Sustentabilidade: a vez da construção civil

O setor da construção civil tem ganhado força e importância no cenário internacional no que se refere à busca de sua sustentabilidade e a transformação de práticas e métodos ultrapassados. O setor, que poderia ser considerado um dos setores mais despreocupados com a questão ambiental e seus reais impactos no planeta, se vê agora diante de uma "onda verde", com a explosão de inúmeras publicações sobre o assunto; a realização de vários eventos e seminários para difundirem o tema, enfim, uma série de iniciativas que visam, acima de tudo, disseminar conhecimento e gerar o real engajamento do setor como um todo: desde produtores de matéria-prima até as próprias construtoras.

terça-feira, 18 de setembro, 2007 - 13:33
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A construção civil sustentável, como é chamada essa nova tendência, faz uso de materiais ecologicamente corretos e eficientes e de soluções tecnológicas inteligentes para promover o bom uso e a economia de recursos, como água e energia elétrica; a redução da emissão de gases de efeito estufa, tanto na produção de matéria-prima quanto na operação normal das edificações; a melhoria da qualidade do ar no ambiente interno e o conforto de seus moradores e usuários. Telhados verdes e sistemas de ventilação que imitam colméias são algumas das inovações que os chamados green buildings apresentam para atenderem aos quesitos acima expostos e economizarem recursos e energia em sua construção e operação. A fim de garantir que tais empreendimentos sejam elaborados conforme regras claras de sustentabilidade estão sendo criadas algumas certificações, como a norte-americana Leed (Leadership in Environmental and Energy Design) e a francesa HQE (Haute Qualité Environnementale).
No Brasil, a iniciativa mais importante e recente no assunto foi a criação do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável – CBCS (www.cbcs.org.br), que surgiu da necessidade de integrar boas práticas de sustentabilidade e criar uma maneira estruturada de interagir com outros setores, além de promover o desenvolvimento sustentável por meio da geração e disseminação de conhecimento e da mobilização da cadeia produtiva da construção e seus consumidores. Para tanto pretende-se desenvolver metodologias adequadas à realidade brasileira para avaliação da sustentabilidade de serviços e empreendimentos e promover a elaboração de publicações e referências técnicas direcionadas às empresas e profissionais do setor.
A criação de tal Conselho denota o amadurecimento do setor no Brasil, mas é necessário salientar que em um país como o nosso, no qual 77% das construções são auto-geridas, ou seja, acontecem sem a participação de construtoras ou agentes públicos, é necessário que as mudanças e transformações sejam devidamente regulamentadas, para que realmente atinjam o maior número de empreendimentos possível.
Contudo, é possível afirmar que o maior avanço a ser reconhecido atualmente é o engajamento deste setor, antes inerte, e que é capaz de gerar transformações sem precedentes na luta pela sustentabilidade do planeta. A mistura correta entre uma apropriada regulamentação governamental, um aprimoramento do uso de tecnologias para economia energética e uma mudança comportamental pode reduzir substancialmente as emissões de CO2 do setor, que acumula cerca de 30 a 40% do uso global de energia, segundo o relatório Buildings and the Climate Change 2007, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O mesmo relatório, citando o exemplo da Europa, diz que mais de um quinto do consumo de energia e mais de 45 milhões tonelada de CO2 poderiam ser economizados por ano até 2010 com a aplicação de medidas mais ambiciosas para prédios novos e já existentes.
É preciso, portanto, que tal preocupação seja mais que apenas uma “onda” e que demonstre a real mudança de postura do setor, que tem papel fundamental para assegurarmos a sustentabilidade de nosso planeta.
Fonte: Terra Magazine – Fabio Feldmann

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