
A certificação do profissional que trabalha em locais com áreas de risco para as chamadas atmosferas explosivas já poderá acontecer em 2016 no Brasil. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) vem elaborando o regulamento da certificação de competências dos profissionais e deverá lançá-lo no ano que vem. A informação é do engenheiro Nicolas Minguez, que integra o comitê técnico da ABNT e realizou uma palestra na noite do dia 15 de dezembro sobre as normas atuais de classificação de área para atmosfera explosiva, no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM), em Manaus. A palestra, promovida pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Amazonas (AEAA), registrou a participação de profissionais, acadêmicos e conselheiros do CREA-AM. O diretor financeiro da autarquia federal, engenheiro agrônomo Wandecy Gomes, fez a abertura oficial da palestra.Da esq. para dir. Diretor financeiro do CREA-AM, Wandecy Gomes, e o palestrante Nicolas Minguez. As atmosferas explosivas, conforme sites especializados, envolvem a mistura com o ar, em condições atmosféricas, de substâncias inflamáveis sob a forma de gases, vapores, névoas ou poeiras, na qual, após ignição, pode gerar explosões. De acordo com Nicolas Minguez, o Inmetro editou em 1º de outubro deste ano a Portaria nº 484/2015 com o objetivo de realizar uma consulta pública visando a criação de requisitos de avaliação da conformidade para competências pessoais para atuação em áreas com atmosferas explosivas. “Provavelmente, no início de 2016, será editada essa regulamentação”, afirmou Minguez, salientando que, no primeiro momento a nova norma terá o caráter “voluntário”. “Para que as empresas e profissionais, espontaneamente, procurem o órgão indicado na regulamentação e assim promovam a sua certificação na área de classificação de riscos em ambientes com atmosfera explosiva”. Ainda de acordo com o palestrante, duas entidades poderão realizar essa certificação, o Senai do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira de Ensaios Não-Destrutivos e Inspeção (Abendi), no Estado de São Paulo. “Isso é fruto de uma ação iniciada em 1986 quando começou a ser montado o laboratório de ensaio de equipamentos por parte da Eletrobras, através do Centro de Pesquisas Elétricas, e houve todo um processo de reconhecimento e melhoria dos produtos fabricados no Brasil, e, posteriormente, a certificação desses produtos, empresas e equipamentos; hoje em dia, estamos no caminho da certificação das pessoas que trabalham na classificação da área, inspeção, instalação, operação e manutenção; por meio de instituições, terão uma ferramenta para poder certificar a sua competência profissional nesses segmentos; trata-se de um avanço e estamos seguindo os países mais desenvolvidos”, comentou Nicolas Minguez. PALESTRA O engenheiro Nicolas Minguez, em sua palestra na cidade de Manaus, destacou que a classificação de áreas para atmosfera explosiva “significa identificar, determinar em uma instalação qual setor pode vir a ter presença de algum material perigoso, inflamável ou combustível, que gere um eventual um incêndio ou acidente de grandes proporções”. No caso das explosões, é preciso observar principalmente as consequências do acidente. “Em geral, são tragédias que afetam o meio ambiente, destroem patrimônios e vitimam pessoas; as consequências de uma explosão são extremamente significativas, seja pequena ou em grandes dimensões, por conta desses três fatores”, enfatizou o palestrante. Na visão de Minguez, ainda falta conscientização para esse assunto e que hoje as empresas e profissionais somente se adequam à prevenção devido a uma exigência legal, para cumprir as normatizações vigentes. “Na verdade, têm se atendido às exigências própria da segurança, que são obrigatórias por parte das autoridades, principalmente do Ministério do Trabalho; ou seja, na prática, os requisitos de segurança, de prevenção, via de regra, são atendidos não pela conscientização, mas sim para cumprir a legislação”, ressaltou. “O órgão mais sensível do ser humano é o ‘bolso’, consequentemente, quando uma determinação atinge o seu bolso, aí que se procura atender”, acrescentou. Em relação às multas, o engenheiro comentou que a preocupação com esse tema não é nem tanto pela multa em si, mas pelas consequências de uma eventual explosão. “O Ministério do Trabalho, sindicatos e companhias de seguros estão ficando mais atentos aos riscos em seus ambientes organizacionais para não serem lesados”, disse. Minguez defendeu que as empresas têm que saber dos riscos existentes em seus ambientes de trabalho e do passivo para atender a regulamentação. “Temos que caminhar no sentido de melhorar a nossa segurança; ignorar isso é algo extremamente grave”. Na palestra, o engenheiro abordou também a participação dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA’s) na contribuição da divulgação dessas normas, levando a informação às indústrias e demais empresas e colaborando na promoção de cursos de capacitação entre os profissionais da área. “Desta forma também os profissionais terão maior conhecimento dos riscos que existem em suas indústrias pela utilização de diferentes materiais perigosos, a exemplo de que acontece com um simples pó de açúcar”, enfatizou, explicando que muitos engenhos de cana-de-açúcar até pouco tempo desconheciam que o pó de açúcar é inflamável, podendo provocar incêndios e outros acidentes. “Normalmente, todo o setor de Petróleo e Gás conhece muito bem essa questão dos riscos relacionados às atmosferas explosivas; contudo, o mesmo não acontece com os setores que produzem farinha de trigo, milho, açúcar, dentre outros, que muitas vezes desconhecem completamente os riscos existentes no manuseio desses produtos, por isso é importante divulgar”, disse. DESCONHECIMENTO DO PROFISSIONAL O sinistro de maior impacto que aconteceu recentemente no Brasil foi com o navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus, no mês de fevereiro deste ano, em Aracruz (ES). Controlado pela empresa norueguesa BW OffShore, oito pessoas morreram após uma explosão no navio. “O acidente aconteceu por falta de capacitação das pessoas que intervinham nessa atuação; ou seja, eles tinham uma área classificada, mas não tinham pessoal qualificado para interpretar essa classificação de área e atuar de acordo com as normas de segurança”, citou Nicolas Minguez, lembrando dos resultados das investigações oficiais em relação ao acidente. ESHoje No Brasil, entre os Estados que mais seguem as normatizações de classificação de áreas de atmosfera explosiva, o Rio de Janeiro lidera o ranking, também por reunir a maior quantidade de empresas vinculadas à área de Petróleo e Gás. O Senai do Rio de Janeiro montou, em 2006, um centro de capacitação voltado para os profissionais que atuam em locais com atmosferas explosivas. “Essa ação permitiu até o momento a capacitação de mais de 4,5 mil técnicos e engenheiros de diversas empresas, numa experiência inovadora na América Latina”, afirmou o engenheiro Nicolas Minguez. VEJA MAIS FOTOS AQUI !!! Acyane do Valle Fotos: CREA-AM Foto | Arquivo: ESHoje Assessoria de Comunicação CREA-AM (92) 2125-7127 [email protected]
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