Perda de cobertura florestal impacta em ciclos naturais

Em 1983, a mata nativa de uma área que fica entre uma serraria e uma fazenda localizadas no município de Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus), sofreu um corte seletivo de madeira.

sexta-feira, 21 de junho, 2013 - 15:22
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Dois anos depois, o local foi alvo de uma derrubada com motosserra. As árvores cortadas foram queimadas e o local ficou abandonado por oito anos. Em 1992, a área passou por mais uma intervenção humana. Algumas pessoas fizeram uma limpeza manual e queimaram plantas e árvores novamente. No ano seguinte, o espaço foi dividido para plantio de capim quicuio (Brachiaria humidícola (Rendle) Schwick), banana e mandioca. Como as culturas não geraram os lucros esperados, o local foi abandonado mais uma vez. Em 1998, a área passou por outra divisão e, desde então, permanece com uma parte sendo usada com pastagem e plantio de pau-de-balsa, outra sem uso com regeneração natural e uma terceira com mata nativa. Um levantamento sobre essas intervenções e suas consequências chegou a ser feito em 2010 por uma professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Nesse mesmo ano, a doutoranda em Agronomia Tropical, Aldilane Mendonça da Silva achou interessante o estudo e decidiu fazer uma atualização do mesmo. A pesquisa é voltada para a análise da concentração de carbono (CO2) nas áreas afetadas. De acordo com Silva, foi preciso fazer a coleta de amostras do solo em oito níveis de profundidade para a verificação das alterações do estoque de carbono no solo e subsolo em graus variados, de acordo com a variabilidade natural de cada ambiente. Os trabalhos se concentraram nas áreas de pastagem para criação de gado, mata nativa, capoeira e plantações sem preparo do solo. Ela explicou que a perda da cobertura florestal reflete negativamente em importantes ciclos biogeoquímicos (água, fósforo, oxigênio, carbono, nitrogênio) e os impactos podem se refletir tanto de forma local, com o desequilíbrio de água, como globalmente, pela maior emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. O resultado do estudo realizado no município de Presidente Figueiredo vai ser apresentado durante o 34º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, em Florianópolis, entre os dias 28 de julho e 02 de agosto. Participarão do Congresso pesquisadores de todo o País, com estudos voltados ao manejo sustentável da terra de forma a evitar impactos negativos ao meio ambiente. Silva vai ao encontro com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), através do Programa de Apoio à Participação em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape). O Pape apoia, com passagens aéreas, pesquisadores e estudantes de graduação ou pós-graduação, para apresentarem trabalhos em eventos científicos e tecnológicos nacionais e internacionais. “Quanto ao Pape, só tenho a agradecer a iniciativa do Governo do Amazonas, via Fapeam, em apoiar a participação de pesquisadores, estudantes e professores em eventos científicos no país e no exterior, para apresentação de trabalhos científicos não publicados. Cabe ainda salientar que estes resultados podem ser de suma relevância para outros pesquisadores que venham a desenvolver novas pesquisas nas referidas áreas de estudo”, pontuou Silva. Fonte: Ciência em Pauta

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