{"id":49563,"date":"2021-11-08T15:01:24","date_gmt":"2021-11-08T19:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=49563"},"modified":"2021-11-08T15:01:24","modified_gmt":"2021-11-08T19:01:24","slug":"desenvolvimento-economico-e-sustentavel-ganha-forca-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/desenvolvimento-economico-e-sustentavel-ganha-forca-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento econ\u00f4mico e sustent\u00e1vel ganha for\u00e7a na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_49564\" style=\"width: 378px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-49564\" class=\" wp-image-49564\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/WhatsApp-Image-2021-11-08-at-14.58.19-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"245\" \/><p id=\"caption-attachment-49564\" class=\"wp-caption-text\">OSVALDO FORTE\/ESTADAO<\/p><\/div>\n<p>No in\u00edcio de 2022, quatro\u00a0<strong>comunidades amaz\u00f4nicas<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>come\u00e7ar\u00e3o a produzir seu pr\u00f3prio\u00a0<strong>chocolate<\/strong>. Embalado, com um nome escolhido por elas no r\u00f3tulo, feito como o\u00a0<strong>cacau local<\/strong>, com origem rastre\u00e1vel e carregando a hist\u00f3ria e os valores da floresta. Trata-se de um passo a mais em dire\u00e7\u00e3o a um processo de transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, agrega\u00e7\u00e3o de valor a seus produtos e inclus\u00e3o no mundo via desenvolvimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto o mundo discute formas de diminuir os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, projetos como esse, com potencial de unir desenvolvimento verde e renda na maior floresta tropical do mundo, se colocam em marcha no Brasil. \u00c0s margens de qualquer pol\u00edtica p\u00fablica, apontam para uma poss\u00edvel sa\u00edda para a enrascada ambiental atual.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma semana que l\u00edderes mundiais, cientistas e negociadores internacionais tateiam uma sa\u00edda poss\u00edvel. Reunidos em\u00a0<strong>Glasgow<\/strong>, na Esc\u00f3cia, na\u00a0<strong>COP-26<\/strong>, a\u00a0<strong>c\u00fapula do clima da ONU<\/strong>, procuram consensos sob a press\u00e3o da urg\u00eancia.<\/p>\n<h3>Chocolate<\/h3>\n<p>Distante milhares de quil\u00f4metros do Reino Unido, as comunidades que produzem seus pr\u00f3prios chocolates est\u00e3o no Par\u00e1. S\u00e3o comunidades ribeirinha, extrativista, quilombola e uma gerida por mulheres trabalhadoras. O sucesso n\u00e3o vai ocorrer do dia para a noite, mas ser\u00e1 resultado de um longo processo de prepara\u00e7\u00e3o, treinamento, inclus\u00e3o e autonomia desenvolvido pelo projeto Amaz\u00f4nia 4.0, que na \u00faltima semana se transformou em funda\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 resultado do trabalho dos irm\u00e3os Carlos Nobre, climatologista, e Ismael Nobre, bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>O foco \u00e9 manter a floresta em p\u00e9 e desenvolver economicamente a regi\u00e3o pela tecnologia, intelig\u00eancia artificial e do que h\u00e1 de mais moderno e acess\u00edvel. Ismael explica que o modelo se baseia em capacitar as comunidades para usar a tecnologia e levar um modelo de biof\u00e1bricas para a floresta. &#8220;Hoje, o quilo do cacau \u00e9 vendido a R$ 15, \u00e9 negociado na Bolsa de Nova York. Mas, se n\u00e3o vendermos a mat\u00e9ria-prima assim e agregarmos valor em um produto com r\u00f3tulo local, com a hist\u00f3ria da comunidade, da floresta, isso pode ir de R$ 200 a R$ 300 o quilo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano que vem, esse modelo ser\u00e1 colocado a prova. &#8220;N\u00e3o d\u00e1 para esperar mais 30 anos em um processo que n\u00e3o coloque a floresta como o principal ativo da Amaz\u00f4nia&#8221;, diz Ismael. Para ele, esse norte poderia ser perseguido por uma pol\u00edtica de estado no Brasil, mas ele n\u00e3o conta com isso. &#8220;Formatamos o projeto para funcionar sem a participa\u00e7\u00e3o do governo. N\u00e3o podemos depender da pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<h3>Mais projetos<\/h3>\n<p>Ao Amaz\u00f4nia 4.0 se somar\u00e1 um projeto a ser lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira, 9, na COP-26. Desenvolvido pela organiza\u00e7\u00e3o