{"id":49493,"date":"2021-11-03T15:09:56","date_gmt":"2021-11-03T19:09:56","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=49493"},"modified":"2021-11-03T15:09:56","modified_gmt":"2021-11-03T19:09:56","slug":"o-que-o-buraco-na-camada-de-ozonio-ensina-na-luta-contra-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/o-que-o-buraco-na-camada-de-ozonio-ensina-na-luta-contra-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"O que o buraco na camada de oz\u00f4nio ensina na luta contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_49496\" style=\"width: 886px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49496\" class=\"size-full wp-image-49496\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/nome.jpg\" alt=\"\" width=\"876\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/nome.jpg 876w, https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/nome-480x265.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 876px, 100vw\" \/><p id=\"caption-attachment-49496\" class=\"wp-caption-text\">Via Getty Images<\/p><\/div>\n<p>Especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes em dizer que estamos diante de um desafio sem precedentes com a\u00a0<strong>crise clim\u00e1tica<\/strong>. Apesar disso, existem exemplos de estrat\u00e9gias que podem ajudar a superar a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A governan\u00e7a global com uma boa dose de compromisso pol\u00edtico dos pa\u00edses s\u00e3o essenciais para a solu\u00e7\u00e3o. E \u00e9 isso o que est\u00e1 em jogo na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tudo-sobre\/cop-26\/\"><strong>COP26<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O evento anual \u2013 que teve uma pausa no ano passado, em raz\u00e3o da pandemia \u2013 re\u00fane chefes de estado de todo o planeta para debater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, causadas pelo aquecimento global, e o compromisso para a diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases do efeito estufa, como o di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>S\u00e3o poucos, mas importantes os casos anteriores de dilemas ambientais superados a partir de tal coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>O mais lembrado \u00e9 o caso do buraco na\u00a0<strong>camada de oz\u00f4nio<\/strong>, nos anos 1980.<\/p>\n<p>O professor Gustavo Bastos Lyra, da UFRRJ, explica que a emiss\u00e3o de componentes qu\u00edmicos, os chamados clorofluorcarbonetos (CFCs), combinavam com o oz\u00f4nio e acabavam diminuindo sua concentra\u00e7\u00e3o, deteriorando uma regi\u00e3o da estratosfera.<\/p>\n<p>Esse processo impactou principalmente os p\u00f3los do globo.<\/p>\n<h2>O que aconteceu no caso do buraco da camada de oz\u00f4nio<\/h2>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o dessa camada, que convencionou-se chamar de buraco na camada de oz\u00f4nio, gerou uma rea\u00e7\u00e3o social porque ela \u00e9 respons\u00e1vel pela absor\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta. Por ser muito energ\u00e9tica, esta radia\u00e7\u00e3o causa queimaduras e problemas de sa\u00fade para os seres humanos, entre eles o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Presente em aeross\u00f3is e em mecanismos de refrigera\u00e7\u00e3o, a substitui\u00e7\u00e3o dos CFCs pelos Hidrofluorcarbonetos (HFCs), possibilitou uma retra\u00e7\u00e3o do efeito. \u201cHoje ele n\u00e3o \u00e9 levado \u00e0s discuss\u00f5es como um dos grandes problemas. De certa forma, considera-se resolvido.\u201d, explicou Lyra.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7as de uso dos CFCs para os HFCs foi acordada atrav\u00e9s da Conven\u00e7\u00e3o de Viena para a Prote\u00e7\u00e3o da Camada de Oz\u00f4nio, um acordo ambiental multilateral firmado em 1985 e que entrou em a\u00e7\u00e3o no ano de 1988, com o Protocolo de Montreal \u2013 assinado, por\u00e9m n\u00e3o ratificado pelo Brasil.