Em relação à certificação profissional – que versa sobre o reconhecimento formal das competências e habilidades do trabalhador, comprovando sua qualificação para o exercício de determinada atividade –, Marcos Túlio ressaltou a questão da certificação internacional. Segundo ele, o objetivo é criar um processo diferenciado para os profissionais certificados, com mais celeridade para o reconhecimento do exercício profissional nos diversos países.
Citando o Plano Brasil 2022, elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Marcos Túlio afirmou que o Brasil deve promover ações integradas com o mundo, mantendo relações estratégicas com os três grandes blocos – liderados pelos Estados Unidos, Europa e China -, que deverão estar consolidados no cenário internacional. “Devemos participar do debate não apenas como meros expectadores”, afirmou.
Cientes de algumas resistências relacionadas ao processo de certificação profissional, tanto em nível nacional quanto internacional, a ideia do Confea e da Conepe é ampliar essa discussão. De acordo com Marcos Túlio, as negociações estão avançando. Com a intermediação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os negócios com o Chile, inicialmente, e depois com os Estados Unidos estão adiantados.
Entretanto, segundo alerta o presidente da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul, Cylon Rosa Neto, deve-se tratar o processo como uma via de mão dupla. “Devemos tomar cuidado para que não seja apenas a certificação dos outros países aqui. Deve haver reciprocidade. Eles devem abrir o mercado para os brasileiros também”.
Formação profissional
Ainda sobre o assunto, para o presidente do Instituto de Engenharia, Aluizio de Barros Fagundes, um dos critérios da certificação muito discutido é o da atualização permanente da profissão, o que deriva da necessidade do mercado e do ensino recebido pelo profissional. “Muitas vezes as empresas estão fazendo o papel da universidade: de formar aquele engenheiro já formado”, destacou.
Nesse cenário, Marcos Túlio destacou aspecto discutido na Conferência Mundial de Engenharia, realizada na Argentina: o problema de a Engenharia não ser valorizada e não ter reconhecimento social em nível mundial. Para ele, só uma coisa pode fazer com que essa imagem melhore: competência reconhecida.
Para ele, a sociedade costuma associar a profissão à corrupção, o que deve mudar. Além disso, o problema de o jovem não ter interesse pela Engenharia é que a imagem da profissão está muito ruim. “A grande preocupação dos jovens hoje é o meio ambiente e a imagem da Engenharia para eles é de que ela destrói esse meio ambiente”, destacou. “O marketing para a Engenharia deve mostrar que a sustentabilidade passa pela Engenharia. Ela é a solução para o desenvolvimento sustentável”.
Nesse contexto, na reunião também foram discutidas ações que visam à qualificação dos profissionais para o desenvolvimento sustentável. Alguns exemplos citados por Aluizio de Barros nesse sentido foram o Programa de Treinamento e a criação de uma Escola Superior de Negócios da Engenharia. “Neste caso, não seria uma reciclagem, nem atualização profissional, mas a criação de uma escola para dela emanar um pensamento sobre a profissão”. Segundo ele, desta escola poderiam sair também alguns códigos, por exemplo, ambientais, que proporcionariam segurança jurídica para o engenheiro exercer a profissão com vistas à sustentabilidade.
Por fim, Marcos Túlio destacou: “Estou vendo um potencial enorme e revolucionário em relação à nossa prática de organização profissional”. Com um planejamento de médio e longo prazo, o objetivo, segundo ele, é traçar linhas de ação e criar uma inteligência nacional para a profissão.
Também participaram da reunião: o presidente da Sociedade Mineira de Engenheiros, Márcio Damazio Trindade; além do presidente e do conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná, Jaine Sunye Neto e Luiz Cláudio Mehl, respectivamente.
Fonte: Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Confea
Ascom CREA-AM
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