
Duas escolas da zona rural de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus (RMM), já paralisaram as atividades em razão da cheia dos rios. Gestores, professores e pais se reúnem amanhã (17) com representantes da Secretaria Municipal de Educação do município para decidir se haverá suspensão total das aulas em todos os dez colégios. A água inundou a Estrada da Várzea, em Iranduba, e o acesso às escolas só é possível por meio de barco. A prefeitura está custeado o transporte fluvial para todos os alunos, mas os professores já notam evasão de quase 30% nas aulas. Mesmo com a cota de 28,70 metros do nível do Rio Negro, os barcos não podem atracar na porta dos colégios, para não encalhar. Os alunos precisam atravessar os pátios inundados a pé para entrar na sala de aula. A professora Maria Luzia da Silva, da Escola Municipal São Francisco, destaca o risco de ataque de arraias como principal preocupação dos pais e alunos. O perigo de acidentes no rio, provocado pelo banzeiro das embarcações grandes também afasta alguns estudantes. “O número de faltosos aumentou também porque as famílias que tiveram suas casas alagadas se mudaram e só devem retornar em agosto”, afirmou. Há 18 anos professora na zona rural, Maria Luzia avalia que a parada nas atividades escolares durante a cheia prejudica o rendimento dos alunos, mas observa que a segurança deve ser prioridade. Ela lembra que no final dos anos de 1990 as escolas em áreas afetadas pela cheia seguiam um calendário acadêmico especial, que iniciava em agosto e finalizava em maio. “Os alunos voltaram das férias em março, estudaram só dois meses agora. A suspensão das aulas pode atrapalhar a fixação do conteúdo”, disse. O pescador Vanderlan Fagundes Isídio, 31, é pai de dois alunos da Escola Municipal São Francisco e, todos os dias, leva e busca os filhos de canoa para a escola. Ele afirma que já subiu o assoalho da casa onde mora, mas a água continua subindo e a família planeja se mudar da comunidade. “Espero que as aulas sejam suspensas sim, para que as crianças que não puderem vir durante a enchente não deixem de aprender nada”. O estudante Neilson de Souza, aluno do 6º ano do Ensino Fundamental, contou que tem medo do ataque de arraias no trajeto entre a escola e o barco. Preocupado, ele conta que na enchente do ano passado um primo foi ferido voltando do colégio. “Minha mãe já disse que se o rio continuar subindo não vai deixar eu vir para a escola”, contou. O secretário de Educação de Iranduba, Omar Araújo Venâncio, informou que autorizou a paralisação em duas escolas porque a água já estava entrando nas salas de aulas. Ele afirmou que durante a reunião de amanhã será debatida a situação em cada colégio e as alternativas para reposição das aulas. “A nossa maior preocupação agora é a segurança das crianças. Vamos preparar um novo calendário, com horários intensificados”, informou. Enchente Faltam aproximadamente 40 dias para o rio atingir sua cota máxima, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Quatorze municípios decretaram situação de emergência no Amazonas e 13.878 famílias já foram afetadas. O Subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec), informou que Juruá, Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira, Itamarati, Carauari, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Apuí, Jutaí e Canutama integram a lista de municípios atingidos pela enchente. Fonte: D24AM
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