<\/p>\n<p>Assim como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o buraco na camada de oz\u00f4nio \u00e9 um problema global que dependia de um esfor\u00e7o em conjunto, por isso a necessidade de uma conven\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o teve \u00eaxito por existir tecnologia dispon\u00edvel e vi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os gases que causavam o problema eram concentrados em poucas aplica\u00e7\u00f5es e j\u00e1 havia pesquisas em andamento para a substitui\u00e7\u00e3o sem o cloro. \u201cFoi necess\u00e1rio basicamente trocar um g\u00e1s pelo outro, mas a infraestrutura era a mesma. \u00c9 como mudar de uma lata de a\u00e7o para uma de alum\u00ednio. A log\u00edstica continua toda igual\u201d, analisa Emilio La Rovere, professor da Coppe\/UFRJ, e membro do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/\">Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/a>\u00a0(IPCC).<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que o Protocolo de Montreal teve um impacto positivo n\u00e3o s\u00f3 na solu\u00e7\u00e3o do buraco na camada de oz\u00f4nio, como \u00e9 tamb\u00e9m um instrumento aliado para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em 2019, com a Emenda de Kigali, o Protocolo de Montreal criou metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es para a fam\u00edlia dos HFCs, que, apesar de serem menos danosos para a camada de oz\u00f4nio, ainda contribuem para o aquecimento global.<\/p>\n<p>\u201cVai ser muito importante essa estrutura que j\u00e1 funciona dando uma m\u00e3ozinha para o clima. Existe uma estrutura de governan\u00e7a de contato e debate com setores da ind\u00fastria que usam esses gases\u201d, avalia Stela Herschmann, especialista em pol\u00edtica do clima no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/\">Observat\u00f3rio do Clima<\/a>.<\/p>\n<h2>Mercado a favor do clima<\/h2>\n<p>Diferente do problema da camada de oz\u00f4nio, que tinha causas mais focadas, a crise clim\u00e1tica \u00e9 impulsionada por qualquer atividade da nossa sociedade.<\/p>\n<p>Rovere explica que os gases s\u00e3o emitidos no transporte, agricultura, com\u00e9rcio, servi\u00e7o, e isso dificulta o problema.<\/p>\n<p>\u201cBasicamente, qualquer coisa que a gente fa\u00e7a emite gases. At\u00e9 esta conversa que estamos tendo agora\u201d, diz ele durante a videochamada. Para o pesquisador, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a economia jogar a favor com o mercado de carbono.<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o do mercado de carbono vem de um problema enfrentado nos Estados Unidos, com \u00f3xidos de enxofre e nitrog\u00eanio, poluentes atmosf\u00e9ricos locais que causavam a chuva \u00e1cida, nos anos 80.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o dos grandes Lagos Canadenses chegou a receber a polui\u00e7\u00e3o devido ao vento, provocando um problema de n\u00edvel regional, intermedi\u00e1rio, entre a polui\u00e7\u00e3o local e global, solucionado atrav\u00e9s de cotas que estimularam um mercado baseado nas emiss\u00f5es<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os Estados Unidos criaram um limite para as empresas, que tinham uma cota m\u00e1xima, diminu\u00edda a cada ano.<\/p>\n<p>\u201cA op\u00e7\u00e3o era se virar para reduzir ou comprar de alguma empresa que conseguiu reduzir e estava com alguma folga, gerando uma flexibilidade que era bem-vinda ao mercado. E isso foi admiravelmente resolvido\u201d, conta Rovere.<\/p>\n<p>O exemplo inspirador hoje \u00e9 aplicado em mais de 50 pa\u00edses de alguma forma, com a precifica\u00e7\u00e3o de carbono \u2013 ao atribuir uma penaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que pode ser via mercado de carbono, com cotas, ou atrav\u00e9s de sobretaxa em derivados de petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.clima2030.com.br\/publica%C3%A7%C3%B5es\">iniciativa Clima e Desenvolvimento<\/a>\u00a0produziu um estudo de descarboniza\u00e7\u00e3o para o Brasil, a ser apresentado na COP26, e a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que seja criado um mercado de carbono para a ind\u00fastria e que para os demais setores da economia como agricultura, com\u00e9rcio, servi\u00e7os e transportes, exista uma sobretaxa a partir das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Desta forma, haveria um est\u00edmulo para estas \u00e1reas fazerem a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. A ideia n\u00e3o seria aumentar a carga de impostos, mas que a receita seja usada para abater em outros encargos sociais, como os que incidem na contrata\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, incentivando o trabalho formal, e usar uma parte da arrecada\u00e7\u00e3o para transfer\u00eancia de renda destinada a fam\u00edlias abaixo da linha da pobreza, por exemplo.