Dowbor, baseado em gráfico que apresenta um resumo de macrotendências (como população, clima, concentração de gás carbônico, produção de veículos, entre outros critérios), no período de 1750 a 2000, falou sobre a situação atual do país e os desafios futuros num contexto mundial.
Segundo Dowbor, há uma convergência das linhas numa direção ascendente. São exemplos: o aumento do aquecimento global; da população mundial – que cresceu de 1 bilhão do início do século passado para 7 bilhões hoje -; do consumo de veículos automotores, entre outros. “A convergência dessas linhas é uma explosão”, afirma.
“Temos um aumento da população, com todo mundo querendo consumir. Mas o que é produzido é para o consumo de uma minoria e isso não é viável. Teríamos de ter quatro ou cinco planetas para sustentar essa situação”, diz. Ele lembra que esse aumento desenfreado da produção acaba gerando impactos indesejáveis. No caso de São Paulo, por exemplo, ele lembra que a média de velocidade dos carros é de 14 km/h. “Quanto mais carros na rua, mais os ônibus andam devagar. Quanto mais devagar, mais as pessoas ficam cansadas e compram carros”. A matriz de transporte no Brasil, segundo Dowbor, é “surrealista”.
Apresentando um gráfico “taça de champagne”, ele constata o processo de exclusão social. Os 20% mais ricos se apropriam de 82,7% da renda, enquanto 2/3 da população mundial (the bottom of the piramid) têm acesso a apenas 6%. “Isso não só é insustentável, não é apenas a destruição do planeta, mas a destruição do planeta para apenas 1/3 da população”.
Acesso universal à educação precisa de 6 bi
Outro problema que ele apresenta no cenário mundial é a forma de aplicação dos recursos. “Em que estamos gastando”, questiona. Exemplificando, ele afirma que seriam necessários US$ 6,0 bilhões para universalizar o acesso à educação básica. Mas não se consegue todo esse recurso para tal destinação, Entretanto, para cosméticos se consegue. “Não se consegue as coisas mais básicas: saúde, educação, alimentação, saneamento básico, mas 35 bilhões para entretenimento executivo no Japão, para drogas, para armamentos, sim”, afirma.
“O que está acontecendo no planeta é real. Nós temos a necessidade de resgatar a governança. Esse é o verdadeiro desafio”. Além disso, segundo Dowbor, “precisamos ter consumo inteligente”. Sobre a Conferência de Copenhague, ele afirma que o mais importante é que todos estão discutindo o clima e, ao se fazer isso, se discute o modelo de transporte, o desmatamento, o modelo de transportes, com o conjunto sistêmico.
A importância da ética na área tecnológica
Emilio Colón, em seguida, falou sobre o surgimento das economias dominantes, como os chamados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Segundo ele, o Brasil tem uma grande vantagem sobre a China, pois possui uma democracia estabelecida, programa de redução de desigualdades, promoção do consumo interno, alem de abertura política.
Colon fez reflexões sobre o estado de direito, a ética na profissão e o processo de reformas para se obter um trabalho com transparência. “E importante que haja um processo de promulgar, administrar e fazer valer as leis e que estas sejam acessíveis, justas e eficientes”. Segundo ele, a ética é um valor básico e é importante que todos engenheiros, arquitetos e agrônomos, se comprometam em seguir os códigos de ética.
Sobre o processo de contratação publica, ele afirmou ser indispensável a existência de um sistema definido, alem de processos transparentes. Quanto à produção, lembrou que esta deve atender tanto o consumo interno quanto o externo. E que, nesse sentido, algumas empresas brasileiras têm se destacado internacionalmente, como a Embraer, a Petrobras e a Vale.
MDIC anuncia registro obrigatório de serviços em 2010
Por último, Maurício Lucena do Val, falou sobre a importância do setor terciário no comércio exterior, De acordo com os dados apresentados, destacam-se os investimentos estrangeiros direto para o setor terciário, para o qual são destinados cerca de 50% dos recursos externos. Nesse sentido, os serviços de Engenharia e Arquitetura também se destacam. “Cerca de 30% da balança de pagamento são originários dessas áreas”, afirma. “No que tange à balança de serviços, a Engenharia vai na contramão do que acontece hoje, onde há um déficit de 16%. A Engenharia brasileira produz um superávit de 2,5 bilhoes de dólares na Balança Comercial de Serviços”.
Maurício apresentou também o novo sistema que será lançado pelo governo em 2010. O sistema, chamado Siscoserv – sistema integrado de comercio exterior de serviços intangíveis e outras operações que produzem variações no patrimônio das entidades – será um sistema não só para o governo mas que irá orientar o posicionamento das empresas no comercio exterior.
“Será um registro obrigatório, tanto para exportações quanto importações”, informa. Estruturado pelo MDIC (política comercial), Receita Federal (política fiscal e tributaria) e Bacen (política cambial), terá um módulo de venda e outro de aquisicao. “Além da necessidade de apoio e extensão ao setor de serviços, precisamos fazer com que a informação circule com maior eficiência para que o setor possa responder a ajustes e o sistema contribuira nesse sentido”, conclui.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea




