
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress
São Paulo parou na manhã de 10 de fevereiro deste ano. A maior chuva para o mês desde 1983 alagou as marginais Tietê e Pinheiros, parou o transporte público e atingiu a distribuição de alimentos da Ceagesp. Já nesta semana temporais na Baixada Santista causaram mais de 30 mortes e de 40 desaparecidos nas cidades de Guarujá, São Vicente e Santos. Em ambos os casos as chuvas desnudaram a ineficiência do poder público em amenizar fenômenos naturais. Também levou muita gente a se perguntar por que está chovendo tanto no Estado em 2020.
De acordo com Eduardo Gonçalves, meteorologista da Somar Meteorologia, a resposta vem do oceano Atlântico. Ao longo do verão, em geral, explica ele, há uma variação do local onde as temperaturas do oceano ficam mais quentes – às vezes mais para o Nordeste, às vezes mais para o sul, deixando as frentes frias nesta região. “Neste ano as águas estão mais quentes na costa do Sudeste, cerca de 1°C, e já faz tempo. Como consequência, as chuvas mais fortes acontecem de forma recorrente no Sudeste”, diz o meteorologista.
Entre 9 e 10 de fevereiro, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou a segunda maior chuva de fevereiro na Capital desde 1943, quando começaram as medições. Em de fevereiro de 1983 ocorreu o recorde do mês.
Estas mudanças, explica ele, também são causadas pelo fenômeno conhecido como aquecimento global. “Um estudo feito pela USP mostra que a quantidade de eventos extremos na capital paulista nos últimos 20 anos é maior do que em 60 anos do século passado. Há outros estudos que mostram que a ‘terra da garoa’ passou a ser a ‘terra dos temporais’”, explica.
As obras consideradas mais eficientes para amenizar alagamentos são os piscinões. Há 32 em São Paulo, oito construídos na atual gestão municipal. Em nota, a Secretaria de Infraestrutura Urbana (Siurb) afirma que trabalha para dotar a cidade da infraestrutura necessária para reduzir as áreas de alagamento. “Em 2020 serão mais cinco, totalizando 13 novos piscinões até o final do governo”, diz a pasta.
Segundo o meteorologista da Somar, a expectativa é de uma nova frente fria avançando pelo Sudeste em torno do dia 15 de março, que pode provocar chuvas fortes. A esperança é que os fenômenos da natureza previsíveis não voltem a causar tragédias humanas.
Tragédia na Baixada Santista
A Baixada Santista viveu uma das mais graves tragédias dos últimos anos após as fortes chuvas no início desta semana terem causado mortos, desaparecidos e desabrigados nas cidades de Santos, São Vicente e, principalmente, em Guarujá.
Segundo Eduardo Gonçalves, da Somar Meteorologia, essa é a maior chuva em quase 15 anos na cidade do litoral sul.
“É a segunda maior chuva desde 2007 em Guarujá. O acumulado em 24 horas em Guarujá foi de 258mm entre 2 e 3 de março, perdendo apenas para o dia 23 de dezembro de 2014, quando foram 359mm”, explica Gonçalves.
O governador João Doria (PSDB) visitou a região e se impressionou com a situação dos morros da Baixada Santista. “Fiquei bastante chocado com o volume de terra, com os desabamentos. Isso me impressiona muito”, disse, em entrevista coletiva.
De acordo com o “Diário do Litoral”, os deputados estaduais eleitos pela Baixada farão pressão para que o governador encaminhe o projeto de lei complementar do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O PDUI abrange políticas sociais, que poderiam, por exemplo, minimizar a situação de pessoas que moram em áreas vulneráveis e vítimas de tragédias.
Atenção ao litoral
Mesmo com a chuva fraca prevista para os próximos dias, todo o litoral paulista segue em alerta, já que o solo já está encharcado e qualquer chuva pode causar novos deslizamentos.
Próximos dias
De acordo com especialista da Soma Meteorologia, haverá pancadas de verão durante o mês no Estado, de curta duração. Há a expectativa de uma nova frente fria em torno do dia 15 de março, com chuvas que podem passar dos 100mm em algumas regiões de São Paulo.
Fonte: Gazeta de S. Paulo.




