Agro usa tecnologia enviada a Marte para tratar o solo

Modernização traz aumento da qualidade e da produtividade dos plantios, economia no gasto com insumos, menos desmatamento e maior sequestro do carbono da atmosfera são algumas das vantagens destas técnicas

quinta-feira, 2 de setembro, 2021 - 14:58

Da rotação de culturas ao uso de lasers para análise da terra, o Brasil está na vanguarda da tecnologia de solos. Estas aplicações não somente ajudam o agricultor a aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos cultivos, como também tornam as lavouras mais sustentáveis.

A modernização do trato do solo vai além das aparelhagens. Técnicas como o plantio direto, em nível e pousio também fazem toda a diferença nas colheitas e ajudam a alcançar o chamado “efeito poupa-terra”, que é a possibilidade de plantar mais, usando uma área menor.

Somando-se a estas vantagens, o manejo correto do solo também pode potencializar a sua fertilidade e a sua capacidade de sequestrar carbono da atmosfera, que é a retirada de circulação deste gás que colabora para o efeito estufa.

Além disso, a proporção de consultas técnicas vem caindo de 2006 para cá, o que pode indicar que as tecnologias estão sendo aplicadas de forma errada, prejudicando a plantação e o trabalhador.

Qualquer ação para aumentar ou diminuir a produtividade de uma lavoura é centrada no solo, já que, melhorando a terra, haverá um maior desempenho da planta, explica o professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

O professor conta que houve um avanço neste debate, que anteriormente se concentrava apenas nos atributos químicos do solo, como a sua fertilidade, enquanto hoje já se fala também dos componentes físicos e biológicos.

“Hoje verifica-se que não adianta só uma abordagem química porque a planta também tem um sistema radicular importante. Imagine uma raiz tentando crescer em um solo compactado, bem duro, ela vai ter dificuldades”, exemplifica. “Dá para ser fértil sem ser produtivo”, completa.

Para ajudar o plantio a atingir seu potencial máximo, os agricultores devem usar as técnicas de melhoramento, contudo, ainda hoje, parte dos trabalhadores rurais optam pelo preparo convencional, ou seja, usam, por exemplo, a aração e gradagem, que revolvem a terra.

Efeito poupa-terra

O uso de genética, com sementes que trazem melhoramentos para a produção, aperfeiçoamento no manejo do solo, controle de pragas e outros métodos permitiram o efeito poupa-terra, aponta a pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Tecnologia.

Entre as técnicas que colaboram para isto, se destaca a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Segundo dados da Embrapa, em 2021, 17 milhões de hectares faziam parte deste sistema.

A ILPF consiste, basicamente, em uma produção composta por diferentes itens em uma mesma área. Portanto, o gado, por exemplo, pode ser criado em um ambiente com a lavoura de milho e com a área de floresta.

De Marte para a agricultura

Outra forma de mapear os componentes do solo é usando lasers. O Brasil é o primeiro país que faz esse tipo de análise por meio da mesma tecnologia utilizada pela NASA em seus robôs para explorar Marte.

O equipamento é feito a partir da plataforma de inteligência artificial AGLIBS. O uso para agricultura foi desenvolvido pela Embrapa Instrumentação, em São Carlos, e é usado pela startup Agrorobótica.

Além de ajudar o produtor a usar a agricultura de precisão, a empresa busca otimizar o sequestro de carbono pelo solo. A amostra, inclusive, aponta quanto de carbono está estocado na terra.

Fonte: G1

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