{"id":56590,"date":"2022-08-30T13:57:10","date_gmt":"2022-08-30T17:57:10","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/?p=56590"},"modified":"2022-08-30T13:57:10","modified_gmt":"2022-08-30T17:57:10","slug":"tatuzoes-com-os-dias-contados-como-sera-o-futuro-da-construcao-de-tuneis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/tatuzoes-com-os-dias-contados-como-sera-o-futuro-da-construcao-de-tuneis\/","title":{"rendered":"Tatuz\u00f5es com os dias contados? Como ser\u00e1 o futuro da constru\u00e7\u00e3o de t\u00faneis"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_56591\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-56591\" class=\"wp-image-56591 \" src=\"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-content\/uploads\/tuneis.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"440\" \/><p id=\"caption-attachment-56591\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Uma das tuneladoras utilizada em 2012 para construir o Eurot\u00fanel, entre Fran\u00e7a e Reino Unido. Imagem de: Hungarian Wikipedi, CC BY-SA 3.0<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 quase dois s\u00e9culos, os engenheiros constroem t\u00faneis subterr\u00e2neos utilizando as enormes e impressionantes tuneladoras, conhecidas no Brasil como tatuz\u00f5es, e em outros cantos do mundo como Tunnel Boring Machines \u2013 TBM. Na imagem acima, vemos uma das tuneladoras utilizada em 2012 para construir o Eurot\u00fanel, entre Fran\u00e7a e Reino Unido, o maior t\u00fanel submarino no mundo.<\/p>\n<p>Essas super m\u00e1quinas s\u00e3o como tubos gigantes armados com uma variedade de rodas de corte em uma extremidade \u2013 de maneira simplificada, as tuneladoras usam uma cabe\u00e7a de corte para exercer press\u00e3o sobre a rocha \u00e0 sua frente, e isso faz com que a superf\u00edcie se quebre com os res\u00edduos transportados para tr\u00e1s da m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia da idade dessas m\u00e1quinas, a primeira tuneladora que se tem registro foi projetada pelo engenheiro Marc Brunel no s\u00e9culo XIX, e foi usada para ajudar a construir o t\u00fanel do Tamisa em 1843 \u2013 o primeiro t\u00fanel sob um rio do mundo. De l\u00e1 pra c\u00e1, in\u00fameros projetos de infraestrutura utilizaram as tuneladoras, que desempenharam (e ainda desempenham) um papel central no canteiro de obras dos t\u00faneis de grande porte.<\/p>\n<p>Embora de indiscut\u00edvel import\u00e2ncia, as tuneladoras ainda s\u00e3o muito caras, demandam muito tempo para serem constru\u00eddas e geralmente precisam ser feitas sob medida para cada projeto. Um exemplo disto foram as TBMs usadas \u200b\u200bpara escavar um caminho para a rec\u00e9m-inaugurada ferrovia Elizabeth Line, em Londres: as m\u00e1quinas implantadas nesse projeto pesavam mais de 1.000 toneladas cada e cortavam t\u00faneis com mais de 7 metros de di\u00e2metro abaixo da capital do Reino Unido.<\/p>\n<p>O custo? Cada TBM do projeto Elizabeth Line foi constru\u00edda sob medida pela Herrenknecht, um dos maiores fabricantes de TBMs do mundo, por US$ 15 milh\u00f5es cada uma delas.<\/p>\n<p>A mesma empresa Herrenknecht tamb\u00e9m desenvolveu sob medida a tuneladora utilizada para construir a Linha 4 do metr\u00f4 carioca Mas o futuro do tunelamento, ao que parece, est\u00e1 prestes a mudar. Especialistas em t\u00faneis concordam que a ind\u00fastria est\u00e1 clamando por solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para reduzir custos e aumentar a efici\u00eancia desse tipo de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas das tecnologias mais emergentes e promissoras que exploram novos jeitos de construir t\u00faneis, com a promessa de efici\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<h2>Minirrob\u00f4s<\/h2>\n<p>A startup brit\u00e2nica hyperTunnel prop\u00f5e um futuro em que rob\u00f4s muito menores, com cerca de 3 metros de comprimento, em forma de meio cilindro, zumbam no subsolo por meio de tubos pr\u00e9-perfurados. Esses tubos, com cerca de 250 mil\u00edmetros (10 polegadas) de di\u00e2metro, seguiriam o contorno das paredes do t\u00fanel proposto.<\/p>\n<p>Uma vez dentro deles, os \u201cbots\u201d usariam um bra\u00e7o rob\u00f3tico coberto com uma cabe\u00e7a de fresagem para penetrar na terra ao redor e esculpir pequenos vazios que seriam preenchidos com concreto ou algum outro material forte.<\/p>\n<p>Pe\u00e7a por pe\u00e7a assim, a estrutura de um novo t\u00fanel se juntaria. \u201cEstamos falando de milhares deles\u201d, disse o diretor de engenharia do hyperTunnel, Patrick Lane-Nott, em entrevista \u00e0 Wired. \u201cMuito parecido com uma col\u00f4nia de formigas ou uma col\u00f4nia de cupins funciona em enxames.\u201d Um v\u00eddeo divulgado pela empresa inclui uma anima\u00e7\u00e3o 3D dos rob\u00f4s se afastando em alguma estrutura subterr\u00e2nea imaginada de propor\u00e7\u00f5es gigantescas.