Na vida, você confia na engenharia sem perceber

É com esse olhar que o Confea lançou a campanha "Confea, você confia sem perceber", com a ideia de que todos os dias você acorda, passa o dia e vai dormir dentro de projetos de engenharia

quarta-feira, 13 de maio, 2026 - 17:12

Você acorda. Escova os dentes. Toma café. Pega o celular. Nenhum desses momentos chegaria até você sem engenharia. O creme dental passou por desenvolvimento químico e industrial. O leite longa-vida e o pão industrializado do café da manhã também. O smartphone no seu bolso saiu de uma linha de produção projetada por engenheiros.

E o skate, praticado por, pelo menos, 8,5 milhões de brasileiros? Cada pista construída de forma responsável tem projeto de engenharia civil e ART emitida pelo Crea. O número de skatistas era esse em 2015, segundo a Confederação Brasileira de Skateboarding, e certamente cresceu depois que o esporte entrou oficialmente nas Olimpíadas, em 2020.

“Quase tudo o que usamos no dia a dia passa por um projeto de engenharia”, explica Diêgo Fernandes, coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Industrial. Para ele, segurança, funcionalidade e conformidade são resultado de um trabalho multidisciplinar, que reúne engenharias mecânica, de produção, metalúrgica, naval ou aeronáutica, dependendo do produto.

Os números confirmam a onipresença da profissão. Em 2024, 63% dos brasileiros reformaram suas residências. O Brasil tinha 1,2 smartphones por habitante. O brasileiro médio consumiu cerca de 34 kg de arroz, produzido, beneficiado e embalado com supervisão técnica (Embrapa/Conab, 2024). Entre janeiro e abril de 2025, só o Polo Industrial de Manaus gerou 132 mil empregos formais, abastecendo 95% do mercado nacional com eletrônicos, motocicletas e eletrodomésticos.

É com esse olhar que o Confea lançou a campanha “Confea, você confia sem perceber”, com a ideia de que todos os dias você acorda, passa o dia e vai dormir dentro de projetos de engenharia. A campanha já trouxe os vídeos “Cidades”, “Som, Imagem e Luz” e “Água e Alimento”. Nesta quinta-feira, é a vez do último: “Vida!”.

Mas se a engenharia está em tudo, o que acontece quando ela falha (ou quando não existe)? “Quando algo falha, o engenheiro tem papel central na prevenção e na responsabilização”, explica Fernandes. “Ele projeta barreiras com análise de risco, especificação de materiais, validação de processos e controles estatísticos.”

Os riscos da ausência técnica são concretos. “Pequenos erros em processos químicos ou sanitários podem gerar grandes consequências: contaminação de água, intoxicações, acidentes químicos, explosões, descarte irregular de resíduos e até surtos de doenças”, alerta Ricardo Biffi, coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Engenharia Química. Há setores onde isso ainda é realidade: cosméticos de baixa escala, cadeias de reciclagem informal e serviços de manutenção sem supervisão técnica adequada.
A engenharia, quando bem feita, é invisível. Você só percebe que ela existia quando algo dá errado. E é exatamente por isso que você confia nela — sem perceber.

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