
A construção dos poços artesianos consiste na perfuração do solo para coleta de águas dos lençóis freáticos. É a partir deles que a água chega às residências de comunidades desatendidas pelo abastecimento de água. Para a construção de um poço deste tipo, é necessário obter o licenciamento do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). A capital amazonense conta com cerca de 15 mil poços artesianos de distribuição de água. Deste total, apenas 140 centros de distribuição de água são registrados pela concessionária Águas do Amazonas e licenciados pelo instituto.A informação é do presidente da Agência Reguladora de Serviços do Amazonas (Arsam), Fábio Alho. Os locais com maior índice de poços sem a licença do Ipaam encontram-se na zona Leste de Manaus. Os bairros Jorge Teixeira, Nova Floresta, Gilberto mestrinho, Nova Conquista e Nova Vitória contabilizam a maior quantidade de poços artesianos. Segundo ele, o número de poços irregulares alerta a população manauara para uma possível contaminação de lençóis freáticos na região.Segundo o hidrólogo do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Carlos Aguiar, a perfuração do solo sem supervisão do Ipaam causa riscos aos consumidores. A prática ainda pode ser nociva à saúde humana. “Esses poços atingem as chamadas ‘primeiras águas’, que são as mais superficiais. Lá, a matéria orgânica se decompõe e se transforma em nitrato e amônia”, disse. As substâncias são capazes de causar doenças como câncer se consumidas em grande quantidade por bastante tempo.O presidente do Ipaam, Antonio Stroski, afirmou, por meio de assessoria de comunicação, que a construção de um poço tubular deve ser feita por uma empresa especializada e cadastrada no Instituto. “A empresa especializada será competente para implantar o que se chama de ‘selo sanitário’. A ação protegerá o poço da contaminação por águas superficiais e poluentes subterrâneos”, disse. Segundo ele, a contaminação dos poços pode ser irreversível. “Após contaminado, nada mais poderá ser feito e a extensão da contaminação também será difícil de avaliar. Isso vale para empresas, residências, condomínios e comunidades”, afirmou.FiscalizaçãoSegundo o presidente da Arsam, Fábio Alho, a fiscalização acontece em parceria entre o órgão e o Ipaam. Amostras de água são recolhidas e enviadas a três laboratórios contratados pela concessionária Águas do Amazonas. “O Instituto fiscaliza os poços para verificar se estão dentro das exigências da ABNT. Se houver irregularidades, os proprietários recebem um prazo para realizar ajustes”, contou. Os responsáveis pela construção de poços estão sujeitos a multas caso o prazo seja ultrapassado.Ele também confessou que a fiscalização do órgão é deficiente. “É difícil monitorar todos os poços e, mesmo assim, o Ipaam não conta com fiscais suficientes para controlar a ação”, destacou. O presidente da Arsam, Fábio Alho, afirmou ainda que o órgão já trabalha para o fechamento dos poços irregulares. Segundo ele, o Programa Água para Manaus (Proama) resolverá o problema da escassez do recurso nas zonas mais populosas da cidade, Leste e Norte. “Com a melhoria de distribuição de águas, os poços não serão mais necessários. Dessa forma, poderemos fechá-los”, concluiu.Fonte: Portal Amazônia
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