
Qualidade do ar na cidade de Manaus – Foto: Alex Pazuello/Portal: AM POST
As queimadas e o calor extremo que vêm se espalhando próximo de Manaus estão deixando qualidade do ar insalubre, e conforme o meteorologista, Leonardo Alves Vergasta, esse fato impacta diretamente na mudança climática.
“Esse tipo de atividade é considerada um crime. O número de queimadas na região amazônica aumenta, principalmente, na época de seca que começa no início do mês de junho e se estende até meados de novembro. Neste ano, nós estamos presenciando a atuação bem ativa do fenômeno climático El Niño”, explicou o especialista.
O fenômeno El Niño, aumenta ainda mais a seca na região amazônica, deixando o clima mais seco e quente, destaca Alves.
“Infelizmente, ele acaba favorecendo para que esses focos de queimadas ocorram com maior frequência na nossa região. No entanto, o principal responsável pelas queimadas na Amazônia é o homem”, enfatizou.
Para o especialista, essa onda de fumaça afeta o clima não só da região amazônica, mas também de outras regiões da América do Sul causando os seguintes impactos na natureza:
• A queima de árvores e vegetação acaba liberando dióxido de carbono na atmosfera, que é o principal gás do efeito estufa. Com a queima da floresta, acaba liberando mais dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.
• A fumaça das queimadas pode afetar o clima da região de modo geral, reduzem a umidade do ar. Isso pode levar a períodos de seca mais intensos e prolongados na nossa região.
• Redução da umidade devido à questão das queimadas e da fumaça, a liberação desses poluentes na atmosfera, podem também alterar os padrões de chuva na nossa região.
• A fumaça das queimadas pode alterar os padrões de chuva, afetando a questão da flora, da fauna, da agricultura e dos grandes centros urbanos dentro da Amazônia.
O meteorologista finaliza dizendo que o desmatamento e as queimadas na Amazônia também podem criar um ciclo de retroalimentação negativa, tornando a região mais suscetível a incêndios futuros e desmatamento.
Apesar do Estado possuir um Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), a Eng. Ftal. Iara Andrade explica que, infelizmente, a região é propícia a ações da mão humana.
“O Amazonas tem uma grande cobertura florestal, estando propenso a atividades de uso alternativo do solo mediante o uso do fogo, em geral de forma ilícita. A fumaça em Manaus decorre de queimadas na região do entorno da cidade. Ações dos órgãos ambientais, como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), para coibir essas práticas e conscientizar as pessoas são imprescindíveis, principalmente na época mais quente do ano, quando os focos de incêndio aumentam e como consequência causam essa grande bolha de fumaça, que fica retida na camada mais baixa da atmosfera nas primeiras horas do dia”, explica a engenheira
O papel do Crea Amazonas
O Gerente de fiscalização do CREA Amazonas, o Geol. e Eng. Civ. Andrew Muller, explicou como o Conselho age frente às questões relacionadas à degradação do meio ambiente, como é o caso das queimadas.
“O Crea-AM não atua de forma direta sobre as queimadas, pois, cabe aos órgãos ambientais estaduais e federais uma postura mais efetiva. Entretanto, mesmo não agindo diretamente, participamos desse processo, especialmente, quando se detecta que a ação da queimada é oriunda de um plano de manejo. Neste momento, é necessário verificar se este plano foi elaborado por um profissional habilitado e se foi emitida a Anotação de Responsalidade Técnica”, esclareceu.