<\/p>\n<p>Rovere participou de uma comiss\u00e3o sobre precifica\u00e7\u00e3o de carbono liderada por Joseph Stiglitz, vencedor do pr\u00eamio Nobel de Economia, e por Nicholas Stern, que reuniu 13 especialistas, ap\u00f3s o Acordo de Paris.<\/p>\n<p>O objetivo do grupo era calcular o pre\u00e7o para for\u00e7ar o mercado a cumprir as metas do acordo.<\/p>\n<p>De acordo com a an\u00e1lise, o pre\u00e7o da tonelada de CO2 precisaria chegar a 2030 entre 50 e 100 d\u00f3lares. No mercado europeu, a tonelada chegou a ser comercializada este ano a 50 euros, em julho.<\/p>\n<h2>Diminui\u00e7\u00e3o do desmatamento e das queimadas<\/h2>\n<p>Para termos cr\u00e9ditos de carbono e promover uma economia verde, \u00e9 preciso retomar \u00edndices de emiss\u00e3o que atingimos em meados dos anos 2000.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o Brasil tinha o\u00a0<a href=\"http:\/\/redd.mma.gov.br\/images\/central-de-midia\/pdf\/artigos\/enredd-ppcdam.pdf\">Plano de A\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal<\/a>\u00a0(PPCDAm), que integrava os minist\u00e9rios em v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de comando e controle.<\/p>\n<p>O programa, um dos maiores respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o de 83% no desmatamento entre 2004 e 2021, sofreu um desmonte, na avalia\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia foi anunciado o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/conheca-a-vice-presidencia\/nota-a-imprensa\/anexo-ao-resumo-informativo-no-3_de-29-5-2020.pdf\">Plano Nacional para o Controle do Desmatamento Ilegal e Recupera\u00e7\u00e3o da Vegeta\u00e7\u00e3o Nativa<\/a>, sem metas, prazos ou publica\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio Oficial.<\/p>\n<p>\u201cA gente tinha sat\u00e9lites fazendo o monitoramento da Amaz\u00f4nia, essas ag\u00eancias que fazem a fiscaliza\u00e7\u00e3o indo a campo aplicando multas, o Fundo Amaz\u00f4nia apoiando fortalecendo \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o, uma lista que vedava financiamento a munic\u00edpios campe\u00f5es de desmatamento, e a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, por exemplo. Esse conjunto de pol\u00edticas, que depois tamb\u00e9m foram aplicadas ao Cerrado, conseguiram diminuir drasticamente o desmatamento na Amaz\u00f4nia. Tivemos uma redu\u00e7\u00e3o de 83% no desmatamento e at\u00e9 um crescimento do PIB agr\u00edcola, mostrando que n\u00e3o tem incompatibilidade entre essas duas coisas\u201d, explica Herschman, do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Para a especialista, este \u00e9 um exemplo de pol\u00edtica p\u00fablica que foi testada e mostra que o grande problema de emiss\u00e3o do Brasil j\u00e1 sabemos como resolver, que \u00e9 o desmatamento.<\/p>\n<p>Diferente de outros pa\u00edses, n\u00e3o precisamos de uma grande transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para diminuir a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa. Temos as ferramentas, mas \u00e9 preciso compromisso pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cCom o Brasil zerando o desmatamento ilegal, isso j\u00e1 representaria quase metade das emiss\u00f5es brasileiras. Precisamos usar uma pol\u00edtica que a gente j\u00e1 conhece e sabe fazer, e controlar uma coisa que \u00e9 um crime\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7a de consci\u00eancia<\/h2>\n<p>O compromisso pol\u00edtico demanda uma mudan\u00e7a de consci\u00eancia de toda a sociedade. Para o economista Sergio Besserman, \u00e0 frente do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.climaterealityproject.org.br\/\">The Climate Reality Project Brasil<\/a>, iniciativa global fundada pelo ex-vice presidente americano Al Gore, os mecanismos globais de governan\u00e7as ainda n\u00e3o s\u00e3o ideais. Eles dependem de compromissos assumidos pelos pa\u00edses, de forma volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Besserman cita o livro \u201cColapso \u2013 Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso\u201d, de Jared Diamond, para lembrar que na hist\u00f3ria da humanidade j\u00e1 vivemos situa\u00e7\u00e3o de crise ambiental. Uma delas seria o exterm\u00ednio da civiliza\u00e7\u00e3o na Ilha de P\u00e1scoa, por escassez de recursos naturais. At\u00e9 aqui, para o especialista, o melhor exemplo de esfor\u00e7o global seria o de at\u00e9 ent\u00e3o evitarmos uma guerra nuclear.