
Uma nova metodologia de dimensionamento de misturas asfálticas utilizada na Engenharia de Aeroportos para a construção de pistas de pouso e decolagem de aeronaves, chamada de Fator de Dano Cumulativo (CDF), foi um dos aspectos abordados durante palestra que fez parte da programação da 2ª Semana de Engenharia Civil. O palestrante foi o engenheiro civil da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) no Amazonas, Oevento é promovido pelo curso da área, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e encerra nesta sexta (29). O profissional explicou que a nova metodologia leva em consideração a soma dos danos de cada aeronave, com base em suas características únicas de carga do pavimento e da localização do trem principal na linha central da pista de pouso e decolagem (PPD). Nesse contexto, um dos parâmetros utilizados é o ACN/PCN, que informa a capacidade de um pavimento aeroportuário para receber um determinado tipo de aeronave. Em relação à metodologia anterior, baseada no conceito de “aeronaves de projeto”, onde o pavimento, dado um conjunto de aeronaves, era dimensionado de acordo com a aeronave que exigiria individualmente a maior espessura, uma das vantagens do CDF é conseguir analisar, separadamente, a contribuição de cada modelo para os danos totais da mistura asfáltica. Fazendo um comparativo com as misturas utilizadas em rodovias, o engenheiro explanou algumas diferenças básicas. Segundo ele, a largura de uma rodovia, por exemplo, deve apresentar cerca de sete metros, enquanto uma pista de pouso e decolagem (PPD) pelo menos 60 metros. Outra diferença significativa é quanto à altura das camadas: enquanto a capa asfáltica de uma rodovia apresenta cerca de cinco centímetros, a de uma pista rodoviária deve apresentar cerca de 16 centímetros. Aeroporto Eduardo GomesO Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, por exemplo suporta modelos de aeronaves até o 747400, embora atualmente, segundo o engenheiro da Infraero, esteja recebendo um 747800, o que ele explicou ser seguro, uma vez que esse modelo de aeronave não tem permissão para pousar em carga máxima. Ainda segundo o palestrante, estão entre as funções básicas de um pavimento prover adequada capacidade de suporte, qualidade de rolamento e boas características de atrito. No caso dos pavimentos aeroportuários, eles devem ser capazes de resistir ao tráfego de aeronaves para o qual é destinado, ter boa drenagem e não devem apresentar irregularidades, o que pode ocasionar perda de atrito e afetar as operações.Leocádio esclareceu que os pavimentos flexíveis, como o concreto asfáltico, são aqueles em que todas as camadas constituintes sofrem deformação “elástica” significativa sob o carregamento aplicado, funcionando por um sistema de camadas sobrepostas, onde as de melhor qualidade estão posicionadas mais próximas da carga aplicada. Sobre o palestranteAlexandre Leocádio é graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Estado do Amazonas (2001), possui mestrado em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal do Amazonas (2014) e é doutorando no Instituto Militar de Engenharia (IME). Atualmente é professor da Universidade Nilton Lins e engenheiro civil na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Bianca Alves Assessoria de Comunicação do CREA-AM(92) 2125-7127 [email protected]
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