
Para Minc, o Brasil teve um avanço significativo em termos de meio ambiente nos últimos anos. “Durante um tempo a área ambiental era minoritária dentro do governo. Os argumentos contrários para estabelecermos metas de reduções eram de duas naturezas distintas: um lado dizia que iríamos de alguma maneira engessar a economia, restringir o desenvolvimento; o outro argumento era de ordem diplomática, o Brasil, com metas, poderia se afastar do Grupo dos 77”, explicou.
Com o passar dos anos, segundo ele, a posição brasileira avançou: passou a ter um Plano Nacional de Mudanças Climáticas, metas de redução das emissões e fundos de desenvolvimento, como o da Amazônia, por exemplo. “Com o apoio da área técnica, mostramos que era possível ter crescimento de 5% a 6% reduzindo as emissões, tudo isso com base na tecnologia”, afirmou Minc. Segundo ele, o desenvolvimento aconteceu em cima de algumas bases. Na agricultura, por exemplo, seguiu três linhas: o plantio direto, com aproveitamento do material orgânico, a integração da lavoura e pecuária e a recuperação de áreas degradadas. Na área industrial, com a defesa do uso do “aço verde”, ou seja, o aço produzido a partir do carvão vegetal.
Em relação à COP-15, Minc disse ter havido grande frustração com o não comprometimento dos países e os recursos insuficientes. O Brasil, ao contrário, se destacou pelas ações adotadas. “O Brasil reduziu rigorosamente o desmatamento da Amazônia de 18 mil km² para 7 mil km², conforme medições do INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais]”, constatou. “Hoje, estamos trabalhando não só com a Amazônia, mas com vários outros biomas. Vamos lançar agora um programa para o Cerrado, com a operação Arco Verde”. Minc também destacou o lançamento inédito dos dados do desmatamento na Caatinga e no Cerrado, que deverá ocorrer em março.
“Não adianta imaginar que a gente tem uma utopia de clima e meio ambiente; e a economia real for em outra direção completamente diferente”, afirmou. Para o ministro, já passou o tempo de se discutir o desenvolvimento ou não. “Agora, o eixo é o desenvolvimento sustentável e a criação de milhões de empregos verdes”.
Também participaram do painel sobre as mudanças climáticas e a COP-15 o jornalista Washington Novaes, o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, e o presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Frederico Bussinger.
Ascom CREA-AM com informações do CONFEA
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