{"id":31697,"date":"2011-06-14T09:10:54","date_gmt":"2011-06-14T09:10:54","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"restos-da-agroindustria-sao-usados-para-criar-polimero-mais-resistente-31697","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/restos-da-agroindustria-sao-usados-para-criar-polimero-mais-resistente-31697\/","title":{"rendered":"Restos da agroind\u00fastria s\u00e3o usados para criar pol\u00edmero mais resistente"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\" \/><br \/>Pesquisadora da Unesp utiliza sisal para a produ\u00e7\u00e3o das nanofibras: produtos podem ser reciclados at\u00e9 10 vezes<br \/>\nNo Laborat\u00f3rio de Res\u00edduos da Faculdade de Agronomia da Unesp, a equipe de Alcides Le\u00e3o se dedica ao estudo do reaproveitamento de materiais descartados nos lixos urbano, industrial e agroindustrial. Quem vive nas grandes cidades nem sempre se d\u00e1 conta, mas a agroind\u00fastria descarta, diariamente, toneladas de casca de arroz, p\u00e9s de milho, hastes de trigo, cascas de coco e de banana, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de rejeitos org\u00e2nicos identificados cientificamente como lignocelulose. Esse lixo costuma ser queimado para &#8220;desaparecer&#8221;. O problema \u00e9 que o processo significa destruir oxig\u00eanio. O grupo passou, ent\u00e3o, a imaginar destinos mais nobres para o descarte agroindustrial. Uma alternativa imaginada foi sua transforma\u00e7\u00e3o em novos materiais. Ao longo de uma d\u00e9cada, o trabalho rendeu o desenvolvimento das nanofibras de celulose, produto j\u00e1 utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as pl\u00e1sticas para a ind\u00fastria automobil\u00edstica e com potencial para servir a \u00e1rea m\u00e9dica e odontol\u00f3gica.<br \/>\nAo testar as fibras naturais de res\u00edduos do cultivo de curuau\u00e1, abacaxi, cascas de banana e de coco, sisal e outras plantas em escala nanom\u00e9trica (bilion\u00e9sima parte do metro), Le\u00e3o e seus alunos verificaram que elas apresentavam resist\u00eancia similar \u00e0 das fibras de carbono e vidro. &#8220;Quando avaliamos as propriedades mec\u00e2nicas da nanocelulose (componente dessas fibras), come\u00e7amos a vislumbrar que ela poderiam ser mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o ou melhoramento de objetos de pl\u00e1stico renov\u00e1veis&#8221;, explica. Testes feitos em parceria com uma grande ind\u00fastria do setor petroqu\u00edmico mostraram que uma pe\u00e7a feita com a nanocelulose \u00e9 30 vezes mais leve e quatro vezes mais resistente do que uma produzida somente com pol\u00edmeros tradicionais. &#8220;Adicionamos 0,2% de nanofibra ao polipropileno fabricado pela empresa e o material apresentou aumento de resist\u00eancia de mais de 50%. Nas ruas, j\u00e1 temos carros que usam pe\u00e7as produzidas com nanocelulose&#8221;, detalha o pesquisador.<br \/>\nA equipe que pesquisa a nanofibra tamb\u00e9m conta com a parceria de cientistas de outros centros de excel\u00eancia, como a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Universidade de Toronto, no Canad\u00e1. O grupo multidisciplinar \u00e9 composto por agr\u00f4nomos, engenheiros, biocientistas ligados \u00e0 nanoci\u00eancia e at\u00e9 m\u00e9dicos veterin\u00e1rios. Em um trabalho investigativo, eles pesquisam tamb\u00e9m o uso da nanofibra em componentes para a ind\u00fastria aeron\u00e1utica, em aplica\u00e7\u00f5es para a biomedicina &#8211; o que inclui a confec\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses &#8211; e at\u00e9 para o tratamento de \u00e1guas polu\u00eddas por \u00f3leo. O desafio do pr\u00f3ximo bi\u00eanio \u00e9 produzir a nanofibra em escala de toneladas.<br \/>\nA maioria dos produtos pl\u00e1sticos produzidos pela ind\u00fastria petroqu\u00edmica s\u00e3o desenvolvidos a partir de fibras de carbono e de vidro. Atualmente, a nanofibra melhora pe\u00e7as j\u00e1 dispon\u00edveis no mercado, mas poder\u00e1 ser usada em breve na produ\u00e7\u00e3o de um superpl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel, por exemplo. O fator determinante da qualidade da fibra \u00e9 a flexibilidade. &#8220;A nanocelulose supera as propriedades mec\u00e2nicas da fibra de vidro. Agora, tentamos superar as de carbono, elemento t\u00e3o flex\u00edvel que \u00e9 mat\u00e9ria-prima da carca\u00e7a de carros de F\u00f3rmula 1 e de coletes \u00e0 prova de bala&#8221;, detalha Le\u00e3o.