Gestão compartilhada da água demanda Engenharia

As implicações do uso crescente de energia elétrica também foram abordadas.

sexta-feira, 12 de maio, 2017 - 17:19
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O uso racional da água na produção de alimentos foi destaque da palestra do professor e pesquisador do Núcleo Estadual de Meteorologia e Recursos Hídricos da Fundação Universidade do Tocantins (UNITINS), José Luiz Cabral, na tarde do segundo dia do Preparatório da Engenharia e da Agronomia para o Fórum Mundial da Água, realizado em Manaus.
Para ele, é fundamental monitorar preventivamente o volume das bacias hidrográficas, considerando os múltiplos usos dos recursos hídricos. “A água é usada em todos os processos de produção, seja vegetal, animal ou sintético. Para produzir um 1kg de carne bovina, por exemplo, precisa-se, em média, de 15.000 litros de água; para um 1 kg de frango, em média, 4.000 litros”.
De acordo com o especialista, a gestão compartilhada da água é uma solução capaz de proporcionar não apenas o monitoramento quanti e qualitativo dos recursos, mas permite ainda a planejamento integrado, inteligente e de alto nível das fontes, com avaliação de demanda e oferta.
“Essa iniciativa envolve a atuação dos gestores, comitês e usuários, requer fiscalização e plano de bacias”, frisou o palestrante para quem os engenheiros têm papel fundamental nesse trabalho. “Precisamos de novos engenheiros que se dediquem ao estudo da hidrometria. Devemos dar a devida importância a esse recurso, que é uma grande commodity”.
Outro caminho que pode gerar bons resultados nesse cenário, segundo o pesquisador, é colocar em prática a Lei nº 9.433/1997, que institui Política Nacional de Recursos Hídricos. “Estamos cumprindo essa legislação que está vigente há 20 anos? ”, instigou Cabral lembrando que o a legislação não recebe a devida atenção por parte dos entes públicos.
 
Hidrelétricas e suas consequências
Os impactos ambientais e sociais na tomada de decisões sobre grandes obras foram abordados por Philip Fearnside, que é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). As hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, por exemplo, causaram impactos à população de peixes, comunidades locais no Brasil e em países vizinhos.
O problema é ainda mais amplo quando se pensa que o uso crescente de energia elétrica tem demandado a ampliação de barragens e de investimentos públicos. “Estima-se que os chuveiros elétricos instalados sejam responsáveis pelo consumo de cerca de 5% de toda a eletricidade produzida no Brasil e por aproximadamente 18% da demanda de pico do sistema elétrico nacional. Para cada chuveiro instalado pela população com um investimento de aproximadamente R$ 30, o setor elétrico brasileiro tem que investir entre 2 reais e 3 mil reais para fornecer a nova energia demandada”, ilustrou. 
Ao defender fontes de energia que dependam menos de recursos hídricos, Fearnside apresentou a seguinte conta do que acontece no Brasil: “Pelas longas linhas de transmissão que saem das hidrelétricas brasileiras perde-se 20% da energia, enquanto na Argentina perde-se somente 8%. A solução é transmitir em extensões mais curtas, ou ainda investir em outras alternativas que sejam mais sustentáveis e econômicas”, sugeriu.
 
Julianna Curado e Lisângela Costa
Equipe de Comunicação do Confea e do Crea-AM

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