{"id":33156,"date":"2014-03-31T14:16:16","date_gmt":"2014-03-31T14:16:16","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"e-preciso-renaturalizar-os-igarapes-da-nossa-cidade-afirma-professora-da-uea-33156","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/e-preciso-renaturalizar-os-igarapes-da-nossa-cidade-afirma-professora-da-uea-33156\/","title":{"rendered":"\u00b4\u00c9 preciso renaturalizar os igarap\u00e9s da nossa cidade\u00b4, afirma professora da UEA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not140331igarape_2.jpg\" \/><br \/>As   consequ\u00eancias trazidas pela mudan\u00e7a dos cursos de \u00e1guas e aterros   feitos nos igarap\u00e9s de Manaus e os resultados considerados in\u00f3cuos para a   recupera\u00e7\u00e3o desses cursos d\u2019\u00e1gua pelo Programa Social e Ambiental de   Manaus (Prosamim), foram o objeto da tese de doutorado intitulada   \u201cInjusti\u00e7a ambiental: caso Prosamim\u201d, elaborada pela professora de   Geografia Humana Selma Batista, da Universidade do Estado do Amazonas   (UEA), defendida na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).No   trabalho, Selma conclui que pelo volume de recursos usados, seria   poss\u00edvel ter realizado outras interven\u00e7\u00f5es capazes de evitar o que chama   de estrangulamento dos igarap\u00e9s, o que \u00e9 uma amea\u00e7a grave as 11 bacias   hidrogr\u00e1ficas. Ela lamenta que os R$ 930 milh\u00f5es usados pelo programa   n\u00e3o tenham servido para recuperar nenhum dos cerca de 150 cursos de \u00e1gua   existentes na cidade. Na verdade, disse ela, o governo usou o mesmo   m\u00e9todo usado no s\u00e9culo passado com a Cidade Flutuante, ignorando   completamente estudos e experi\u00eancias novas a respeito do tema   saneamento.Quais   as injusti\u00e7as sociais trazidas pelo Prosamim?Analisando alguns dados e   os impactos causados nas fam\u00edlias, que foram retiradas dos locais onde   viviam h\u00e1 muitos anos, identificamos que o que houve, de fato, foi   apenas a transfer\u00eancia do problema que afetou mais de 25 mil pessoas,   pois tanto as fam\u00edlias que permaneceram nos parques constru\u00eddos nas   \u00e1reas, quanto as transferidas para conjuntos habitacionais na Zona   Norte, continuam lan\u00e7ando esgotos em igarap\u00e9s sem qualquer tratamento.   Foi uma transfer\u00eancia do problema das bacias do Educandos e S\u00e3o Raimundo   para as do Tarum\u00e3 e <a href=\"http:\/\/Puraquequara.Com\" class=\"autohyperlink\">Puraquequara.Com<\/a>o foi feito o seu trabalho de pesquisa? Trabalhamos   com as fam\u00edlias residentes nos igarap\u00e9s, tentando identificar situa\u00e7\u00f5es   internas e externas de aspectos positivos e negativos em rela\u00e7\u00e3o aos   parques habitacionais e fizemos o mesmo no Nova Cidade, conjuntos   habitacional para onde foram levadas as fam\u00edlias.E o que foi importante nessa verifica\u00e7\u00e3o?Uma   coisa positiva do governo e prefeitura \u00e9 que ele tem trabalhado a   partir das bacias, isso \u00e9 importante. Mas vimos que o governo usou o   mesmo modelo aplicado na Cidade flutuante, no ano de 1965 do s\u00e9culo   passado, indenizando financeiramente as fam\u00edlias, ofertando casas ou   cedendo recursos para compra de casas.O que h\u00e1 de errado nisso?Al\u00e9m   do impacto causado por separar fam\u00edlias, vizinhos e coloc\u00e1-los em   locais sem escolas, postos de sa\u00fade e outros equipamentos urbanos, n\u00e3o   fez nada para salvar os igarap\u00e9s da bacia do Educandos e nem est\u00e1   fazendo pela do S\u00e3o Raimundo, onde est\u00e1 trabalhando. Na verdade, o   projeto, ao construir um aterro de cimento nas margens, impede a   permeabiliza\u00e7\u00e3o do solo. Ora, o fluxo dos igarap\u00e9s do Mindu,   Cachoeirinha e Belchior \u00e9 fonte da bacia hidrogr\u00e1fica amaz\u00f4nica, logo,   essa canaliza\u00e7\u00e3o dos igarap\u00e9s est\u00e1 afetando essas bacias. Moradores de   igarap\u00e9s como no Belchior, na Aparecida, relatam que agora as enchentes   s\u00e3o maiores naquele leito. Que alternativas poderiam ser aplicadas para sanear esses igarap\u00e9s?A   alternativa que est\u00e1 sendo usada em pa\u00edses, que \u00e9 a renaturaliza\u00e7\u00e3o das   \u00e1reas dos igarap\u00e9s. Isso \u00e9 poss\u00edvel. Na China, um viaduto foi posto   abaixo e, com projetos bem feitos, um curso d\u2019\u00e1gua voltou \u00e0 vida   natural. \u00c9 o que se chama de interven\u00e7\u00e3o urbana, demora, mas \u00e9 poss\u00edvel.   \u00c9 necess\u00e1rio pela import\u00e2ncia dos igarap\u00e9s. Poder\u00edamos criar um sistema   que desse navegabilidade aos igarap\u00e9s no transporte fluvial, garantindo   o retorno dos cursos de \u00e1gua em sua plenitude.\u00c9 importante tamb\u00e9m proteger as nascentes?Sim,   mas a base t\u00e9cnica usada pelo governo no Prosamim \u00e9 a mesma usada pelo   ex-governador Eduardo Ribeiro, proposta pelos ingleses, na mesma   sequ\u00eancia dos igarap\u00e9s, sem usar as pesquisas dos cientistas locais, que   investigam novas modelos habitacionais e de recupera\u00e7\u00e3o dos leitos de   rios. Nossa base t\u00e9cnica para tratar a bacia hidrogr\u00e1fica foi   neglicenciada, por isso chamamos de injusti\u00e7a socioambienal. Outro   problema \u00e9 o \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o por metais vindo do Distrito   Industrial.Corremos o risco de ficar sem \u00e1gua?Nunca   vai faltar \u00e1gua, o que vai faltar \u00e9 \u00e1gua em condi\u00e7\u00f5es de uso como   acontece na India. O que precisamos n\u00e3o \u00e9 cobrir os igarap\u00e9s, esconder e   aterrar como vem sendo feito h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, mas   renaturaliz\u00e1-los, pois isso \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.Fonte: Portal A Cr\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua tese de doutorado na USP, Selma conclui que pelo volume de recursos usados, seria poss\u00edvel ter realizado outras interven\u00e7\u00f5es capazes de evitar o que chama de estrangulamento dos igarap\u00e9s, o que \u00e9 uma amea\u00e7a grave as 11 bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-33156","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}