Covid-19 pode atrofiar região frontal do cérebro, segundo pesquisa brasileira

Os envolvidos no projeto também investigaram o tecido cerebral de pessoas que morreram de covid-19 e descobriram que a doença afeta especialmente os astrócitos, células que dão sustentação aos neurônios

terça-feira, 15 de março, 2022 - 13:40

Divulgação

O impacto da covid-19 no cérebro vem sendo um enigma desde o início da pandemia, decifrado pouco a pouco através de estudos. O mais recente foi o da Unicamp, que apontou que a doença pode causar uma atrofia na região frontal do cérebro, responsável pela atenção e pelo raciocínio.

No estudo, realizado no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, os pesquisadores realizaram 81 ressonâncias de pacientes com sintomas leves de covid-19. E mesmo que esses sintomas não tenham sido graves, os infectados relataram alguns sinais que chamaram a atenção dos especialistas:

Fadiga
Sonolência
Ansiedade
Depressão
Disfunção cognitiva
Perda de memória
Falta de atenção
Dificuldade de linguagem
Redução da velocidade de processamento cerebral

Os pesquisadores teorizam que as emoções se proliferam de forma anormal no cérebro das pessoas com covid-19, o que gera os sintomas de depressão e ansiedade. Além disso, apontam que as áreas do cérebro responsáveis pelo raciocínio e atenção trabalham de forma exagerada nesses pacientes.

Os envolvidos no projeto também investigaram o tecido cerebral de pessoas que morreram de covid-19 e descobriram que a doença afeta especialmente os astrócitos, células que dão sustentação aos neurônios. Logo, a doença causada pelo SARS-CoV-2 impacta diretamente o funcionamento deles. A teoria é que a infecção dos astrócitos produz um ambiente tóxico, o que pode até mesmo levar à morte dos neurônios.

Recentemente, cientistas da Columbia University (EUA) analisaram cérebros de pessoas que morreram por covid-19 e encontraram algumas alterações moleculares relacionadas ao Alzheimer. Na ocasião, mencionou-se que a resposta imune característica da covid-19 em sua forma grave causa inflamação no cérebro. Em outra ocasião, pesquisadores dos Países Baixos observaram que o vírus pode interagir com um dos marcadores do mal de Parkinson.

Fonte: G1

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