<\/p>\n<p>Essa ideia seria como construir t\u00faneis ao contr\u00e1rio: com uma TBM, o buraco primeiro \u00e9 cavado e depois se adicionam suportes ou paredes para manter a terra restante ao redor do vazio \u00e0 dist\u00e2ncia. Com os minirrob\u00f4s, a estrutura seria colocada primeiro, e depois o buraco seria escavado. Uma vantagem disso, Patrick argumenta, \u00e9 usar menos material de constru\u00e7\u00e3o em geral. Em vez de colocar se\u00e7\u00f5es padronizadas da parede do t\u00fanel ao longo de todo o comprimento do projeto, a espessura externa da estrutura pode variar para se adequar \u00e0 geologia e \u00e0s press\u00f5es reais ao redor do t\u00fanel em qualquer ponto.<\/p>\n<h2>Plasma<\/h2>\n<p>A startup Earthgrid, com sede em S\u00e3o Francisco (Calif\u00f3rnia), est\u00e1 desenvolvendo um rob\u00f4 de perfura\u00e7\u00e3o que utiliza plasma, que promete ser capaz de cavar t\u00faneis 100 vezes mais r\u00e1pido e at\u00e9 98% mais barato do que os sistemas de perfura\u00e7\u00e3o existentes. A empresa planeja usar sua tecnologia para religar redes de energia, internet e servi\u00e7os p\u00fablicos nos EUA.<\/p>\n<p>O rob\u00f4 da Earthgrid explode rochas com altas temperaturas para quebrar e at\u00e9 vaporiz\u00e1-las por meio de um processo chamado spallation. A m\u00e1quina pode funcionar com eletricidade, o que significa que tamb\u00e9m pode ser livre de emiss\u00f5es, dependendo de como a energia \u00e9 obtida. A Earthgrid tamb\u00e9m afirma que seu sistema, que n\u00e3o precisa entrar em contato direto com as rochas durante a escava\u00e7\u00e3o, \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido e barato que abrir\u00e1 uma s\u00e9rie de possibilidades. Ou seja, projetos que antes eram considerados economicamente invi\u00e1veis \u200b\u200bagora ser\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Atualmente em desenvolvimento, a m\u00e1quina chamada de \u201cRapid Burrowing Robot (RBR)\u201d, tem v\u00e1rias tochas de plasma de 27 mil graus Celsius, montadas em grandes discos.<\/p>\n<p>Quando operacional, o RBR acender\u00e1 essas tochas e girar\u00e1 os discos para explodir a superf\u00edcie rochosa em seu caminho. As tochas nos discos est\u00e3o dispostas em uma espiral de Fibonacci, o que significa que se afastam do centro para cobertura total. Os detritos s\u00e3o recolhidos em pequenos carrinhos.<\/p>\n<h2>G\u00e1s superaquecido<\/h2>\n<p>A Petra, outra startup do ramo geol\u00f3gico, tamb\u00e9m est\u00e1 testando como perfurar rochas duras usando o poder do calor. Neste caso, por\u00e9m, o dispositivo de corte t\u00e9rmico usaria um fluido superaquecido em vez de uma tocha de plasma. A empresa concluiu recentemente um t\u00fanel teste de 10 metros e 70 cent\u00edmetros de di\u00e2metro em granito, utilizando a nova tecnologia.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m est\u00e3o trabalhando em uma solu\u00e7\u00e3o separada para enfrentar a outra extremidade do espectro \u2013 solo extremamente macio ou encharcado, como \u00e9 frequentemente encontrado abaixo e perto de cidades costeiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de novas tecnologias, as pr\u00f3prias TBMs est\u00e3o sendo atualizadas: a nova empresa de Elon Musk, Boring Company, est\u00e1 desenvolvendo seu pr\u00f3prio tipo de TBM que pode ser lan\u00e7ado da superf\u00edcie para cavar t\u00faneis subterr\u00e2neos. A empresa planeja padronizar os dispositivos de perfura\u00e7\u00e3o de t\u00faneis em todos os projetos, sem precisar construir uma nova m\u00e1quina para cada projeto espec\u00edfico.<\/p>\n<p>De uma forma ou de outra, a inova\u00e7\u00e3o est\u00e1 chegando ao mundo subterr\u00e2neo. Resta saber agora qual tecnologia ser\u00e1 a mais vantajosa e ganhar\u00e1 os canteiros das obras de tunelamento num futuro n\u00e3o t\u00e3o distante.<\/p>\n<p>Fontes e refer\u00eancias:<\/p>\n<p>Swarms of Mini Robots Could Dig the Tunnels of the Future. Wired.<\/p>\n<p>Future of Tunnelling | How bots will build tunnels of the future. New Civil Engineer.<\/p>\n<p>A new plasma boring robot can dig tunnels 100 times faster and 98% cheaper. Interesting Engineering.<\/p>\n<p>Tunnel boring machines. ICE-UK.<\/p>\n<p>Elizabeth line: The new crossrail of London. Geo Engineer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em t\u00faneis concordam que a ind\u00fastria est\u00e1 clamando por solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para reduzir custos e aumentar a efici\u00eancia desse tipo de constru\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":73,"featured_media":56591,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[252],"tags":[],"class_list":["post-56590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-inovacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/73"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56590"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56592,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56590\/revisions\/56592"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crea-am.org.br\/creaam_site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}