<br \/>\nMat\u00e9ria-prima<br \/>\nO impacto no meio ambiente sempre foi a principal preocupa\u00e7\u00e3o do grupo. As pe\u00e7as produzidas com as nanofibras de celulose podem ser recicladas pelo menos 10 vezes. \u00c9 claro que h\u00e1 uma queda natural da propriedade mec\u00e2nica, mas n\u00e3o a ponto de inviabilizar a reciclagem, segundo a doutoranda em nanoci\u00eancias e materiais avan\u00e7ados da UFABC Sivoney Ferreira de Souza. &#8220;O Brasil tem mat\u00e9ria-prima infinita para abastecer o mundo em termos de nanocelulose. Basta imaginar a quantidade di\u00e1ria de rejeitos agroindustriais descartados no pa\u00eds&#8221;, lembra.<br \/>\nUm quilo de nanocelulose pode produzir 100kg de pl\u00e1sticos leves e super-refor\u00e7ados. &#8220;A nanofibra extra\u00edda dos rejeitos agroindustriais tamb\u00e9m poder\u00e1 dar mais resist\u00eancia a diversos produtos, abrindo ainda mais o leque de sua aplica\u00e7\u00e3o. Acredito que, em um futuro pr\u00f3ximo, pe\u00e7as de a\u00e7o poder\u00e3o ser substitu\u00eddas por componentes feitos a partir da nanofibra de celulose&#8221;, adianta. A pesquisadora lembra ainda que, para a ind\u00fastria automobil\u00edstica, as partes produzidas com a nanocelulose proporcionaram mais seguran\u00e7a, reduziram o peso do ve\u00edculo e aumentaram a economia de combust\u00edvel. &#8220;J\u00e1 temos pesquisa para usar a nanocelulose na fabrica\u00e7\u00e3o de pinos met\u00e1licos para implantes odontol\u00f3gicos e uma s\u00e9rie de outros produtos da \u00e1rea de sa\u00fade&#8221;, revela.<br \/>\nRea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica<br \/>\nOs pol\u00edmeros s\u00e3o compostos de elevada massa molecular, resultantes de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas de polimeriza\u00e7\u00e3o (mol\u00e9culas menores se combinam quimicamente para formar mol\u00e9culas longas com a mesma composi\u00e7\u00e3o centesimal). Eles podem ser divididos em tr\u00eas grupos: termopl\u00e1sticos (o tipo mais encontrado no mercado e que permite a reciclagem), termoendurec\u00edveis (r\u00edgidos, fr\u00e1geis e muito est\u00e1veis a altera\u00e7\u00f5es de temperatura) e elast\u00f4meros (borrachas).<br \/>\nViabilidade econ\u00f4mica<br \/>\nNa maioria das vezes, a reciclagem de termopl\u00e1sticos n\u00e3o \u00e9 economicamente vi\u00e1vel devido aos baixos pre\u00e7os e densidade. Somente pl\u00e1sticos consumidos em massa, como o PE e PET, apresentam bom potencial econ\u00f4mico. Quando a reciclagem n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a alternativa \u00e9 queimar os pl\u00e1sticos, transformando-os em energia. Por\u00e9m, os que apresentam halog\u00eanio, como o PVC e o PTFE, geram gases t\u00f3xicos na queima.<br \/>\nFonte: M\u00fatua Caixa de Assist\u00eancia dos Profissionais do Crea<br \/>\nAscom Crea-AM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.&quot; A constata\u00e7\u00e3o foi feita em 1773 por Antoine Laurent Lavoisier, considerado o pai da qu\u00edmica. Mais de 200 anos se passaram e o Princ\u00edpio da Conserva\u00e7\u00e3o da Massa estabelecido pelo franc\u00eas se enquadra em aplica\u00e7\u00f5es que ele, muito provavelmente, nunca imaginou. Em pleno s\u00e9culo 21, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp), liderado pelo engenheiro agr\u00f4nomo e professor Alcides Le\u00e3o, conseguiu transformar res\u00edduos agroindustriais em mat\u00e9ria-prima para a fabrica\u00e7\u00e3o de superpl\u00e1sticos &#8211; mais leves, resistentes e ecologicamente corretos do que os pol\u00edmeros convencionais utilizados industrialmente. O objetivo dos cientistas \u00e9 dar um destino adequado a rejeitos que aparentemente n\u00e3o t\u00eam valor, mas que podem ajudar a tornar a economia mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-31697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}