<\/p>\n<p>Agora, todas as sociedades precisam transitar para uma economia de baixo carbono. Ele lembra que metade dos gases foram emitidos nos \u00faltimos 30 anos, mesmo per\u00edodo em que desenvolvemos uma ci\u00eancia robusta para diagnosticar e apresentar solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p>Besserman cita um ditado grego que diz que \u201cuma sociedade cresce quando homens plantam \u00e1rvores para dar sombra que eles nunca v\u00e3o ver\u201d. Este seria o tipo de consci\u00eancia que dever\u00edamos ter. Para ele, governos precisam pensar em um sistema de incentivos e desincentivos para impulsionar a transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 que cada gera\u00e7\u00e3o vive sua vida e isso tudo agravou porque o nosso tempo est\u00e1 acelerado. \u00c9 tudo muito r\u00e1pido. O CEO depende do balan\u00e7o trimestral para manter o seu cargo. Ele n\u00e3o vai pensar em diminuir as emiss\u00f5es de g\u00e1s em 15 anos. Enquanto isso, os governantes est\u00e3o de olho na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, de quatro em quatro anos, e n\u00e3o daqui a 20 ou 30, quando talvez n\u00e3o estejam mais vivos. Precisamos expandir a consci\u00eancia para um tempo mais longo\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Um discurso que vai ao encontro ao dos povos origin\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p>Samela Sater\u00e9 Maw\u00e9, comunicadora da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), explica que os ind\u00edgenas e os ribeirinhos, os mais afetados com a crise clim\u00e1tica, j\u00e1 sentem os impactos.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, este ano, as popula\u00e7\u00f5es enfrentaram grandes cheias e agora v\u00e3o lidar com per\u00edodos de seca, que impactam atividades como o ro\u00e7ado e a pesca:<\/p>\n<p>\u201cA gente v\u00ea que as terras ind\u00edgenas demarcadas s\u00e3o as mais preservadas e defendemos com a nossa vida, mas as decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o tomadas por n\u00f3s. N\u00e3o temos poder de falar basta e estamos morrendo\u201d, explica ela ao criticar os processos de decis\u00e3o que n\u00e3o envolvem a consulta pr\u00e9via de ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n<p>Samela defende que \u00e9 preciso que as empresas, as grandes emissoras de gases do efeito estufa, tenham consci\u00eancia e desenvolvam a\u00e7\u00f5es para evitar os impactos da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ind\u00edgena enxerga que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o sem a queda do desmatamento e critica pol\u00edticas de neutraliza\u00e7\u00e3o baseada na compensa\u00e7\u00e3o. \u201cO que foi queimado n\u00e3o volta atr\u00e1s. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 causar o desmatamento e fazer o replantio. A floresta n\u00e3o se renova assim.\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Parafraseando o autor ind\u00edgena Davi Kopenawa, ela diz que os povos origin\u00e1rios est\u00e3o \u201csegurando o c\u00e9u\u201d h\u00e1 muito tempo para os n\u00e3o-brancos, mas \u00e9 preciso que todos defendam as lutas ind\u00edgenas, que entende como a pr\u00f3pria luta pelo meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o podem se importar apenas quando s\u00e3o afetadas diretamente, quando o c\u00e9u de S\u00e3o Paulo fica preto. Elas t\u00eam que ter a responsabilidade de colocar pessoas no poder comprometidas com o ser humano e a pauta coletiva, que \u00e9 cuidar do meio ambiente e do territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: CNN Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos principais s\u00edmbolos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foi enfrentado; agora, na COP26, l\u00edderes buscam por mais coopera\u00e7\u00e3o internacional para sanar outros problemas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":49496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1,102],"tags":[],"class_list":["post-49493","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49493"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49493\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49498,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49493\/revisions\/49498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}