Contabilizou a CAIXA no exercício de 2008 lucros de R$ 4.000.000.000,00 (quatro bilhões de reais). As operações de DU foram responsáveis por 1/3 desse total, portanto, contribuiu com R$ 1.333.333.333,33. As outras áreas responsáveis pelas demais operações contribuíram na formação do lucro com R$ 2.666.666.666,67. A contribuição per capita realizada pelos profissionais alocados na área de Desenvolvimento Urbano foi de R$ 560.931,15/colaborador, portanto, salta aos olhos que a contribuição per capita dos demais empregados (75.623) tenha sido de apenas R$ 35.262,64/colaborador.
Em síntese as Unidades de Desenvolvimento Urbano – DU e seus colaboradores (profissionais da Engenharia e Arquitetura) contribuíram per capita na formação do lucro com 1591% a mais que o restante da Empresa. Estes profissionais são responsáveis pelas análises de engenharia, de avaliação, acompanhamento de empreendimentos e assistência técnica aos municípios e entidades sociais, dentre outras atividades. São essas atividades que possibilitam a execução de programas como o Fundo Nacional de Habilitação de Interesse Social (FNHIS), Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa, Minha Vida, alem de outros contemplados pelo Orçamento Geral da União. O corpo técnico de engenheiros e arquitetos da Caixa é o maior agente de desenvolvimento urbano da gestão federal, ajudando o governo a materializar os investimentos em ações públicas federais, estaduais e municipais.
Para o Estado do Amazonas esta sob a responsabilidade da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL viabilizar as ações necessárias e suficientes para fazer acontecer à aplicação dos recursos abaixo explicitados:
Origem/Destino Exercício 2009
*OGU (não **PAC) R$ 315.335.821,60
OGU (PAC) R$ 253.209.033,67
Financiamento (PAC) R$ 671.118.494,45
Financiamento (não PAC) R$ 555.615.951,46
Minha Casa Minha Vida R$ 1.267.000.000,00
TOTAL R$ 3.062.279.301,18
*OGU – Orçamento Geral da União
** PAC – Programa de Aceleração do Crescimento
Às vezes a síntese deturpa os fatos, portanto se faz necessário algumas digressões sobre assunto de tão grande envergadura e que certamente trará conseqüências deletérias para a promoção do Crescimento do Brasil e, por conseguinte ao Estado do Amazonas.
No estado do Amazonas conta a CAIXA com apenas 13 profissionais (Engenheiros e Arquitetos) para viabilizar a aplicação de R$ 3.062.279.301,18 disponíveis (hoje), portanto, esta sob a responsabilidade dos referidos colaboradores a liberação de R$ 255.189.941,77/mês, ou seja, R$ 19.629.995,52/profissional mês.
A mídia local e nacional, esta repleta de informações pertinentes a crise mundial, especificamente em nosso estado enfatiza que são mais de 300.000 os desabrigados e/ou atingidos pela cheia dos Rios Negro e Solimões, 11.000 desempregados no Parque Industrial de Manaus, Transporte Coletivo Caótico, Caos no sistema Viário, Déficit Habitacional e necessidade de investimentos em Infra Estrutura em todas as áreas, ressalte-se o fato de que somos uma das sede da Copa do Mundo de 2014.
Em 28/04/2009 teve início entre os colaboradores da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL negociação coletiva (terminando em greve por tempo indeterminado) pleiteando não apenas reajuste salarial mais também a correção de distorções salariais gritantes existentes entre a remuneração dos Engenheiros e Arquitetos no exercício de cargos e funções com as mesmas atribuições e responsabilidades. Em Manaus esse movimento grevista representa risco latente de prejuízos em investimentos que deixarão de ser injetados na esfera pública e privados na ordem de R$ 255.189.941,77/mês a permanecer o movimento paredista. Ressaltamos o fato de que para negociar com os profissionais da área de DU a CAIXA os trata como bancários, para auferir lucros estes são tratados como Engenheiros e Arquitetos.
Ensina-nos Peter F. Drucker que “Não se pode tomar decisões para o futuro. Decisões são compromissos com ações, e estas ocorrem no presente. Porém, as ações no presente também são a única maneira de se criar o futuro. Os executivos são pagos para executar – ou seja, agir de forma eficaz. E só podem fazê-lo tendo em vista o presente e explorando as mudanças que já aconteceram”.
Dessa forma alertamos os representantes dos Governos Federal, Estadual, Municipal, Empresários e a sociedade em geral que caso não haja negociações urgentes entre as partes envolvidas o Fundo Nacional de Habilitação de Interesse Social (FNHIS), Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa, Minha Vida entre outros programas estarão seriamente comprometido e, por conseguinte inviabilizado o cumprimento de suas metas para o exercício de 2009. Isto significa entre outros prejuízos: menos crescimento, emprego, habitação, etc.
Em 1962, discursando na Universidade Rice em Houston, John F. Kennedy inaugurou a era espacial afirmando “Nós escolhemos ir para a lua. Nós escolhemos ir para a lua e fazer outras coisas, não porque são fáceis, mas porque são difíceis, porque esta meta servira para organizar e medir o melhor de nossas energias e habilidades, porque este desafio é um que estamos dispostos a aceitar, um desafio que não queremos adiar e um desafio que pretendemos vencer, e outros também”.
Aos representantes dos Governos Federal, Estadual, Municipal, Empresários e a sociedade em geral sugerimos como contribuição a promoção de ações não para irmos à lua, mas para resolver o problema. Tendo em consideração o período de tempo transcorrido (mais de trinta dias) desde o inicio da greve concluímos que no momento inexiste em relação ao assunto um PROCESSO DE GESTÃO EFICAZ, EFETIVA OU EFICIENTE e que, portanto tão grave não conformidade esta SEM GESTÃO. Pelo estabelecimento de uma relação GANHA X GANHA: CRESCE BRASIL + ENGENHARIA + DESENVOLVIMENTO + AÇÃO.
Wissler Botelho Barroso é Engenheiro Civil, Pós-graduado em Engenharia de Produção, Engenharia de Segurança do Trabalho, Gestão Empresarial, Administração Hospitalar e Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Amazonas.




