Esta é a afirmação que a mestre em Ciências Ambientais e Florestais pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Maria Eliene Cruz, fez ao analisar a cidade durante projeto de pesquisa desenvolvido no Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).
Denominada “A Análise Temporal do Uso e cobertura da terra do município de Iranduba de 1998 a 2009”, a pesquisa foi realizada por meio do ProSipam/CenSipam (Programa de Capacitação Científica e Tecnológica para o Desenvolvimento de Estudos e Projetos Aplicados ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), com investimentos na ordem de R$ 36 mil, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).
A erosão, que já acontece no local, é consequência da economia que mobiliza o município, baseada no setor cerâmico, da construção da ponte que liga Manaus a Iranduba e do gasoduto, podendo ser agravada com a falta dessa da vegetação. “Com o solo desprotegido, a probabilidade de enchentes na região aumenta, por causa do assoreamento dos rios”, alertou.
A análise é parcial, pois o projeto ainda está em andamento. Mesmo assim, as constatações feitas até o momento são alarmantes. “Com esse estudo já conseguimos perceber que a maior parte do solo do município não possui vegetação, permanecendo sem proteção natural”, explicou a pesquisadora.
Desmatamento crescente
Segundo Cruz, esse desmatamento vem crescendo nos últimos anos na a parte noroeste do município, e o aumento da exposição do solo do município pode ter ligação com a extração de argila, utilizada na produção de telhas.
Ela afirmou, também, que há outros fatores que devem ser levados em consideração. “Outra hipótese é de que tenha crescido o número de construções por conta da obra da ponte que ligará Manaus ao município”, disse.
O trabalho de Cruz foi um dos temas na exposição de banners, apresentados pelo Sipam, no Seminário Internacional de Ciências do Ambiente e Sustentabilidade, realizado na Ufam, na semana de 15 a 18 de junho.
Para a coordenadora do ProSipam em Manaus, Solange Costa, a participação do órgão em um Seminário Internacional é de extrema importância. “Esse tipo de atividade possibilita uma melhor visibilidade do que está sendo desenvolvido no órgão na área de pesquisa aplicada. É uma boa oportunidade de mostrar à sociedade que o Sipam desenvolve pesquisas extremamente úteis para os órgãos de fiscalização”, comentou.
Conheça o ProSipam/CenSipam
O objetivo do ProSipam/CenSipam, financiado pela FAPEAM, é estimular e fomentar o desenvolvimento de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação no Centro Regional do Censipam (CR), localizado em Manaus, delimitado aos temas afetos às atividades inerentes ao Censipam na Região Amazônica, por meio de seleção de pesquisadores e concessão de bolsas.
Kelly Melo e Cristiane Barbosa – Agência Fapeam




