{"id":49444,"date":"2021-11-01T13:50:43","date_gmt":"2021-11-01T17:50:43","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=49444"},"modified":"2021-11-01T13:51:45","modified_gmt":"2021-11-01T17:51:45","slug":"usina-solar-leva-energia-limpa-a-comunidade-isolada-na-amazoni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/usina-solar-leva-energia-limpa-a-comunidade-isolada-na-amazoni\/","title":{"rendered":"Usina solar leva energia limpa a comunidade isolada na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_49445\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49445\" class=\"size-full wp-image-49445\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/usina.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/usina.jpg 1024w, https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/usina-980x654.jpg 980w, https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/usina-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><p id=\"caption-attachment-49445\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o: James Maciel\/Energisa<\/p><\/div>\n<p>Na comunidade ribeirinha de Vila Restaura\u00e7\u00e3o, no meio da floresta amaz\u00f4nica do Acre, fazer gelo \u00e9 uma grande novidade. Em setembro deste ano, os moradores passaram a ter acesso cont\u00ednuo \u00e0 energia el\u00e9trica pela primeira vez \u2014e congelar \u00e1gua \u00e9 s\u00f3 um dos h\u00e1bitos rec\u00e9m-adquiridos.<\/p>\n<p>Localizada na Reserva Extrativista do Alto Juru\u00e1, a vila est\u00e1 quase na fronteira com o Peru, a 557 km da capital Rio Branco. O trajeto at\u00e9 o munic\u00edpio mais pr\u00f3ximo \u00e9 feito apenas de barco \u2014e pode demorar at\u00e9 oito horas dependendo das condi\u00e7\u00f5es do rio.<\/p>\n<p>Num dos lugares mais remotos do Brasil, energia el\u00e9trica sempre foi a exce\u00e7\u00e3o. Mas um projeto do Grupo Energisa, maior empresa de capital nacional do setor, permitiu que a comunidade tivesse acesso \u00e0 eletricidade 24 horas por dia.<\/p>\n<p>A companhia instalou uma usina solar para atender aos 750 moradores da vila, que antes dependiam de um \u00fanico gerador a diesel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de poluente e barulhento, o gerador era suficiente para apenas tr\u00eas horas e meia de energia por dia, o que impedia a comunidade de ter coisas t\u00e3o triviais quanto gelo, como lembra Igor Nobre, 25.<\/p>\n<p>Nascido na Vila Restaura\u00e7\u00e3o, ele \u00e9 piloto de canoa e diz ter vivido 25 anos praticamente sem energia nenhuma. Segundo ele, era comum ficar longos per\u00edodos no no escuro total evido a problemas no motor do gerador. Um dos piores epis\u00f3dios durou tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Igor conta que sua esposa decidiu abrir um sal\u00e3o de beleza para atender \u00e0s mulheres da vila. &#8220;Ela \u00e9 cabeleireira agora que a energia chegou. Antes n\u00e3o tinha como, na hora do gerador, a tomada n\u00e3o aguentava ligar um secador ou uma chapinha.&#8221;<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da usina solar pela Energisa foi conclu\u00edda em setembro deste ano. O projeto custou R$ 20 milh\u00f5es e foi feito com recursos dos programas de pesquisa e desenvolvimento da companhia, que s\u00e3o regulados pela Aneel (Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica).<\/p>\n<p>A unidade de Vila Restaura\u00e7\u00e3o tem pot\u00eancia de 325 kWp (quilowatts-pico) e \u00e9 equipada com 580 pain\u00e9is fotovoltaicos, baterias de l\u00edtio para armazenar o excedente de energia e dois geradores \u2014movidos a diesel ou biodiesel\u2014 para situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas.