
Tadeu Carneiro é engenheiro metalúrgico formado pela Poli-USP, atual professor convidado do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e CEO desde 2017 da Boston Metal, empresa nascida dentro do MIT, nos Estados Unidos, responsável pelo desenvolvimento comercial do que pode vir a ser uma revolução na manufatura global, com consequente impacto nas cadeias produtivas de inúmeros países: diminuir a emissão de dióxido de carbono na indústria pesada, através da produção do aço verde, que lança oxigênio na atmosfera ao invés de CO2, uma novidade no processo de fabricação do aço que é responsável, sozinho, por 8% das emissões globais de gás carbônico.
Assim como em outros setores, a indústria do aço lida com forte e contínua pressão por descarbonização que, além de atender à demanda por produções menos agressivas ao meio ambiente, também pode oferecer competitividade em um setor que convive com volatilidade e margens sob constante pressão.
Processo inovador
O primeiro financiamento para a pesquisa desenvolvida nos laboratórios veio da Nasa, interessada na produção de oxigênio para manter seus astronautas na lua por mais tempo. A ideia, que atualmente é revisitada por pesquisadores e instituições, permitia o uso de anodos nobres para a produção de oxigênio, algo inviável na indústria do aço que precisa de competitividade para fazer frente ao carvão.
Através da eletrólise de óxido fundido, os pesquisadores demonstraram ser possível a fabricação em laboratório de uma ampla gama de metais, pois permite substituir o carvão por eletricidade na produção de aço, assim como para o uso de minérios mais pobres. Tadeu Carneiro explica que no processo inovador criado pela Boston Metal, não é necessário aglomerar os finos de minério de ferro, que é realizado por sinterização ou pelotização.
O objetivo do projeto é o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora denominada Molten Oxide Electrolysis (MOE), que reduz óxidos metálicos como o minério de ferro com o uso de eletricidade. Este processo MOE possibilitará a transformação de minério de ferro para a produção de aço com emissão zero de CO2, conhecido como aço verde.
Entre os players que já discutem parcerias com a Boston Metal estão gigantes como a indiana Jindal, a Arcelormittal, além das brasileiras CSN, Vale e Usiminas.
Próximo passo
O próximo passo da equipe da Boston é rodar a planta-piloto usando minério de ferro e a tecnologia do anodo inerte em maior escala até o início de 2023.
Na sequência, a meta é tirar do papel a primeira célula industrial da companhia, que irá demandar energia elétrica abundante, confiável, barata e, principalmente, verde. Entre os interessados em receber a planta da Boston estão a cidade de Quebec, no Canadá, além de duas candidatas nos Estados Unidos.
(Fontes: CNN, Boston Metal e Vale/ Foto: divulgação)




