na Amaz\u00f4nia. \u00a0O assunto foi abordado pelo doutor em Biologia de \u00c1gua Doce e Pesca, Bruno Le\u00e3o, que tamb\u00e9m participou da mesa-redonda, que finalizou a programa\u00e7\u00e3o oficial do Preparat\u00f3rio, em Manaus.<br \/>\nEsses fatores, de acordo com o estudioso, trazem impactos ambientais sobre os ambientes aqu\u00e1ticos, comprometendo o pr\u00f3prio ciclo hidrol\u00f3gico e deve refletir no tipo de tratamento adotado para o pr\u00f3prio sistema de abastecimento de \u00e1gua \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOutra preocupa\u00e7\u00e3o que deve existir \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento de efluentes dom\u00e9sticos e industriais, pois, conforme Bruno Le\u00e3o, nem sempre s\u00e3o adotados os procedimentos adequados, gerando a contamina\u00e7\u00e3o dos corpos h\u00eddricos e em alguns casos, do pr\u00f3prio sistema de tratamento de \u00e1gua fornecida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cEssa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio porque a \u00e1gua tratada passa a se misturar com as contaminadas, ocasionando, al\u00e9m do impacto econ\u00f4mico, um custo ambiental devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de recursos h\u00eddricos de qualidade\u201d, frisa o palestrante, que defende a educa\u00e7\u00e3o ambiental como o principal desafio, tendo como correspons\u00e1veis as diferentes representa\u00e7\u00f5es da sociedade, com destaque para a Engenharia e Agronomia. Ele salientou que, em paralelo com a\u00e7\u00f5es educacionais, \u00e9 preciso uma gest\u00e3o p\u00fablica adequada, que vislumbre os investimentos corretos de recursos, bem como a inclus\u00e3o da quest\u00e3o ambiental nos processos decis\u00f3rios.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nInvestimentos em Meteorologia<br \/>\nTanto as enchentes quanto os per\u00edodos de seca afetam a qualidade dos recursos h\u00eddricos, portanto, \u00e9 necess\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica nacional que contemple investimentos e a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da Meteorologia e da Climatologia Meteorol\u00f3gica. Essa tese foi defendida pelo professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Augusto Jos\u00e9 Pereira Filho, na mesa-redonda.<br \/>\nConforme explana\u00e7\u00e3o do docente da USP, esses investimentos s\u00e3o necess\u00e1rios e tipo de avalia\u00e7\u00e3o proporcionada por essa \u00e1rea do conhecimento, que \u00e9 pautada no trip\u00e9 da sustentabilidade, economia e sociedade, pode contribuir sobremaneira no fornecimento de subs\u00eddios de an\u00e1lises sobre precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas ou aus\u00eancia delas. De posse desses dados, podem ser adotadas a\u00e7\u00f5es preventivas ou mitigadoras\u00a0das consequ\u00eancias de cheias e secas, problemas enfrentados em diferentes regi\u00f5es do Pa\u00eds.<br \/>\nEm sua exposi\u00e7\u00e3o, Augusto Pereira Filho, tamb\u00e9m fez quest\u00e3o de ressaltar o fato de que t\u00e3o quanto a floresta e fontes de \u00e1gua doce os oceanos precisam ser considerados neste processo de discuss\u00e3o envolvendo os recursos h\u00eddricos. O que acontece no<br \/>\nAtl\u00e2ntico, por exemplo, pode afetar toda a Am\u00e9rica do Sul. \u00a0\u201cSe n\u00e3o houvesse o Oceano Atl\u00e2ntico, n\u00e3o haveria toda essa exuber\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia, ou seja, a floresta \u00e9 importante porque faz com que a \u00e1gua circule no sistema, entretanto, \u00e9 do oceano (Atl\u00e2ntico) a origem da \u00e1gua que chega at\u00e9 aqui (Amaz\u00f4nia) \u201d, afirmou.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nQualidades das \u00e1guas de afluentes da bacia Amaz\u00f4nica<br \/>\nO doutor em Agronomia e mestre em Energia na Agricultura, o pesquisador do Instituto de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), S\u00e9rgio Bringel, abordou a respeito das altera\u00e7\u00f5es na qualidade das \u00e1guas do rio Negro e destacou ainda a import\u00e2ncia da Amaz\u00f4nia Brasileira, respons\u00e1vel por 17% da \u00e1gua doce do planeta. \u201cA \u00e1gua tem a fun\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o, e comunh\u00e3o entre seus m\u00faltiplos. N\u00e3o existe qualquer atividade sem a \u00e1gua. Houve um consenso de que \u00e9 vi\u00e1vel a utiliza\u00e7\u00e3o dos rios, como rio Negro, como corpos receptores de efluentes sanit\u00e1rios, por meio de alternativas de tratamento e lan\u00e7amento, atrav\u00e9s de emiss\u00e1rio subfluvial, considerando a auto-depura\u00e7\u00e3o em corpos h\u00eddricos com grande capacidade de dilui\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00c9 urgente reconhecer a import\u00e2ncia e respeitar as fun\u00e7\u00f5es dos componentes e instrumentos de gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos\u201d, aponta Bringel.<br \/>\nO engenheiro civil e diretor de Regula\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente da Manas Ambiente, Arlindo Sales, finalizou a mesa-redonda destacando a import\u00e2ncia do Sistema Confea\/Crea. \u201cDepois de tr\u00eas dias de evento, chegou o momento de pararmos e pensarmos em tudo que foi debatido. Precisamos colocar em pr\u00e1tica todo esse vasto leque de pesquisa apresentados. Acredito que o Confea vai transformar o que foi apresentado em algo execut\u00e1vel. A engenharia tem a capacidade transformar sonhos em realidades\u201d, explana Sales.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nJulianna Curado, Laila Moraes e Lis\u00e2ngela Costa Equipe de Comunica\u00e7\u00e3o do Confea, do Crea-RO e do Crea-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#12644;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-31493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}