{"id":31635,"date":"2010-04-15T08:24:14","date_gmt":"2010-04-15T08:24:14","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"fibras-de-sacos-de-cimento-podem-virar-tijolo-31635","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/fibras-de-sacos-de-cimento-podem-virar-tijolo-31635\/","title":{"rendered":"Fibras de sacos de cimento podem virar tijolo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>Apelidado de kraftterra, o tijolo \u00e9 apontado por pesquisadores da UnB como uma alternativa vi\u00e1vel para a constru\u00e7\u00e3o civil e uma boa maneira de reaproveitar os sacos de cimento, considerados altamente poluentes. &#8220;O saco de cimento \u00e9 um res\u00edduo que n\u00e3o \u00e9 absorvido em nenhum processo de produ\u00e7\u00e3o. Agregado \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o do kraftterra, ele \u00e9 muito bem-vindo&#8221;, aponta Raquel Naves Blumenschein, professora da FAU\/UnB e coordenadora do Laborat\u00f3rio do Ambiente Constru\u00eddo, Inclus\u00e3o e Sustentabilidade (Lacis).<br \/>\nSegundo o arquiteto, a grande caracter\u00edstica das fibras do papel kraft, depois da reciclagem, \u00e9 que elas s\u00e3o longas e, com isso, d\u00e3o mais liga ao composto. &#8220;O material ligante faz com que a retra\u00e7\u00e3o da terra depois da secagem do material diminua. Se a retra\u00e7\u00e3o for grande, o tijolo trinca, e isso n\u00e3o \u00e9 bom&#8221;, explica Buson.<br \/>\nNos ensaios feitos em laborat\u00f3rio, durante o mestrado na Universidade de Aveiros, em Portugal, o professor da UnB realizou diversos testes para avaliar a resist\u00eancia do kraftterra a impactos. O novo produto se mostrou vantajoso quando comparado ao tijolo comum &#8211; bloco de terra compactado (BTC), composto pela mistura de terra crua com cimento. &#8220;Observamos que o kraftterra melhora as propriedades f\u00edsicas e mec\u00e2nicas, tornando-se mais resistente \u00e0 compress\u00e3o, o que \u00e9 importante para sustentar uma constru\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o pesquisador. Al\u00e9m da resist\u00eancia, a produ\u00e7\u00e3o do kraftterra traz economia. Na pesquisa, Buson conseguiu diminuir pela metade o uso de cimento para a fabrica\u00e7\u00e3o dos blocos.<br \/>\nOutra performance de destaque no estudo foi a resist\u00eancia do kraftterra em rela\u00e7\u00e3o ao fogo. Os testes mostraram que as paredes de kraftterra, ao serem submetidas a calor constante de 200\u00baC, por duas horas, apresentaram varia\u00e7\u00e3o de 60\u00baC, enquanto as de tijolo comum essa mudan\u00e7a foi de 70\u00baC. &#8220;Ficamos receosos quanto \u00e0 resist\u00eancia ao fogo, devido a presen\u00e7a da fibra de papel. No entanto, os valores apresentados qualificam o kraftterra como um material corta-fogo&#8221;, comenta Buson. &#8220;Os pesquisadores que acompanharam os testes em Portugal n\u00e3o conseguiam acreditar quando viram os resultados de resist\u00eancia ao fogo do material&#8221;, completa.<br \/>\nPor\u00e9m, nos testes de absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, o produto apresentou cerca de 7,6% mais absor\u00e7\u00e3o que o tijolo comum. De acordo com Buson, esse aspecto torna a constru\u00e7\u00e3o mais suscet\u00edvel a infiltra\u00e7\u00f5es. A solu\u00e7\u00e3o achada, ent\u00e3o, foi a adi\u00e7\u00e3o da seiva da babosa \u00e0 composi\u00e7\u00e3o. &#8220;A seiva diminuiu a absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pelo material em 6%, em compara\u00e7\u00e3o ao tijolo de solo-cimento. Isso demonstra que a t\u00e9cnica \u00e9 vers\u00e1til, pois permite a modifica\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do material por meio da adi\u00e7\u00e3o de outras subst\u00e2ncias&#8221;, observa.<br \/>\nReciclagem<br \/>\nA maior vantagem do kraftterra, no entanto, tanto na opini\u00e3o do autor do estudo como na de outros pesquisadores da UnB, \u00e9 o fato de ele ajudar na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Isso porque evita que a embalagem de cimento seja jogada no lixo. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 um descarte correto para esses sacos, que acabam indo para aterros e lix\u00f5es, comprometendo a qualidade do solo e da \u00e1gua e at\u00e9 obstruindo bueiros&#8221;, explica Raquel Blumenschein.<br \/>\nBuson relata que, em ensaios laboratoriais, foi capaz de reciclar 130 sacos de cimento em um tonel de 220l, num per\u00edodo de apenas 15 minutos. &#8220;Uma pequena casa de dois c\u00f4modos, com 50m\u00b2, por exemplo, leva em torno de 15 mil tijolos. Na composi\u00e7\u00e3o desses tijolos, estariam 15 mil sacos de cimento reciclados. Ou seja, menos 15 mil sacos jogados na natureza&#8221;, comemora.<br \/>\nA aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica do kraftterra pode ser utilizada em v\u00e1rios outros m\u00e9todos de composi\u00e7\u00e3o de tijolos, como os blocos de terra compactado (BTC), os blocos de terra adensados, conhecidos como adobe, e a taipa de m\u00e3o. &#8220;Al\u00e9m de barata, a t\u00e9cnica \u00e9 simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em constru\u00e7\u00f5es populares&#8221;, afirma o especialista.<br \/>\nO professor da UnB ressalta que ainda \u00e9 cedo para a utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia nas obras. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 avaliar o comportamento do kraftterra em um canteiro experimental. &#8220;Seria irrespons\u00e1vel colocar o produto para a execu\u00e7\u00e3o de obras. \u00c9 preciso test\u00e1-lo primeiro em meio \u00e0s intemp\u00e9ries do clima&#8221;, explica.<br \/>\nFonte: Fapeam\/ Jornal da Ci\u00eancia<br \/>\nAscom CREA-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos materiais mais importantes nas constru\u00e7\u00f5es, o tijolo, agora, pode ser feito de papel. \u00c9 o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Bras\u00edlia (FAU\/UnB) M\u00e1rcio Buson. O especialista criou um bloco compactado feito a partir da mistura de terra com as fibras das embalagens de cimento, o papel kraft. &quot;Basicamente, eu pego o solo e incorporo essas fibras para formar o composto. Depois, estabilizo com um pouco de cimento para melhorar as propriedades finais do material&quot;, explica o professor.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-31635","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}