Companhia de Gás do Amazonas deve R$ 2,5 bilhões à Petrobras

Valor aumentou 61% nos últimos seis meses. Cigás diz que as parcelas pagas nunca cobrem o que deveria.

sexta-feira, 15 de agosto, 2014 - 11:21
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O anúncio feito pela Petrobras sobre a dívida mantida pela Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) no valor estimado em mais de R$ 2,5 bilhões, à companhia petrolífera, preocupou representantes do poder legislativo e do segmento industrial. O deputado estadual Luiz Castro (PPS) disse que a Cigás deve ser chamada à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE/AM) para justificar o motivo do débito. A Cigás afirma que o valor é muito alto e as parcelas pagas nunca cobrem o que deveria.Segundo o deputado, a situação demonstrada por um relatório apresentado pela Petrobras é considerada preocupante. Ele afirmou que assim que tomar conhecimento do documento vai propor o comparecimento dos representantes da empresa, estatal controlada pelo governo estadual, à assembleia para que possam explicar a causa do débito classificados pelo parlamentar como exorbitante.“É preocupante que a Cigás tenha chegado a essa ordem. É necessário uma imediata tomada de conhecimento por parte da Aleam porque não podemos assistir essa situação sem fazer nada. Precisamos apurar a capacidade da empresa quanto ao pagamento dessa conta”, disparou Castro. O deputado também relatou que há alguns anos o governo estadual propôs a venda da participação do Estado referente à Cigás. De acordo com ele, o projeto foi aprovado mas até hoje não houve negociação. “Talvez esse seja o motivo de esse projeto não ter caminhado. Ninguém vai ter interesse de comprar algo que vem acompanhado de uma dívida tão alta como essa”, avaliou.O documento da Petrobras afirma que a dívida é referente à comercialização de gás natural no Amazonas e que as negociações com a estatal estão em andamento para o equacionamento dos débitos. O valor está registrado no relatório de demonstrações de resultados da Petrobras referente ao segundo trimestre de 2014, divulgados na última sexta-feira (8). Segundo o relatório, a dívida cresceu 61% nos últimos seis meses.Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Material Plástico de Manaus (Sindplast , Francisco Brito, a dívida mantida pela Cigás pode representar o maior atraso nas obras da instalação dos tubos do gasoduto. Ele contou que boa parte das empresas do distrito industrial ainda não operam com a utilização do gás natural. “A situação é preocupante. Claro que a substituição do óleo diesel pelo gás resultaria em maior economia de energia elétrica e na redução dos custos na produção dos componentes”.Além da Cigás, quem também deve à Petrobras é a Eletrobras Amazonas Energia. A dívida está acumulada em R$ 7,3 bilhões valor referente ao fornecimento de óleo.DefesaO presidente da Cigás, Lino Chíxaro, confirmou a existência do débito e disse que a companhia negocia com a Petrobras. Segundo ele, os pagamentos foram parcelados. “Por se tratar de um valor muito alto o que repassamos nunca cobre o que deveria. A Cigás depende diretamente de repasses federais, o que não ameniza a situação”.De acordo com Chíxaro, além da dívida a empresa enfrenta outro problema: obras para instalação de tubos do gasoduto. Ele disse que este trabalho seria feito paralelamente ao recapeamento das ruas do Distrito Industrial e foi orçado em R$ 114,9 milhões. “O convênio com a Suframa [Superintendência da Zona Franca de Manaus] e a Prefeitura está feito, mas ainda estamos aguardando”.Fonte: Portal Amazônia

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