{"id":54444,"date":"2022-05-26T12:48:13","date_gmt":"2022-05-26T16:48:13","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=54444"},"modified":"2022-05-26T12:53:05","modified_gmt":"2022-05-26T16:53:05","slug":"apos-uma-decada-debate-sobre-composicao-do-sol-esta-chegando-ao-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/apos-uma-decada-debate-sobre-composicao-do-sol-esta-chegando-ao-fim\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s uma d\u00e9cada, debate sobre composi\u00e7\u00e3o do Sol est\u00e1 chegando ao fim"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_54445\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-54445\" class=\" wp-image-54445\" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/3fcc8a5f-b3fa-4e7b-8a00-5e7518e03906.jpg\" alt=\"\" width=\"715\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/3fcc8a5f-b3fa-4e7b-8a00-5e7518e03906.jpg 715w, https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/3fcc8a5f-b3fa-4e7b-8a00-5e7518e03906-480x270.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 715px, 100vw\" \/><p id=\"caption-attachment-54445\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Internet<\/p><\/div>\n<p>Parece que uma das maiores inconsist\u00eancias nos modelos atuais sobre a composi\u00e7\u00e3o do Sol acabou de ser resolvida. O problema conhecido como \u201ccrise da abund\u00e2ncia solar\u201d incomoda os cientistas h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada \u2014 eles encontram os elementos qu\u00edmicos no Sol em quantidades diferentes do que a teoria prev\u00ea. Agora, um novo estudo obteve um resultado mais pr\u00f3ximo ao que todos esperavam.<\/p>\n<p>Para conhecer o Sol, os astr\u00f4nomos usam v\u00e1rios recursos, mas tr\u00eas deles s\u00e3o fundamentais: a espectroscopia para medir a quantidade de cada elemento na luz solar, os dados helioss\u00edsmicos (similares aos dados s\u00edsmicos da Terra) e, claro, a teoria j\u00e1 bem estabelecida sobre a composi\u00e7\u00e3o das estrelas.<\/p>\n<p>Outro modo valioso de estudar a composi\u00e7\u00e3o do Sol \u00e9 analisando os elementos qu\u00edmicos presentes em asteroides antigos do Sistema Solar, j\u00e1 que eles carregam parte do material solar de bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A espectroscopia \u00e9 muito importante para descobrir a composi\u00e7\u00e3o de estrelas, como o Sol. O m\u00e9todo consiste em observar a luz emitida pelo objeto e procurar por linhas de absor\u00e7\u00e3o, s\u00e3o relacionadas aos elementos presentes na atmosfera da nossa estrela. Quando as ondas de luz passam por esses elementos, acabam sendo modificadas por eles, como se fosse uma impress\u00e3o digital em uma cena de crime.<\/p>\n<p>Leituras espectrais da d\u00e9cada de 1980 pareciam s\u00f3lidas o suficiente para sabermos a composi\u00e7\u00e3o do Sol e a quantidade de elementos como o oxig\u00eanio. Nossa estrela seria formada principalmente de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio, com apenas meros vest\u00edgios de elementos mais pesados (ou seja, qualquer outro da tabela peri\u00f3dica).<\/p>\n<p>Isso parecia consistente com os modelos, j\u00e1 que estrelas pequenas como o Sol n\u00e3o conseguem fundir o h\u00e9lio em elementos mais pesados. Por outro lado, uma certa quantidade de oxig\u00eanio deveria estar l\u00e1. Contudo, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, os cientistas fizeram novas medi\u00e7\u00f5es e encontraram uma quantidade de oxig\u00eanio muito inferior \u00e0 prevista.<\/p>\n<p>Outros problemas come\u00e7aram a aparecer em novas medi\u00e7\u00f5es, como as an\u00e1lises helioss\u00edsmicas, que fornecem informa\u00e7\u00f5es altamente precisas sobre a estrutura interior do Sol. Os resultados dessas leituras estavam em desacordo com os modelos padr\u00e3o do Sol: a regi\u00e3o convectiva (onde, dentro da estrela, a mat\u00e9ria sobe e desce devido \u00e0 convex\u00e3o), era consideravelmente maior do que o modelo padr\u00e3o previsto.<\/p>\n<p>De acordo com Ekaterina Magg, uma das autoras do novo estudo, a equipe descobriu que \u201co Sol cont\u00e9m 26% mais elementos mais pesados \u200b\u200bque o h\u00e9lio do que estudos anteriores haviam deduzido\u201d. O n\u00famero ainda \u00e9 muito pequeno em compara\u00e7\u00e3o ao hidrog\u00eanio e h\u00e9lio, mas representa um aumento significativo. No caso do oxig\u00eanio, especificamente, o aumento foi quase de 15%.<\/p>\n<p>Esses novos valores est\u00e3o em boa concord\u00e2ncia com a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos meteoritos primitivos que vieram de asteroides formados no in\u00edcio do Sistema Solar. Isso significa que a quantidade de elementos pesados dessas rochas corresponde \u00e0 abund\u00e2ncia desses mesmos elementos detectados no Sol.<\/p>\n<p>Por fim, quando os novos valores s\u00e3o usados nos par\u00e2metros dos modelos atuais de estrutura e evolu\u00e7\u00e3o solar, a discrep\u00e2ncia surgida na \u201ccrise da abund\u00e2ncia solar\u201d desaparece \u2014 inclusive dos modelos de medi\u00e7\u00f5es helioss\u00edsmicas. Tamb\u00e9m condizem com as medi\u00e7\u00f5es de neutrinos solares, e com a luminosidade e raio de nossa estrela.<\/p>\n<p>A modelagem com os par\u00e2metros corretos deve tamb\u00e9m ajudar os astr\u00f4nomos em estudos de outras estrelas. O estudo foi publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n<p>Fonte: Astronomy &amp; Astrophysics, Max Plank Society<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro modo valioso de estudar a composi\u00e7\u00e3o do Sol \u00e9 analisando os elementos qu\u00edmicos presentes em asteroides antigos do Sistema Solar, j\u00e1 que eles carregam parte do material solar de bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":54445,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[252],"tags":[],"class_list":["post-54444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inovacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54444"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54446,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54444\/revisions\/54446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}