Cientistas usam açúcar e gelatina para imprimir dedo robótico em 3D

Eles, literalmente, cozinharam esses materiais e depois fabricaram o dispositivo utilizando uma impressora 3D

quarta-feira, 9 de fevereiro, 2022 - 15:06

Divulgação

Pesquisadores da Universidade Johannes Kepler, na Áustria, construíram um dedo robótico semelhante a um tentáculo usando gelatina e açúcar como ingredientes principais. Eles, literalmente, cozinharam esses materiais e depois fabricaram o dispositivo utilizando uma impressora 3D.

Atualmente, os robôs macios não são feitos de materiais biodegradáveis porque esses compostos, na maioria das vezes, possuem várias limitações como alta solubilidade em água, modelagem reduzida e vida útil muito limitada, o que dificulta sua aplicação em escala industrial.

“Ao utilizar açúcar e gelatina para fabricar objetos gelatinosos, nós criamos dispositivos menos propensos ao mofo por causa da adição de ácido nítrico. Além disso, acrescentamos glicerol para tornar o dedo robótico mais resistente à agua”, explica o professor de ciência de materiais Florian Hartmann, coautor do estudo.

Receita caseira

Com a adição de ácido cítrico à receita, os cientistas conseguiram alterar o pH do material, evitando o surgimento de microrganismos que poderiam se alimentar do composto. Já o glicerol ajudou a manter o gel hidratado, fazendo com que o dispositivo pudesse ser esticado até seis vezes o seu comprimento original sem danificar sua estrutura.

Para usar esse material como “tinta” em uma impressora 3D convencional, os pesquisadores aqueceram o composto até atingir um ponto mais suave, permitindo que ele fosse esguichado por um bico de impressão comum e que a tinta se solidificasse mais rapidamente em temperatura ambiente.

“Normalmente, os robôs macios impressos em 3D utilizam polímeros que ​​demoram muito para assentar e solidificar, o que significa que imprimi-los leva um tempo impraticável. Mas a gelatina tem uma vantagem: como proteína, ela pode cristalizar e produzir impressões viáveis ​​muito mais rápido do que os polímeros”, acrescenta Hartmann.

Fonte: Canaltech

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