Uma Concerta\u00e7\u00e3o Pela Amaz\u00f4nia, uma rede de mais de 400 l\u00edderes, o objetivo \u00e9 mudar a vis\u00e3o do Brasil sobre a regi\u00e3o e transformar a floresta em ativo econ\u00f4mico. A rede \u00e9 formada por representantes dos setores p\u00fablico e privado, academia e sociedade civil, reunida para buscar propostas e projetos para a floresta e as pessoas que vivem na regi\u00e3o. O primeiro passo foi criar uma base de conhecimento sistematizado da regi\u00e3o, que vai de educa\u00e7\u00e3o a cultura, de infraestrutura ao uso da terra, de neg\u00f3cios a coopera\u00e7\u00e3o internacional. &#8220;O que est\u00e1 sendo feito \u00e9 pegar tudo o que existe e est\u00e1 dando certo e mostrar que \u00e9 poss\u00edvel ter converg\u00eancia&#8221;, diz a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que faz parte da rede.<\/p>\n<p>Foram montados grupos de trabalho orientados com foco em temas como bioeconomia, engajamento do setor privado, juventude e ordenamento do territ\u00f3rio. Nesses n\u00facleos passaram a discutir como ampliar projetos-chave para a regi\u00e3o. N\u00e3o se trata de valorizar apenas o que j\u00e1 existe, mas de levar inova\u00e7\u00f5es em pol\u00edticas ambientais, sociais e econ\u00f4micas e reconhecer a import\u00e2ncia da forma como os povos locais se organizam. &#8220;Qualquer projeto de desenvolvimento tem que respeitar o desejo da popula\u00e7\u00e3o (para a Amaz\u00f4nia), principalmente da local&#8221;, diz o ex-ministro da Fazenda\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/joaquim-levy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"115\" data-m=\"{&quot;i&quot;:115,&quot;p&quot;:107,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:8}\"><strong>Joaquim Levy<\/strong><\/a>, que enxerga possibilidades grandes para a regi\u00e3o e se dedica a estudar, por exemplo, o mercado de cr\u00e9dito de carbono \u2013 um dos temas-chave em discuss\u00e3o em Glasgow.<\/p>\n<h3>O desafio<\/h3>\n<p>O desafio, diz Levy, \u00e9 levar para a regi\u00e3o as inova\u00e7\u00f5es sem afetar a floresta. Ele cita o exemplo do dend\u00ea e da possibilidade de desenvolver biocombust\u00edvel para a avia\u00e7\u00e3o a partir do fruto sem ter que derrubar a floresta. &#8220;Tem gente que gosta e tem gente que n\u00e3o gosta da ideia, mas a avia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai passar pela eletrifica\u00e7\u00e3o das aeronaves. Mas isso vai levar um tempo&#8221;, diz. &#8220;Enquanto isso, \u00e9 poss\u00edvel criar um mercado, uma janela para o investimento em um combust\u00edvel que n\u00e3o e f\u00f3ssil. A oportunidade existe.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto isso, como mostrou o\u00a0<strong>Estad\u00e3o\u00a0<\/strong>em setembro, a Cooperativa Agr\u00edcola Mista, com 172 produtores rurais de Tom\u00e9-A\u00e7u, 240 quil\u00f4metros ao sul de Bel\u00e9m, j\u00e1 explora recursos da Amaz\u00f4nia e produz polpa de fruta, pimenta-do-reino e cacau. Fatura R$ 46,5 milh\u00f5es anuais.<\/p>\n<h3>Nasce mercado em que se paga por servi\u00e7os ambientais<\/h3>\n<p>Da necessidade de manter a floresta em p\u00e9, nasce outro mercado, o de cr\u00e9dito de carbono e o pagamento por servi\u00e7os ambientais. Como o Estad\u00e3o mostrou na semana passada, projetos de remunera\u00e7\u00e3o de produtores rurais que protegem as \u00e1reas nativas no Norte e Centro-Oeste do Brasil j\u00e1 est\u00e3o em marcha. A aprova\u00e7\u00e3o do CPRVerde, certid\u00e3o de cr\u00e9dito sustent\u00e1vel impulsionou um mercado estimado pelo governo federal em R$ 30 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n<p>O projeto passa pela mudan\u00e7a na forma como a popula\u00e7\u00e3o encara a Amaz\u00f4nia. A floresta n\u00e3o pode ser um problema, mas a solu\u00e7\u00e3o. &#8220;Minha vontade \u00e9 que o brasileiro olhe para a Amaz\u00f4nia da forma como o Su\u00ed\u00e7o olha para os Alpes. Precisa ser parte da identidade nacional&#8221;, diz Roberto Waack, que \u00e9 atualmente coordenador da rede Uma Concerta\u00e7\u00e3o Pela Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Fonte: Estad\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de 2022, quatro\u00a0comunidades amaz\u00f4nicas\u00a0come\u00e7ar\u00e3o a produzir seu pr\u00f3prio\u00a0chocolate. 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