
O número de queimadas registradas nos 10 meses de 2014 superou os últimos três anos. Em 2012, foram 5.901 focos, e em 2011, 3.176, ficando atrás somente de 2010, quando foram contabilizados 7.601 incêndios.O instituto também dá conta de que nas últimas 48 horas, dois municípios localizados no sul do Amazonas compuseram a lista dos 10 municípios brasileiros onde foi registrado o maior número de focos de incêndio. Apuí (a 453 quilômetros da capital) ocupou a 8ª posição, com 1.126 focos, e em 10ª posição ficou Manicoré (distante 332 quilômetros) com 1.036. Nos dois primeiros lugares ficaram os municípios paraenses de Altamira com 2.591 focos, e São Félix do Xingu, com 2.480, seguido de Porto Velho (RO), com 2.046.O Amazonas não foi o único com registro de aumento da quantidade de queimadas em relação ao ano passado. Neste ano, o Pará já contabilizou 17.949 focos em vegetação, contra 7.305 em 2013. Em Tocantins também houve um salto de 7.861 em 2013 para 11.214 neste ano. Também houve aumento em Rondônia de 3.021 em 2013 para 6.408 focos em 2014. No Acre, o salto foi de 2.910 no ano passado para 3.513 neste ano. Em Roraima, o acréscimo foi de 1.398 em 2014 e 776 em 2013.O Estado da Região Norte com menor aumento de focos de incêndios foi o Amapá. Em 2013, o Inpe observou 122 queimadas e neste ano já foram 217. Em todo o país, foram registrados 121.675 incidências sobre a vegetação, e em 2013, 75.594.O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Mário Lúcio Reis, atribui o aumento dos incêndios florestais à redução das chuvas e da umidade do ar, principalmente entre agosto e setembro. “Se fizermos um comparativo do índice pluviométrico e da umidade, em 2013 choveu mais nesse período e a umidade era bem mais alta. Essa questão está intimamente ligada ao fator climático que atingiu toda a Amazônia”, ressaltou.Ele apontou que a baixa umidade e ausência de chuvas formam o combustível para a propagação dos focos de calor, sejam acidentais ou propositais. “Às vezes um pescador faz uma fogueira na beira do lago para assar o peixe, próximo à vegetação, ou alguém atira uma bagana no caminho. Tem também o fogo provocado no roçado que se alastra, quando não é observado o vento. E também o efeito natural, por conta de uma descarga elétrica ou a intensidade de raios solares que acabam provocando a propagação. A vegetação muito seca propicia”, afirmou.Os maiores índices de queimadas estão nos municípios de Boca do Acre, Apuí, Canutama, Manicoré, Humaitá e no sul de Lábrea. “São áreas mais desmatadas e onde há atividade pecuária mais intensa. O fogo é utilizado para fazer a limpeza das pastagens e quando se perde o controle, o incêndio se alastra na vegetação”, disse.Em agosto deste ano, um dos incêndios que mais preocupou as autoridades ocorreu na terra indígena e no parque Mapinguari, no sul do Amazonas, próximo a Manicoré. “Deu trabalho para conter, mas conseguimos controlar. O restante foram focos isolados”, disse Reis.AçõesDe acordo com o superintendente, além de agir no combate às queimadas – com equipe de brigadistas distribuídas em todos os municípios – o Ibama também realiza trabalho preventivo entre os produtores rurais para evitar a queima de pastagens e do roçado. “Realizamos ações educativas, palestras e visitas às propriedades para alertar aos produtores. Também atuamos no combate do fogo. Quando constatado que houve queima proposital, sem autorização, o responsável irá responder a um processo administrativo nos órgãos ambientais e um criminal que é noticiado ao Ministério Público. A pessoa responde a um processo na Justiça, mas algumas vezes é aplicada pena alternativa. Já no processo administrativo, o responsável pode pagar multa de R$ 1 mil por hectare”, explicou Reis.Fonte: Portal Em Tempo
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