<\/p>\n<p>De acordo com Ricardo Botelho, presidente Energisa, o projeto indica um caminho poss\u00edvel para um dos grandes desafios do setor el\u00e9trico: conectar pequenas comunidades no meio da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Dados de uma an\u00e1lise feita pelo Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente) mostram que mais de 990 mil brasileiros vivem sem acesso \u00e0 energia el\u00e9trica p\u00fablica na Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>&#8220;Nessas comunidades bem isoladas, n\u00e3o justifica, em grande maioria, construir uma linha de distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 eles. Por isso, n\u00f3s come\u00e7amos a examinar alternativas tecnol\u00f3gicas e ambientalmente adequadas para resolver essa quest\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo Botelho, a escolha de um local t\u00e3o complexo de ser acessado foi proposital. &#8220;N\u00f3s quer\u00edamos avaliar todas as condi\u00e7\u00f5es, talvez at\u00e9 as mais dif\u00edceis, para testar essa tecnologia.&#8221;<\/p>\n<p>A maior parte dos equipamentos, como placas solares, baterias e conversores, saiu de caminh\u00e3o de Uberl\u00e2ndia (MG) at\u00e9 Cruzeiro do Sul (AC), de onde seguiram de balsa at\u00e9 a comunidade.<\/p>\n<p>O deslocamento levava, em m\u00e9dia, 13 dias, seis na estrada e sete nos rios. Uma placa na entrada da usina resume a saga: mais de 10.000 km de transporte fluvial foram feitos.<\/p>\n<p>Menos de dois meses ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra, o resultado parece ter agradado \u00e0 empresa e aos moradores.<\/p>\n<p>Para o subprefeito de Vila Restaura\u00e7\u00e3o, El\u00e1dio Furtado, 47, a chegada da usina solar ajudou a tirar um peso de cima dos ombros. Al\u00e9m das dificuldades inerentes \u00e0 escassez energ\u00e9tica, ele diz que arrecadar o dinheiro para comprar o diesel era uma batalha.<\/p>\n<p>O gerador consumia 1.700 litros do combust\u00edvel por m\u00eas, sendo que 1.000 litros eram fornecidos pela prefeitura de Marechal Thaumaturgo (o munic\u00edpio mais pr\u00f3ximo), e os outros 700 eram divididos pela comunidade.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o cobrado variava. Alguns moradores pagavam quase R$ 60 por m\u00eas para ter tr\u00eas horas de energia di\u00e1rias. Hoje o valor m\u00e9dio da fatura gira em torno de R$ 30<\/p>\n<p>&#8220;Quem tinha s\u00f3 luz em casa pagava mais barato. Para quem tinha televis\u00e3o, geladeira, bomba de puxar \u00e1gua [do po\u00e7o artesiano], ficava mais caro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Francisco Barros, 36, conhecido como Babau, era um dos respons\u00e1veis por ligar o gerador \u00e0 noite. O hor\u00e1rio era sempre o mesmo: das 18h \u00e0s 21h30. &#8220;\u00c0s vezes eu deixava passar at\u00e9 cinco, dez minutos, mas n\u00e3o era o certo, n\u00e9?&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Babau mora na vila h\u00e1 17 anos e, atualmente, \u00e9 funcion\u00e1rio da subprefeitura. No entanto, esse \u00e9 apenas um dos trabalhos que ele faz.<\/p>\n<p>Entre os moradores, ele \u00e9 mais conhecido por ser o narrador oficial das partidas de futebol que acontecem aos domingos no est\u00e1dio da Sama\u00fama, o campo da comunidade.<\/p>\n<p>Babau narra freneticamente, ao estilo locutor de r\u00e1dio, e a chegada da energia tamb\u00e9m facilitou as coisas para ele, que agora n\u00e3o precisa mais comprar gasolina para abastecer o gerador port\u00e1til que alimentava sua caixa de som.