De acordo com Gilberto Selber, o maior problema, hoje, para a formação na área tecnológica é o ensino da Matemática e demais disciplinas consideradas base para os futuros profissionais desse campo de atuação. “A raiz do problema está no ensino fundamental e médio”, afirma. Segundo ele, os professores devem, nesse momento, incentivar os alunos de maneira criativa e prática. Ele cita o exemplo da Geometria em que é muito difícil definir, para uma criança, o que é um ponto ou uma reta, pois precisa, por exemplo, do conceito de infinito. Assim, para ele, deve-se começar pelo ensino da Geometria Espacial, que inclui objetos reais com as quais se tem contato no dia a dia.
Para Selber, o material didático da Geometria é farto e as crianças adoram, sendo possível extrair de suas observações o conhecimento. “Você usa, por exemplo, um tijolo para explicar as formas. Compara o que ela chama de quina com as arestas; faces com os lados; pontas com os vértices”, comenta. “O ensino da Engenharia começa aos oito anos. Sistematizar o conhecimento empírico é gerar conhecimento científico, afirma.
Túlio de Melo concorda com esse posicionamento. Segundo o presidente do Confea, o problema no método de ensino da Matemática acaba desestimulando jovens e crianças e gerando o baixo percentual na relação número de estudantes em universidade e número de estudantes na área tecnológica que, segundo ele, é de 11% no Brasil e chega a 40% em outros países mais desenvolvidos.
Outras questões lembradas por Selber, nesse caso referentes às graduações nas áreas tecnológicas, dizem respeito à metodologia de avaliação – que segundo ele devem ser emancipadoras e não castradoras -, e ao financiamento. “Um ponto é financiar o aluno. Outro ponto é financiar as universidades. O BNDES deve ajudar de fato as universidades. Deve ser tão fácil quanto o que é feito com as empresas, que conseguem o financiamento e as universidades não conseguem”, disse.
Sob esse aspecto, Túlio de Melo ressaltou a falta de incentivo aos sistemas laboratoriais de Engenharia. “A Engenharia regrediu sob o aspecto do diagnóstico. Não temos hoje um sistema laboratorial que assegure o nível de qualidade que se deseja. Não existe, por exemplo, um bom laboratório de concreto asfáltico e com isso pode-se observar o nível que temos de estradas hoje”, afirmou.
Outro ponto de concordância entre o Confea e o Crub é a discussão sobre o planejamento estratégico de médio e longo prazo para o avanço da tecnologia e da apresentação de propostas para políticas públicas. Nesse sentido, Túlio de Melo ressaltou a realização do Encontro de Lideranças, que ocorrerá de 22 a 26 de fevereiro, em Brasília, e o 7º Congresso Nacional de Profissionais, que ocorrerá de 22 a 28 de agosto, em Cuiabá, para alinhar as ações entre o Confea, Creas e Entidades nacionalmente.
Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea
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