Na estimativa da FAO, órgão das Nações Unidas, o milho vai subir 20% acima da inflação nos próximos 10 anos. A carne encarecerá cerca de 50%
Os dados do ministério reforçam o discurso da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). No estudo Perspectivas Agrícolas 2011-2020, divulgado recentemente, o organismo afirma que os preços vão subir, nos próximos 10 anos, cerca de 50% acima da inflação no caso das carnes e 20% nos cereais, como milho e soja. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, comemorou o desempenho do agronegócio. “Os números são excelentes”, celebrou. “Precisamos pensar na expansão maior de algumas safras com cautela. Não podemos crescer muito o feijão e o arroz, porque eles não têm um mercado potencial grande. E o consumo interno está recuando.”
Ameaça
A FAO, entretanto, avalia o consumo de maneira diferente da do ministro e pondera que o excesso de procura por esses itens vai pressionar fortemente os preços. Para a entidade, o crescimento populacional e o aumento da renda nos países emergentes reforçaram a necessidade de commodities (produtos básicos com cotação internacional), principalmente arroz, carne, lácteos, óleos vegetais e açúcar. Os preços, segundo o presidente da França, Nicolas Sarkozy, se tornaram um risco. “O crescimento global se recuperou, mas a alta das commodities é a principal ameaça”, disse Sarkozy numa conferência sobre o assunto, organizada pela Comissão Europeia, em Bruxelas (Bélgica).
O economista Fábio Gallo Garcia, da Fundação Getulio Vargas (FGV), considera que o descompasso entre PIB e produção agrícola no Brasil não vai causar desabastecimento. Mas ele avalia como grande a possibilidade de que os valores dos alimentos aumentem expressivamente. “Vejo potencial de subir preço. Tudo vai depender também se teremos quebras importantes de safras no Brasil ou no exterior e se surgirão barreiras comerciais a algum produto. É um pouco de boa vontade do ministro ter a certeza de que não haverá um estresse lá na frente”, disse.
No topo
O Ministério da Agricultura estima que a safra de grãos vai crescer 23% em 10 anos e a produção de carnes, 26%. Entre os itens que mais se destacam nos cereais, está o milho, que vai avançar 24% no período e deve chegar a 65,5 milhões de toneladas. A soja será incrementada em 25,9% e deve alcançar 86,5 milhões de toneladas. Segundo o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o país caminha para o topo do ranking de produção agropecuária e está em via de superar os Estados Unidos.
Fonte: Mútua Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea
Ascom Crea-AM




