
Em uma época que se discute constantemente a preservação da floresta, ter uma tecnologia que se apresente como solução para o uso da madeira na construção civil é essencial. Pensando nisso, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Fernando Lemos, há 10 anos, desenvolve uma tecnologia de uso de restos florestais e madeira de crescimento rápido que são misturadas ao cimento e podem ser usadas na construção civil e na fabricação de móveis.A tecnologia recebeu o nome de biocompósito cimento-madeira e depois de pronta fica com a aparência de placas de cerâmica. De acordo com Fernando Lemos ao longo da pesquisa foi possível identificar dez espécies de árvores com crescimento rápido que podem ser utilizadas nessa tecnologia, assim como alguns resíduos madeireiros que se misturam bem com o cimento.Ainda de acordo com Fernando, a tecnologia apresenta diversas vantagens, pois o solo da Amazônia é muito ácido e, mesmo nessas condições, as espécies de crescimento rápido, como a madeira chamada de pau de balsa, funcionam bem. Outra vantagem é o tempo para uso dessas árvores que, normalmente, em dois anos estão prontas para serem cortadas. “Não será preciso derrubar árvores, pois se a indústria plantar, em dois anos é possível cortar. Além disso, um plantio associado de várias espécies pode deixar o sistema muito mais eficiente”, explicou o Fernando.Esses plantios podem ser feitos para recuperar áreas que foram alteradas e, com isso, estaria dando a esses espaços uma finalidade e gerando emprego e renda. “Se hoje uma indústria se interessar pelo produto ela não pode correr o risco que a matéria-prima falte, portanto, a melhor solução é o plantio associado de várias espécies”, disse Fernando.O pesquisador do Inpa explicou ainda que nem todas as espécies florestais são compatíveis para o biocompósito, por causa da densidade da madeira e compatibilidade com os aditivos. Em vários testes foram selecionadas as que apresentaram melhor desempenho para o produto.Semana de C&TO biocompósito madeira cimento faz parte dos projetos apresentados pelo Inpa durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que até o próximo dia 19 tem uma extensa programação sendo apresentada no instituto.DeficientesA Semana Nacional de Ciência e Tecnologia coloca no centro das discussões o desenvolvimento social e uma das palestras apresentadas no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia foi “Sou normal, Sou Legal! Inpa no Amazonas para um público especial”, que buscou despertar nos participantes o conceito de que pessoas com deficiência devem ser integradas na sociedade. Um dos palestrantes, Jessé Davi Bessa apresentou a experiência dele como professor na Escola Estadual Augusto Carneiro, uma instituição especializada no ensino de surdos. Ele explicou também que o mercado de trabalho voltado para o surdo-mudo está em expansão e é promissor, porque existe lei que regulamenta que cada instituição pública e privada tenha um intérprete.Fonte: Portal Acrítica
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