<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Adriano Mendes Silva, diretor presidente da Energisa Acre, o projeto feito na Vila Restaura\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de uma usina solar. Segundo ele, a iniciativa \u00e9 sobretudo de sustentabilidade e integra\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 alguns meses atr\u00e1s, essas pessoas tinham um muro na frente delas e n\u00e3o conseguiam olhar para fora, em fun\u00e7\u00e3o das limita\u00e7\u00f5es do local onde moram. Elas n\u00e3o tinham acesso \u00e0 energia el\u00e9trica, ao mundo e \u00e0s informa\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a chegada da energia na vila, a Energisa tamb\u00e9m est\u00e1 estudando formas de viabilizar outros servi\u00e7os aos moradores. Uma parceria com a TIM levou internet e telefone para a comunidade. Agora o foco \u00e9 o saneamento b\u00e1sico e o abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para isso, a empresa encomendou um projeto executivo que ser\u00e1 entregue \u00e0s lideran\u00e7as pol\u00edticas locais, o que, segundo Botelho, pode facilitar a capta\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Outra iniciativa que a companhia est\u00e1 desenvolvendo \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao consumo consciente. Al\u00e9m de estimular o uso de aparelhos durante o dia, quando h\u00e1 gera\u00e7\u00e3o de energia solar, a Energisa trocou l\u00e2mpadas, refrigeradores e freezers de moradores por eletrodom\u00e9sticos mais eficientes, a fim de diminuir o desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>De acordo com Botelho, o projeto na Vila Restaura\u00e7\u00e3o at\u00e9 se encaixa na agenda ESG (sigla para boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) da companhia, mas n\u00e3o foi essa a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o falou &#8216;temos que carimbar isso aqui com o selo ESG&#8217;. Fizemos porque precisava ser feito. \u00c9 uma demanda, \u00e9 algo que a gente acha importante&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Raimundo Nogueira da Silva, 72, que o diga. Conhecido como seu Camur\u00e7a, ele chegou na vila h\u00e1 15 anos, quando nem gerador a comunidade tinha \u2014s\u00f3 lamparina.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m esperava um lugar desses, no meio da mata, ter uma energia de qualidade. \u00c9 uma ben\u00e7\u00e3o que a gente nunca imaginava&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>Com a instala\u00e7\u00e3o da usina, seu Camur\u00e7a p\u00f4de ter sua primeira geladeira e agora n\u00e3o v\u00ea motivo para morar em outro lugar. &#8220;Se me derem casa em Cruzeiro do Sul, eu n\u00e3o vou. Eu acho t\u00e3o bom aqui.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de levar energia el\u00e9trica a regi\u00f5es isoladas no meio da Amaz\u00f4nia, a Energisa est\u00e1 promovendo, em parceria com o MME (Minist\u00e9rio de Minas e Energia) e a Aneel, o desligamento de termel\u00e9tricas que n\u00e3o estavam conectadas ao sistema integrado do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O programa teve in\u00edcio em 2019 e a previs\u00e3o \u00e9 que, at\u00e9 2025, a empresa desative 19 usinas, sendo 13 em Rond\u00f4nia, cinco no Acre e uma no Par\u00e1. O total do investimento \u00e9 de R$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>No Acre, uma das principais metas \u00e9 eliminar a gera\u00e7\u00e3o termel\u00e9trica de Cruzeiro do Sul at\u00e9 2025. O munic\u00edpio \u00e9 o segundo maior do estado e consome quase 100 mil litros de \u00f3leo diesel por dia.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso objetivo \u00e9 levar sustentabilidade e energia ao estado do Acre, contribuindo para o seu desenvolvimento social, e logicamente, o desenvolvimento econ\u00f4mico que est\u00e1 atrelado a isso&#8221;, afirma Silva, diretor presidente da Energisa Acre.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na comunidade ribeirinha de Vila Restaura\u00e7\u00e3o, no meio da floresta amaz\u00f4nica do Acre, fazer gelo \u00e9 uma grande novidade. Em setembro deste ano, os moradores passaram a ter acesso cont\u00ednuo \u00e0 energia el\u00e9trica pela primeira vez \u2014e congelar \u00e1gua \u00e9 s\u00f3 um dos h\u00e1bitos rec\u00e9m-adquiridos. 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