{"id":33914,"date":"2017-09-13T10:33:40","date_gmt":"2017-09-13T10:33:40","guid":{"rendered":""},"modified":"-0001-11-30T00:00:00","modified_gmt":"-0001-11-30T04:00:00","slug":"engenheiras-ocupam-espaco-em-canteiros-de-obras-mas-machismo-persiste-mostra-estudo-33914","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/engenheiras-ocupam-espaco-em-canteiros-de-obras-mas-machismo-persiste-mostra-estudo-33914\/","title":{"rendered":"Engenheiras ocupam espa\u00e7o em canteiros de obras, mas machismo persiste, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/img\/upload\/not1505313212.jpg\" \/><br \/>Entre 2002 e 2013, a presen\u00e7a de engenheiras nos canteiros de obra cresceu 149,3%, enquanto o aumento para engenheiros foi de 54,7%, somando ocupa\u00e7\u00f5es formais e informais. Mesmo assim, os homens seguem sendo maioria no ramo: em n\u00fameros gerais, cerca de 230 mil engenheiros civis estavam ocupados, sendo 190 mil homens e apenas 40 mil mulheres, de acordo com dados do PNAD\/IBGE de 2015.<br \/>\nApesar do crescimento da atua\u00e7\u00e3o das mulheres neste ambiente, as pr\u00e1ticas de machismo persistem. Falta de banheiro feminino, desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional e naturaliza\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio moral s\u00e3o algumas das dificuldades enfrentadas pelas engenheiras em canteiros de obras.<br \/>\nUma pesquisa elaborada pela soci\u00f3loga Maria Rosa Lombardi, da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, estudou rela\u00e7\u00e3o entre engenharia, trabalho e rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero na constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es em duas construtoras de habita\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte no estado de S\u00e3o Paulo. O estudo foi apresentado a uma plateia de 300 participantes do 11\u00ba Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), realizado em Curitiba de 6 a 9 de setembro.<br \/>\nA partir de 68 entrevistas, a pesquisadora conheceu a fundo a realidade de engenheiras e engenheiros que trabalhavam em outras construtoras e gerenciadoras de obras, integrantes de sindicatos patronais, associa\u00e7\u00e3o de fornecedores de materiais.<br \/>\nMaria Rosa Lombardi identificou quatro desafios principais enfrentados pelas engenheiras. O primeiro deles \u00e9 a lidar com a constante desconfian\u00e7a sobre a sua capacidade intelectual e compet\u00eancia t\u00e9cnica. \u201cA intelig\u00eancia das profissionais \u00e9 colocada sob suspeita e se apoia em uma concep\u00e7\u00e3o de inferioridade feminina\u201d, explica a pesquisadora.<br \/>\nFrente a isso, as engenheiras s\u00e3o levadas a \u201cse impor\u201d, \u201cser firmes\u201d e a \u201cter coragem\u201d, conforme explicitado nas entrevistas. \u201c[&#8230;] vai tentar te diminuir para dizer que voc\u00ea \u00e9 menos, que voc\u00ea n\u00e3o sabe por que \u00e9 mulher, s\u00f3 por conta disso. Voc\u00ea pode saber mais do que ele, mas ele vai tentar provar que ele \u00e9 melhor porque \u00e9 homem e voc\u00ea, mulher\u201d, disse uma das engenheiras entrevistadas pela pesquisadora.<br \/>\nOutro desafio diz respeito ao descr\u00e9dito sobre a habilidade para comandar equipes. \u201c\u00c9 a concep\u00e7\u00e3o de que \u2018mulheres n\u00e3o foram feitas para mandar\u2019, \u2018n\u00e3o sabem dirigir\u2019, que existe em toda a sociedade e se transforma em justificativa para dificultar ou impedir o acesso das mulheres a postos de poder e autoridade\u201d, afirma a pesquisadora.<br \/>\nAssim como em outras rela\u00e7\u00f5es de trabalho, a quest\u00e3o da maternidade \u00e9 encarada com um ponto negativo na atua\u00e7\u00e3o das engenheiras civis atuantes nos canteiros de obra. \u201cOuviu o relato de uma engenheira que teve filho, ficou um m\u00eas de licen\u00e7a, e depois voltou ao trabalho, fazendo um esfor\u00e7o de se desdobrar para conseguir tempo para amamentar, mas foi demitida seis meses depois, porque o chefe disse que era n\u00e3o era mais a mesma\u201d. Como rea\u00e7\u00e3o a essa realidade, ela aponta que as mulheres trabalham mais do que os homens e est\u00e3o sempre dispon\u00edveis.<br \/>\nO quarto desafio est\u00e1 relacionado \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio moral, apoiado na discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e, em s\u00edntese, de que as engenheiras s\u00e3o menos inteligentes e competentes que engenheiros. \u201cA banaliza\u00e7\u00e3o ou naturaliza\u00e7\u00e3o do ass\u00e9dio moral acontece porque os engenheiros e engenheiras de obra acreditam que o tratamento rude e desrespeitoso que recebem, as viol\u00eancias no trabalho, as cr\u00edticas e desqualifica\u00e7\u00f5es constantes, s\u00e3o \u2018assim mesmo\u2019\u201d, explica.<br \/>\nMais engenheiras nos canteiros de obras<br \/>\nSegundo a pesquisadora, o aumento do espa\u00e7o para as engenheiras nos \u00faltimos 15 anos se d\u00e1 pelo aumento da demanda por m\u00e3o de obra qualificada em engenharia durante o \u00faltimo ciclo de expans\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o vivido no Brasil. Al\u00e9m disso, outra mudan\u00e7a \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas na produ\u00e7\u00e3o e o aprofundamento da utiliza\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica. \u201cO trabalho ficou mais leve e gerou um volume de informa\u00e7\u00f5es e rotinas que passam a ser geridos na administra\u00e7\u00e3o dos canteiros e nos escrit\u00f3rios\u201d, explica a Maria Rosa Lombardi.<br \/>\nCongresso de engenheiros<br \/>\nO 11\u00ba Consenge ocorreu em Curitiba, com cerca de 300 participantes. O evento foi realizado pela Federa\u00e7\u00e3o Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), que tem sede no Rio de Janeiro, e pelo Sindicato dos Engenheiros do Paran\u00e1 (Senge-PR). Ao longo dos quatro dias, filiados aos 12 sindicatos que comp\u00f5em a Federa\u00e7\u00e3o, oriundos de todas as regi\u00f5es do Brasil, tiveram como debate central a defesa da engenharia e da soberania nacional.\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nTexto: Ednubia Ghisi (Senge-PR) Edi\u00e7\u00e3o: Camila Marins (Fisenge) Foto: Joka Madruga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Rosa Lombardi, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, apresentou o estudo em Congresso de Sindicatos de Engenheiros<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-33914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}