Terceiro Ciclo de Palestras Técnicas discute novos parâmetros para a indústria brasileira

A Indústria 4.0 não é apenas uma revolução industrial, ela vem mudando o conceito de fabricação e constitui mudança social

quarta-feira, 25 de outubro, 2017 - 16:00
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Cerca de 80 pessoas, entre estudantes e profissionais de Engenharia e Agronomia participaram do 3º Ciclo de Palestras Técnicas, realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM). O evento ocorreu no último dia 18 deste mês, no auditório da Faculdade Devry Martha Falcão, zona Centro-Sul de Manaus, para debater sobre o tema “A Engenharia na Indústria 4.0”.
Palestrante convidado, o engenheiro de automação e controle Industrial Gabriel Muricy mostrou uma visão de futuro na qual ocorre completa descentralização do controle dos processos produtivos e uma proliferação de dispositivos inteligentes interconectados, ao longo de toda a cadeia de produção e logística. Segundo o especialista, o impacto esperado na produtividade desse novo modelo industrial é comparável ao que foi proporcionado pela Internet em diversos outros campos, como no comércio eletrônico, nas comunicações pessoais e nas transações bancárias.
“Tornar a Indústria 4.0 uma realidade implica a adoção gradual de um conjunto de tecnologias emergentes de informação e automação industrial, na formação de um sistema de produção físico-cibernético, com intensa digitalização de informações e comunicação direta entre sistemas, máquinas, produtos e pessoas. Esse processo promete gerar ambientes de manufatura altamente flexíveis e auto ajustáveis à demanda crescente por produtos cada vez mais customizados”, explicou Gabriel Muricy.
TransiçãoDurante o evento, Gabriel Muricy explicou que a Indústria 4.0 não é apenas uma revolução industrial, ela vem mudando o conceito de fabricação e constitui mudança social. No entendimento do especialista, a transição para a Indústria 4.0 não ocorrerá de forma repentina e sim gradual, com uma velocidade de implantação que dependerá de fatores econômicos e estratégicos e da capacitação tecnológica da indústria presente no Brasil.
“É bem provável que a indústria nacional não precise passar por todo o processo de modernização fabril ocorrido em outros países e acabe queimando etapas. O que não podemos fazer é ignorar essa revolução se quisermos preservar a indústria presente no Brasil e prepará-la para esse novo panorama competitivo”, lembrou Muricy.
OportunidadesEm sua fala, Muricy fez questão de frisar, entretanto, que apesar do galope nas mudanças para esse novo cenário industrial no qual as tecnologias de informação e de automação (e não a mão de obra de baixo custo) vão gerar as vantagens competitivas e mais novas oportunidades no mercado de trabalho, a conjuntura brasileira atual, marcada por uma severa crise econômica e política vai tornar esse desafio ainda mais difícil para o Brasil.
“Serão necessários, mais do que nunca, lideranças fortes e articuladores na indústria, no governo e nas instituições acadêmicas e de pesquisa. O setor industrial também vai precisar ampliar os níveis de investimento no capital humano e na capacitação de gestores, engenheiros, analistas de sistemas e técnicos, além de firmar parcerias e alianças estratégicas com entidades de outros países”, finalizou.

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